Repelente natural Ingredientes: 1/2 litro de álcool, 1 pacote de cravo da índia (100g), 1 vidro de óleo para nenéns (100ml). Modo de fazer: Deixe o cravo curtindo no álcool uns 4 dias, agitando, de manhã e à tarde. Depois, coloque o óleo corporal (pode ser de amêndoas, camomila, erva-doce, lavanda, aloe vera). Modo de usar: Passe uma gota no braço e nas pernas e o mosquito foge do cômodo. O cravo espanta formigas da cozinha e dos eletrônicos, e espanta as pulgas dos animais. Também é muito utilizado por pescadores. O repelente evita que o mosquito sugue o sangue, assim, ele não consegue maturar ovos e atrapalha a postura. Vai diminuindo a proliferação. Seleção de Suriman N. de Souza Júnior Rio de Janeiro-RJ
No desenho, Jesus não poderia ter nascido na cidade palestina de Belém nos dias atuais por conta de bloqueio israelense
Um cartão de Natal pouco convencional está sendo compartilhado ao redor do mundo por milhares de pessoas nas redes sociais. A paisagem tradicional bíblica de José e Maria – que aparece montada em um burro – caminhando em direção à estrela de Belém, onde Jesus nasceria, não seria nada estranha se não fosse pelo extenso e alto muro que interrompe o seu caminho.
O artista britânico Banksy dá o seu toque à data religiosa, lembrando que Cristo não poderia ter nascido no estábulo na cidade palestina nos dias atuais. José e Maria, assim como milhares de palestinos residentes de Nazaré (nome atual de Galileia), não poderiam sair de sua cidade e caminhar até Belém, na Cisjordânia, que está, totalmente, cercada pelo muro construído por Israel.
Wikicommons Grafite do artista britânico no "muro da vergonha" em Belém, cidade palestina onde nasceu Jesus
O muro de concreto, de 760 quilômetros de extensão e cerca de 8 metros de altura, começou a ser construído pelo governo israelense em 2002 e já está quase concluído. Com o suposto propósito de evitar a passagem de terroristas nas áreas de Israel, a “barreira da separação” coincide em apenas 20% com a Linha do Armistício de 1949. O restante, está situado em território, por lei, palestino.
Wikicommons
Classificado como “muro do apartheid”, essa construção foi criticada por autoridades e entidades internacionais, como as Nações Unidas e a Corte Internacional de Justiça, além de receber a atenção de artistas como Banksy.
Por meio de grafites e stencils, o britânico imprimiu o seu tom irônico e sarcástico no muro do lado palestino. Uma janela, uma cortina, uma vidraça quebrada e balões furam o bloqueio israelense e levam o povo palestino a enxergar o “outro lado” que aparece como praia, céu ou rio.
Agora, o artista britânico, de identidade real desconhecida, faz com que a Sagrada Família enfrente o apartheid.
Aproxima-se o Natal? Somos mais bons. Eu não, sinto-me enervado. Então: Religião.
Ok, ok...falar mal da Religião é simples, mas antes de ser acusado de disparar contra a Cruz Vermelha, deixem-me dizer uma coisa: se for verdade que acusar a Igreja de crimes é demasiado fácil (Inquisição, Cruzadas, etc.), mais complicado é ir à raiz do problema.
Aí é preciso conhecimento, não apenas lugares comuns (mesmo que baseados em factos históricos). Por exemplo: é preciso basear-se num texto de confiança, não duma Bíblia qualquer. E é necessário conhecer o hebraico antigo.
Mauro Biglino está a fazer um óptimo trabalho, traduzido em vários idiomas. Nada de novo (Erich von Däniken, Zecharia Sitchin, Walter Raymond Drake, Mario Pincherle, Peter Kolosimo... já tinham feito o mesmo), mas Biglino tem alguns pontos que jogam em seu favor: é um académico, especializado em história das religiões e na tradução do hebraico antigo, tanto de ter tido vários livros publicados pela Edizioni San Paolo (com a Edizioni Paoline a editora mais prolífica no âmbito católico).
Biglino trabalha com a Bíblia Hebraica Stuttgartensia (BHS): baseada no Códice de Leninegrado (do ano 1008 d.C., é a cópia completa mais antiga das Escrituras Hebraicas), é considerada tanto pelo Judaísmo como pelo Cristianismo, como a edição mais confiável das Escrituras em hebraico e aramaico. Na prática é "a" Bíblia.
Biglino não ignora o aspecto simbólico da Bíblia, que existe é não pode ser negado. Todavia, afirma que a Bíblia é mais do que isso.
Fontes?
O ponto de partida é que a Bíblia não tem fontes certas. Pode parecer coisa esquisita, mas:
ninguém sabe com certeza quem escreveu os livros do Antigo Testamento.
ninguém sabe com certeza quando foram escritos os vários livros.
ninguém sabe dizer com certeza como estavam escritos em origem os vários livros, pois existem milhares de códigos diferentes.
ninguém sabe dizer com certeza como em origem fossem vocalizados os vários livros, pois o hebraico tem a particularidade de não representar a vogais.
a situação é tão confusa que em 1958 as universidade de Jerusalém e Tel Avive decidiram iniciar o projecto Bible Project para tentar reconstruir os textos da melhor forma possível. Tempo previsto: 200 anos (portanto faltam só 150 anos).
