Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

quinta-feira, 5 de novembro de 2015

Fonte Sônia

Um megaprojeto transformará a antiga Fonte Sônia, área de lazer privada desativada há um ano em Valinhos, em um parque urbano municipal duas vezes maior do que a Lagoa do Taquaral, de Campinas.
A recuperação faz parte das contrapartidas de um empreendimento imobiliário que será construído próximo à Fonte.
O plano é reflorestar o espaço de 2,5 milhões de metros quadrados com pelo menos 100 mil mudas, recuperar os casarões da propriedade, as duas capelas e o Cristo, um dos símbolos da área verde. Será criada ainda uma grande pista de caminhada e pontos com equipamentos de ginástica para a população se exercitar.
Foto: Dominique Torquato/ AAN
Um dos casarões da fazenda na Fonte Sônia e que deve ser recuperado: Cetesb ainda estuda projeto, que também depende de mudança de zoneamento para instalação de condomínio
Um dos casarões da fazenda na Fonte Sônia e que deve ser recuperado: Cetesb ainda estuda projeto, que também depende de mudança de zoneamento para instalação de condomínio
A administração do parque será da própria Prefeitura e a receita para manutenção do espaço virá de aluguéis dos prédios para estabelecimentos comerciais. O projeto da empresa Leste Real Estate, responsável pelo condomínio horizontal, prevê também a criação de um viveiro de mudas, monitoramento da qualidade