Tudo no Antigo Testamento é "tradição" e demasiadas vezes esta vai contra as provas. Por exemplo, é tradição considerar a Génesis como escrita por Moisés. Na verdade, as análises sugerem que o livro da Génesis tenha sido escrito juntando material de diversas origem: mitos da Suméria, da Babilónia e de Ugarit, Enuma Elish e Atrahasis, a Epopeia de Gilgamesh.
O trabalho de Biglino, como é óbvio, é focado no estudo do Antigo Testamento e precisamente na bem conhecida questão do termo "Deus". O que é interesse aqui é o facto do autor ser um especialista do hebraico antigo: mas há outros aspectos que vale a pena relatar.
O problema do termo Elohim não precisa de muitas explicações: em hebraico (אֱלוֹהִים ,אלהים) é o plural da palavra elohah (אלוה). Explica Wikipedia que quando os verbos ou adjectivos estão no singular, então Elohim deve ser entendido no singular também. Mesmo considerando como válida esta explicação, é importante notar como no Antigo Testamento existem ambos os casos: Elohim com verbos ou adjectivos singulares e plurales. Portanto, há Deus e Deuses. Este é um facto.
No geral:
quando na Bíblia encontramos a palavra portuguesa "Altíssimo", na versão hebraica há Elyon ou El-Elyon.
quando na Bíblia encontramos a palavra portuguesa "Deus", na versão hebraica há Elohim (plural) ou El e Elhoa (singular), com verbos e adjectivos singulares e plurales.
quando na Bíblia encontramos as palavras portuguesas "Senhor" ou "Eterno", no original hebraico há Yahweh ou Yaheowah.
Então, é só um problema de singular ou plural? Nada disso, porque na Bíblia os vários Elohim têm nomes próprios diferentes. Só dois exemplos: o Elohim Amosh (Gdc 11,24) e o Elohim Milkom (1Re 11,33) aos quais podemos acrescentar o mais conhecido Elohim Yahweh.
Um, dez, cem Elohim
Lendo o Antigo Testamento, descobrimos que Yahweh e Kemosh têm o mesmo grau de importância:ambos são "deuses menores", que lideram povos de escassa importância. Salomão, por exemplo, instituiu o culto dos Elohim Kemosh e Milkom ((1Res,11). Mas o sábio Salomão deveria ter conhecido a diferença abismal entre Yahweh (o alegado Deus único e universal) e Milkom ou Kemosh, que até são descritos como "deuses pagãos". O que levou Salomão a adorar dois diferentes Elohim?
Na Bíblia não faltam outros exemplos importantes: Em Juízes 11, Jefte, comandante das forças israelitas, combate contra os Ammonitas e no versículo 24 afirma:
Não tens tu o que Kemosh, o teu Elohim, deu-te? Da mesma forma, nós temos o que Yahweh, nosso Elohim, nos deu.
Se admitimos que todos os Elohim são a mesma divindade e representam um único Deus, este diálogo não tem nenhum sentido. Mas, evidentemente, Yahweh e Kemosh são duas entidades diferentes: diferente mais iguais, como os mesmos poderes, os mesmos direitos, nenhum dos dois é considerado superior ao outro.
Inclusive na Bíblia há um erro: Kemosh era o Elohim dos Moabitas, não do Amonitas. Mas paciência... há cerca de 1500 erros como este no Antigo Testamento, como realça o Professor Menachemk Cohen, da Universidade Bar-Illan Tel Aviv.
O segundo ponto, bem mais importante, é que ambos estes Elohim combatem por autênticos "lenços" de terras. Mais uma vez: são deuses menores. Os três Elohim citados até aqui (Yahweh, Kemosh e Milkom) pertencem a esta categoria.
Uma ulterior confirmação (mas há várias nas Bíblia) pode ser encontrada na pedra de Mesha (850 a.C.): uma inscrição feita compilar por Mesha, líder dos Moabitas. Nesta pedra podemos encontrar o relato duma batalha, no final da qual (linha 13) encontramos quanto segue:
Fui e combati, tomei, matei todos, sete-mil homens, rapazes, mulheres, raparigas e escravos, porque decidi sacrifica-los em nome de Astar-Kemosh.
Portanto, temos uma situação paradoxal: os Moabitas, que combateram contra os hebraicos, adoravam um Elohim (neste caso Astar-Kemosh): mas Elohim na Bíblia não indica "o" Deus? Sim, em teoria Elohim é Deus, o mesmo Deus do hebraicos. Mas aqui têm um nome diferente: Astar-Kemosh. Porque? Porque a Bíblia explica que são cultos diferentes: os Moabitas não adoravam o mesmo Deus hebraico, eram pagãos. Então é simples entender como "Elohim" não seja "O Deus" mas apenas "um dos Deus". E atenção: a Bíblia é muito explícita quando ao culto é referida ao Elohim hebraico e quando, pelo contrário, indica uma qualquer outra divindade pagã.
O trecho acima reportado tem outra particularidade: cita o culto de Kemosh (que, como vimos, é um Elohim) junto com aquele de Astar. Esta é Astarte (em ugaritico ‘ṯtrt), a Grande Mãe da Fenícia, ligada à babilonesa Ishtar, filha de Baal, um deus bem pouco simpático. Astarte entrou a fazer parte também da religião egípcia, na XVIII dinastia (1543-1292 a.C.) com o termo de Isis, daquela grega como Afrodite e da romana como Vénus. Como podem os Elohim aparecer juntamente com a filha de Baal? Quem são afinal estes Elohim?
Voltamos à Kemosh, porque as similitudes com o outro Elohim, Yahweh, não são poucas. Também Kemosh mora entre o povo dele, tal como faz Yahvew com os israelitas; Moabitas e Hebraicos são derrotados quando os respectivos Elohim ficam zangados com eles (Números 14). E mais ainda: mesmas atitudes, mesmos poderes, mesmos sacrifícios... dois Elohim, apenas dois entre os vários que existem.
Os Elohim são também o Mal, Satanás: é deles que nascem os demónios. Ao ler o Antigo Testamento encontramos os Elohim "colegas" de Yahweh, com nomes quais Baalpeor ou Baalzevuv: não é precisa muita imaginação para entender como o primeiro seja Belfagor e o segundo Belzebu. Assim como Baal é Bóshet.
E a propósito deste último: o termo Baal é na verdade um adjectivo cujo significado é "Senhor", pelo que indica Deus. E os Cananeus herdaram este termo da religião fenícia: os Cananeus utilizavam o adjectivo Baal para indicar o Deus deles. Só a partir do XVI século a.C. Baal passou a ser sinónimo de "falso Deus".
Um Livro de Poder
Resumindo: a Bíblia fala de Elohim, substantivo plural que significa "os Deuses". Este facto em si não é novidade nenhuma, há anos que o assunto é discutido. O que Biglino sugere é de considerar toda a Bíblia como um livro não monoteísta, como o relato de como um entre estes Elohim tenha sido elevado ao estatuto de "único Deus". Por qual razão?
A Bíblia como texto sagrado (e falamos aqui do Antigo Testamento) foi "inventada" pelas classes dominantes hebraicas de Jerusalém e de Alexandria de Egipto, por questões de prestigio, poder e dinheiro. No II-I séculos a.C., em Jerusalém o que estava em jogo era a autoridade, da qual derivavam o poder e o dinheiro; em Alexandria, na mesma altura, a cultura era o tema dominante.
A Bíblia é o relato de como os vários Elohim tenham sido eliminados com o passar do tempo, até sobreviver apenas um entre eles, Yahweh. É dito que a Bíblia não pode ser considerada um texto histórico: e não poderia mesmo. As contradicções, os anacronismos, são obrigatoriamente parte duma operação que consistiu em juntar um leque de textos de várias origens para criar uma única história. Operação não simples, mas que também foi repetida em época mais recente pela Igreja com os Evangelhos.
Mas a Bíblia é também texto histórico, seria errado considera-la apenas como "simbólica", porque assim não é. Só que a história contada não é bem a mesma que conhecemos. Mas este é outro discurso.
Se o assunto for de algum interesse, é possível aprofunda-lo, sempre nesta vertente histórico-linguista: o material é amplo. Mas a última palavra é dos Leitores.
Nosso País acordou estupefato com a prisão de um senador da República. Por outro lado, alivio-me com a prisão de um banqueiro, um dos mais ricos do Brasil.
Não guardo intimidade com o pensamento do Senador Delcídio do Amaral em virtude de suas origens políticas, ligadas à privatizações e ao nefasto neoliberalismo. Porém, sua prisão nos coloca sob espanto pelo colorido de arbitrariedade em face da imunidade parlamentar de que gozam os eleitos pelo povo para ocupar cadeira na mais alta casa legislativa.
Perdoe-me, ministra Carmem, por me dirigir a senhora sem o traquejo jurídico próprio dos advogados, já que não sou um e sem a formalidade de um tribunal, já que não pertenço a nenhum.
Aqui tenho o objetivo de questioná-la pelo que disse na 2ª turma do STF ao justificar seu voto na decisão do ministro Teori Zavascki ao ordenar a prisão do Senador Delcídio do Amaral e do Banqueiro André Esteves.
É de se esperar que os homens e as mulheres eleitos e eleitas sejam honestos, honestas, probos e probas nas suas atividades parlamentares, embora alguns afrontem e desrespeitem a sensibilidade social e a cidadania, como é o caso do Senador Ronaldo Caiado, que frequentemente usa camiseta amarela com os sinais de 9 dedos, em deboche a deficiência física do ex-presidente Luiz Inácio Luiz da Silva, sem que seja incomodado em momento algum por esse preconceito e crime.
Nesta carta singela desejo lhe dizer que me senti ofendido e desrespeitado como cidadão com seu discurso ao justificar seu voto a favor da prisão de Delcídio do Amaral, nesta manhã.
A senhora disse que antes nos fizeram acreditar que a esperança venceu o medo. É evidente que a senhora se referiu à campanha eleitoral e eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, sem citá-lo.
E vencemos mesmo, ministra Carmem. Milhões de brasileiros fomos ameaçados com o estouro do dólar, com a fuga dos empresários que investiriam em outros Países abandonando o Brasil ao desemprego e à pobreza. Uma atriz da TV Globo apareceu em noticiários e na propaganda eleitoral do PSDB fazendo caras teatrais de assustada e dizendo: “ai, estou com medo”. Pois vencemos essa tentativa. Os milhões de votos investidos em Lula transcenderam fronteiras partidárias para afirmar nossa esperança contra as ameaças rasteiras e desonestas. Vencemos o medo, com muita esperança. O Brasil se sentiu recompensado com essa vitória. A senhora sabe!
Como cidadão e como povo me sinto ofendido e agredido em minha esperança e em minha fé com essa sua fala, para mim irônica e sem nenhuma relação com o mensalão da mídia, com muitos casos dúbios e influenciados pela opinião publicada.
A senhora carregou sobre a ironia sem nexo ao afirmar que “agora o escárnio venceu o cinismo”.
Qual a relação do possível crime do Senador Delcídio do Amaral, nem investigado totalmente e, muito menos julgado e condenado, com a vitória da esperança em 2002?
A senhora quer nos envolver em todos os possíveis crimes de Delcídio? A senhora falou pensando em investigação e condenação do ex-presidente Lula, o candidato a respeito de quem se usou o slogan “a esperança venceu o medo”? A senhora já sabe, mesmo sem julgamento, que o Senador Delcídio do Amaral é criminoso, até mesmo antes da manifestação da casa onde ele é parlamentar?
Na fundamentação de seu voto a favor da prisão do aludido senador a senhora asseverou que “ agora o escárnio venceu o cinismo”.
Pergunto se o seu voto não se referia a um senador? Se se referia ao Senador Delcídio do Amaral qual a relação da ironia com os votos de milhões de brasileiros que tiveram esperança de mudar aquela realidade triste de desemprego, de miséria e de pobreza em 2002?
A senhora ameaçou quem ao afirmar posteriormente que “criminosos não passarão sobre a justiça”, alertando a todos do mundo da corrupção?
Perdão, ministra, mas a minha ofensa também vem do fato de a senhora misturar ironicamente fatos e valores sem nenhuma relação, sendo que a esperança realmente venceu o medo e sempre vencerá as vilanias da classe dominante, principalmente da rapinagem dos poderosos internacionais, que atuam por meio de jagunços nacionais.
Pior, a sua referência de falso senso de oportunidade choca por estabelecer nexos irreais entre um senador atual, preso acusado de atrapalhar investigações, com toda a força da esperança de um povo.
Choca mais o fato de a senhora não fazer nenhuma menção ao banqueiro André Esteves, dono do Banco BTG Pactual, também preso como suspeito de fazer uma operação polêmica na área internacional da Petrobras, ao comprar poços de petróleo na África, sendo ele um dos homens mais ricos do Brasil, um País pobre e, mesmo assim, de esperanças que vencem os medos.
A senhora não disse nada sobre André Esteves foi pelo fato de ele ser banqueiro e rico? Haveria na senhora algum senso de seletividade, como o há na mídia que reforçou com grande destaque as suas palavras?
Enfim, perdoe-me pela ousadia de exercer o direito de questionar, de me indignar contra as seletividades e contra o deboche em relação ao povo que tem esperança, apesar do medo que diuturnamente lhe impingem.
• Abraços críticos e fraternos na luta pela justiça e pela paz sociais.
• Dom Orvandil, OSF: bispo cabano, farrapo e republicano, presidente da Ibrapaz, bispo da Diocese Brasil Central e professor universitário, trabalhando duro sem explorar ninguém.
Um megaprojeto transformará a antiga Fonte Sônia, área de lazer privada desativada há um ano em Valinhos, em um parque urbano municipal duas vezes maior do que a Lagoa do Taquaral, de Campinas.
A recuperação faz parte das contrapartidas de um empreendimento imobiliário que será construído próximo à Fonte.
O plano é reflorestar o espaço de 2,5 milhões de metros quadrados com pelo menos 100 mil mudas, recuperar os casarões da propriedade, as duas capelas e o Cristo, um dos símbolos da área verde. Será criada ainda uma grande pista de caminhada e pontos com equipamentos de ginástica para a população se exercitar.
Foto: Dominique Torquato/ AAN
Um dos casarões da fazenda na Fonte Sônia e que deve ser recuperado: Cetesb ainda estuda projeto, que também depende de mudança de zoneamento para instalação de condomínio
A administração do parque será da própria Prefeitura e a receita para manutenção do espaço virá de aluguéis dos prédios para estabelecimentos comerciais. O projeto da empresa Leste Real Estate, responsável pelo condomínio horizontal, prevê também a criação de um viveiro de mudas, monitoramento da qualidade das águas superficiais, gerenciamento de resíduos sólidos e implantação de projetos de educação ambiental.
Um dos pontos turísticos mais famosos da história de Valinhos, a Fonte Sônia ainda está na memória dos moradores com mais de 30 anos na cidade. A propriedade privada, com hotel, restaurante e casa de doces, era destino de valinhenses e de turistas de diversas cidades da região.
A entrada na área verde era paga, e pessoas vinham de caravanas em ônibus para passar o dia no local. Muitos se banhavam nas águas da fonte como tratamento de doenças como o reumatismo.
Atualmente, o cenário é outro. Fechada desde o fim de 2014, a propriedade tem os casarões do hotel e do restaurante deteriorados. A construção antiga onde funcionários produziam cachaça e doces caseiros também está desativada.
O diretor da Leste Real, Otair Guimarães, afirmou que era vontade do prefeito Clayton Machado (PSDB) de que a Fonte fosse patrimônio da cidade. “Eu mesmo ia muito no Fonte quando pequeno e entregar o local recuperado será um presente para a cidade”, disse Guimarães. A empresa adquiriu a área há alguns meses.
O diretor disse que a estrutura montada será similar à da Lagoa do Taquaral. Todo o projeto passa por uma auditoria ambiental, contratada pela própria Leste Real, para que as intervenções estejam alinhadas com a legislação ambiental e com a necessidade da área.
Depois de conseguir todas a licenças ambientais, a previsão é que seja montada uma enorme força-tarefa para a recuperação do parque, e que a obra seja entregue em um ano. A primeira fase do condomínio, com lotes de 500 metros quadrados, também ocorre após a aprovação. O empreendimento imobiliário Quinta das Águas ficará em uma área de 700 mil metros quadrados, anexa ao parque.
O projeto todo está em análise pela Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e deve passar ainda por mais uma audiência pública. A construção do parque começa quando a empresa responsável pelo investimento conseguir a licença prévia.
Para que o condomínio residencial horizontal seja aprovado, é necessária também a mudança de zoneamento da região, que passará por votação na Câmara.
Adutora
Além do parque, a empresa entregará também uma nova adutora de captação de água do Rio Atibaia para a cidade. Valinhos é uma das cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) que mais sofre com a crise hídrica.
A população enfrenta sistema de rodízio em época de seca e a necessidade de aumentar a disponibilidade de água no município é histórica. “A questão da adutora está bem adiantada. A contrapartida é suficiente para suprir Valinhos com água por pelo menos mais 30 anos”, explicou Guimarães.
Nome é homenagem à neta mais jovem do fazendeiro
A Fonte Sônia foi implantada em meio à fazenda de café do campineiro Orosimbo Maia, a Fazenda Cachoeira.
O hotel foi inaugurado em 12 de julho de 1921 e o nome é uma homenagem à mais jovem de suas netas. Na época, as águas da fazenda foram analisadas e foram constatadas propriedades benéficas para pessoas com doenças nos rins e na bexiga.
A água era extremamente diurética, mais forte que a de Lindoia. Em pouco tempo, o hotel virou ponto de visitação e destino de doentes para se tratarem. Com a crise de 1929, Orosimbo Maia se associou com o comerciante português Aldino Bártolo, que ampliou a propriedade.
Com faro apurado para negócios, Bártolo conseguiu elevar a Fonte do status de estação para tratamento de bexigueira, a um dos hotéis mais tradicionais e conhecidos da região. No final de 2014, a Fonte fechou de vez para visitação.
Obras serão associadas a plano ambiental
A transformação da Fonte Sônia em um parque municipal será associada a outros projetos ambientais, como a criação de um Plano Municipal da Mata Atlântica, como ocorreu em Campinas.
O plano deve fazer parte da série de contrapartidas da empresa Real State para a construção do condomínio. O prefeito de Valinhos, Clayton Machado (PSDB), afirmou que a contrapartida é importante e que o empreendimento será o primeiro da cidade a ter o estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e o relatório de impacto ambiental (Rima). “Nossa ideia é que pelo menos metade dos 2,5 milhões de metros quadrados da área seja de uso público.”
O auditor ambiental do projeto e presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Comdema), Carlos Alexandre Silva, explicou que o plano seria elaborado pela organização SOS Mata Atlântica, com uma metodologia aprovada pela Cetesb.
A ideia é conseguir a aprovação do plano antes da formatação do novo Plano Diretor da Cidade, para que as unidades de preservação e áreas de preservação permanente (APPs) sejam asseguradas no zoneamento de Valinhos. O plano, segundo ele, seria mais um instrumento para enriquecer e recuperar as áreas verdes da cidade.
Silva explicou que as contrapartidas oferecidas pela empresa vão além das ações de compensação ambiental e mitigação dos efeitos da construção, obrigatórias em qualquer empreendimento imobiliário. “As compensações ambientais oferecidas aqui têm o objetivo de atender demandas antigas da cidade. O equipamento de abastecimento de água e o parque oferecidos são ações muito positivas para Valinhos.”
Os compradores dos lotes do condomínio Quinta das Águas serão orientados também a fazerem construções ecológicas, e deverão seguir uma cartilha ambiental disponibilizada pela Leste Real.
Todos os itens serão revitalizados
O projeto paisagístico do parque da Fonte Sônia preservará todos os elementos da área que ainda povoam as lembranças de quem costumava a frequentar o local. O grande casarão amarelo do hotel será recuperado, assim como a casa do restaurante. Os lagos serão preservados e limpos e o Cristo no alto de uma colina do parque, será reformado. Hoje a estátua está sem um dos braços.
O responsável pelo projeto paisagístico, Marcelo Novaes, acredita que esse é um dos trabalhos mais desafiadores de sua carreira. “É um lugar muito tradicional, que era uma propriedade privada, mas ainda está muito vivo na memória da população. Mas que está completamente degradado. Só restou a história.”
O esforço de Novaes será para agradar a população de todas as idades. Uma das novidades do parque será a construção de um anfiteatro para apresentações musicais, como a Concha Acústica da Lagoa do Taquaral. A arena deve ter capacidade para 300 pessoas e será usada como chamariz inicial que a população volte a frequentar a área verde.
Serão feitas pistas de corrida e de caminhada cortando todo o parque para a prática de exercícios. As quadras de cimento e o campo de grama serão recuperados e uma área será reservada para academia da terceira idade.
Para as crianças, o parque terá pedalinhos e playgrounds. Mesas de xadrez e damas completam área de lazer, que ganhará também sanitários novos. As duas capelas serão restauradas, assim como a famosa gruta, que verte a água das diversas nascentes da Fonte Sônia. Para a área de alimentação, estão previstos um café, um restaurante e vários quiosques.
O reflorestamento do parque com mais de 100 mil mudas será feito com pelo menos 60 espécies nativas. Serão jatobás, ipês, paus-ferros, jacarandás e perobas, que serão intercaladas com árvores frutíferas de menor porte, como jabuticabeiras e pitangueiras. A área, apesar de extensa, tem hoje poucas árvores. A cobertura é principalmente de grama verde. “Nossa ideia é fazer um grande bosque, porque há pouca vegetação no local.” O conceito do projeto é de uma “estrada parque”, que cortará toda a propriedade.
O paisagista afirmou que não está certa a presença de animais na área — a decisão deve ser da Prefeitura, que irá administrar o local. Mas a ideia é que as árvores frutíferas atraiam diversas espécies de pássaros. O poder municipal cederá também funcionários para a manutenção do parque, que obterá receita do aluguel das construções para lanchonetes e pequenas lojas. “A ideia é fazer um belo parque para toda a população, com conservação ambiental e sustentabilidade”, completou Novaes.
O kibe cru , é melhor se temperado na hora, senão ele muda de cor.
Faça-o no dia em que for comer, pois em se tratando de carne crua.... é melhor ter mais cuidado.
- 250g de carne moída crua ( patinho ou coxão mole bem limpos) - 150 g de trigo para kibe
Lavar o trigo para kibe e deixá-lo de molho na água por no mínimo 2 horas.
Depois disso , esprema bem o trigo e junte-o à carne moída . Amasse... trabalhe bem essa mistura , e leve à geladeira num recipiente fechado.
Temperos para se comer o kibe , temperados na hora em que for comer :
- cebolas picadas , à vontade - folhas de hortelã, à vontade - sal - pimenta síria - azeite de oliva
Na hora que for servir, os temperos acima devem estar à mesa para que todos possam temperar o seu kibe cru , da maneira que preferirem... Cada um pega a quantidade que deseja de cada tempero e fica uma delícia !!!!
Pesquisadores alemães descobrem que ácido cítrico protege organismo contra o norovírus, transmitido através de mãos e alimentos contaminados. Fruta pode ser eficaz até mesmo após uma infecção, estimam cientistas.
O norovírus, transmitido através de mãos ou alimentos contaminados, é altamente contagioso. Embora a infecção raramente seja fatal, ela sempre causa sintomas dolorosos e desconfortáveis. As dores musculares e nos membros, semelhantes às de uma gripe, vêm acompanhadas de diarreia e náuseas. Especialmente as crianças pequenas sofrem com o vírus.
Até o momento, não havia tratamento para a infecção. "Quando os médicos diagnosticam um norovírus, não há nada que o paciente pudesse fazer, exceto suportá-lo", diz Grant Hansman, virologista no Centro Alemão de Pesquisa para o Câncer (DKFZ) em Heidelberg.
Agora, no entanto, Hansman e seus colegas descobriram que o ácido cítrico, mais precisamente a molécula de citrato, é capaz de proteger as células contra a infecção.
Com uma cristalografia de raios-X, os pesquisadores foram capazes de mostrar que o citrato se liga ao norovírus no ponto exato em que ele costuma entrar em contato com as células saudáveis, para infectá-las. Assim, o citrato forma uma espécie de barreira entre o vírus e as células.
Representação do altamente contagioso norovírus
Um pouco de suco de limão na comida ou nas mãos pode ser suficiente para se proteger, estima Hansman. E ainda que a infecção já estivesse no corpo, limões poderiam ajudar.
Alguns anos atrás, Hansman experimentou a técnica ele mesmo. Após um ataque de norovírus, o virologista bebeu três copos de suco de limão espremido na hora. "Tive a impressão de que os sintomas melhoraram. De qualquer forma, a náusea passou", diz.
Há séculos, o limão desempenha um papel na limpeza de superfícies e na desinfecção de alimentos, mas ninguém sabia os mecanismos moleculares por trás disso. Existem lenços de papel com citrato e, em muitos países, as pessoas higienizam as mãos antes e depois de uma refeição com suco de limão.
Hansman espera que o suco de limão também seja eficaz contra outros vírus gastrointestinais. Com a ajuda de estudos clínicos, ele quer descobrir se o citrato pode ser útil como um medicamento antiviral universal.
Numa sociedade menos envenenada pela mídia privada e com maior consciência crítica, milhares de exemplares das revistas Veja, Época e IstoÉ desta semana seriam jogados em latas de lixo. Com suas capas repulsivas, estas publicações do esgoto simplesmente omitiram o escândalo das contas secretas do lobista Eduardo Cunha na Suíça. Sem vacilar, elas insistiram na tática golpista de "sangrar" Dilma e "matar" Lula, evitando desgastar o presidente da Câmara Federal, que hoje é o principal jagunço da oposição direitista na cruzada falsamente moralista pelo impeachment da presidenta.
As três revistas confirmam a tese de que a mídia "privada" – nos dois sentidos da palavra – se tornou o principal partido da direita no Brasil. Neste esforço, a Veja já cometeu inúmeros atos criminosos, que em qualquer outra nação civilizada resultariam em multas bilionárias e na suspensão da publicidade. A revista da decadente famiglia Civita – que no passado recente elegeu como "mosqueteiro da ética" do ex-senador Demóstenes Torres, o demo que prestava serviços ao mafioso Carlinhos Cachoeira – hoje faz de tudo para proteger Eduardo Cunha. Ele é encarado como peça decisiva na marcha golpista contra o governo reeleito democraticamente em outubro passado.
Já a revista Época, da bilionária famiglia Marinho, está virando uma Veja de segunda categoria. Teve muita gente, inclusive no Palácio do Planalto, que acreditou na conversa fiada de que o Grupo Globo recuaria no seu tom oposicionista. A promessa foi feita na véspera da última marcha organizada pelos grupelhos fascistas em agosto. A famiglia Marinho, com o seu DNA golpista, temia a radicalização política e seus efeitos na economia - inclusive no faturamento publicitário. Mas ela nunca abandonou o seu ódio ao "lulopetismo". Nas emissoras de rádio e tevê do império global, o tiroteio segue pesado, porém cauteloso. Já no jornal O Globo e na revista Época, o golpismo é mais descarado.
Quanto à IstoÉ, não vale gastar muito tempo. Nos meios jornalísticos, ela é ironicamente chamada de "QuantoÉ", em função das práticas mercenárias dos seus proprietários. Nas eleições do ano passado, a revista – inclusive com suas pesquisas fajutas – virou um panfleto rastaquera do cambaleante Aécio Neves – sabe-se lá a que preço. Num país com regras mais democráticas sobre a mídia, os donos desta publicação possivelmente seriam chamados para depor numa Delegacia de Polícia.
Lula e Dilma alimentaram cobras
O que mais revolta ao ver as capas espalhafatosas de Veja, Época e IstoÉ espalhadas em mais de 40 mil bancas no país é chegar a conclusão de que os governos Lula e Dilma são os grandes culpados por alimentar estas cobras venenosas – com todo o respeito a estes répteis. Nos últimos anos, milhões de reais foram retirados dos cofres públicos para financiar estas revistas do esgoto. De 2003 a 2013, por exemplo, a Veja garfou quase R$ 300 milhões em publicidade oficial; já a Época recebeu cerca de R$ 120 milhões; e a insignificante IstoÉ abocanhou R$ 100 milhões. É muito sadomasoquismo dos governos petistas. No seu ilusório republicanismo, ele paga para apanhar!
O jornalista e escritor Fernando Morais explicitou bem esta revolta numa mensagem em sua página no Facebook neste sábado (3): "O presidente da Câmara dos Deputados é acusado pelo governo da Suíça de manter várias contas secretas no país, para lavagem de dinheiro – fato que ele havia negado diante de uma CPI. E o que é o assunto de capa das três maiores revistas nacionais? O ex-presidente Lula. É a merecida paga que o PT recebe por ter, durante doze anos, chocado o ovo dessa serpente com verbas publicitárias do estado". Não precisa falar mais nada diante de mais este episódio trágico do "jornalismo brasileiro".
*****
Em tempo: Como nada foi feito nestes últimos doze anos para garantir uma mídia mais democrática e plural, só tem restado ao ex-presidente Lula rechaçar as mentiras diárias disparadas contra ele pela imprensa privada. Neste sábado, o Instituto Lula informou que interpelará judicialmente os jornalistas da Veja e da Época. Menos mau. Mas é pouco. Confira abaixo o comunicado oficial:
*****
Os advogados do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva apresentaram pedidos de interpelação judicial para que jornalistas das revistas Época e Veja reafirmem ou não informações mentirosas publicadas em seus meios de comunicação.
Ao longo deste ano, Lula tem sido alvo de uma campanha de difamação que tem como objetivo manchar sua biografia e distorcer a percepção de sua gestão à frente da Presidência da República, que teve ampla avaliação positiva. Respeitando a liberdade de imprensa, o ex-presidente exerce seu direito de ir à Justiça questionar informações equivocadas veiculadas pela imprensa.
Os advogados do ex-presidente Lula apresentaram ações de interpelação judicial contra os jornalistas Filipe Coutinho, da revista Época, Rodrigo Rangel e Hugo César Marques, editor e repórter da revista Veja, para que eles esclareçam textos que relacionam, de forma mentirosa, Lula às investigações da Operação Lava Jato.
E também pela reportagem “Nosso Homem em Havana”, de Thiago Bronzatto, publicada na revista Época em agosto, que acusa o ex-presidente de tráfico de influência em sues encontros com presidentes de outros países.
Após o fim do seu mandato, Lula se encontrou com mais de 45 chefes de estado (entre presidentes e primeiros-ministros). A lista desses encontros está disponível no relatório do Instituto Lula (http://www.institutolula.org/relatorios/institutolula2015.pdf ). O texto de Época afirma que “sempre” teria havido tráfico de influência em tais encontros, o que jamais aconteceu.
Vamos esquecer por alguns instantes a degradante desigualdade social que envergonha o Brasil perante as outras nações e é um dos fatores determinantes para impedir o país de chegar ao Primeiro Mundo. Vamos ficar apenas nas atitudes corriqueiras do povo, ações aparentemente sem consequências, que mostram o quanto somos subdesenvolvidos, por mais que muitos tenham frequentado escolas caras, viajado ao exterior - até Miami e a Disney entram nessa conta -, mantido contato com culturas diferentes, façam questão de se manter informados e coisa e tal. É só dar uma voltinha pela cidade - qualquer cidade -, de carro, de ônibus, de metrô, ou a pé, para ver o quanto o brasileiro médio é deseducado, egoísta, incapaz de expressar as mais elementares noções de civilidade ou de cidadania. Poucos motoristas, por exemplo, respeitam as faixas de pedestres, os semáforos vermelhos, as vagas para idosos e deficientes. Poucos se importam em trafegar na velocidade permitida ou em respeitar as mais comezinhas regras do trânsito. O chão das praças e dos parques estão invariavelmente cheios de porcarias que as pessoas nele jogam. Os banheiros públicos são como pocilgas. O jovem que dá seu lugar, no transporte coletivo, a algum idoso, é uma exceção - raríssima. No âmbito das relações pessoas, quantos amigos, colegas de trabalho ou parentes não se orgulham de fraudar o Imposto de Renda? E quantos comerciantes fazem de conta que a nota fiscal não existe? A internet, com as redes sociais, tem se mostrado eficiente instrumento para medir o grau de incivilidade do brasileiro médio. Os comentários postados abusam dos palavrões mais grosseiros, passam pelo racismo explícito e desembarcam no ódio mais profundo contra minorias, ideologias, cor da pele, condição social, origem geográfica - é como se reunisse num só lugar toda a maldade humana. A imprensa e os meios de comunicação, poderosas arma para educação em massa, seguem a lógica do capitalismo mais primitivo, de lucrar a qualquer custo. Pior, se tornaram panfletos partidários da oligarquia que não aceita o trabalhismo - na verdade, a social-democracia - à frente do Poder Executivo. O Judiciário é ineficiente, a serviço dos plutocratas, distante da realidade social, preocupado apenas em manter o status quo. O Legislativo ... bem, resumindo, é um balcão de negócios - negócios muito lucrativos. O cenário é desolador. Talvez, se as medidas de inclusão social continuarem, se forem investidos bilhões para melhorar a educação pública, se os meios de comunicação ganharem um marco regulador - se tantas coisas necessárias forem feitas -, em algumas décadas o Brasil poderia deixar de ser apenas uma potência econômica para se tornar uma nação também desenvolvida socialmente, uma democracia madura, que respeitasse as leis - ao menos isso. Como, porém, nada se pode prever neste momento em que forças poderosas puxam o país de volta ao passado, só nos resta a esperança.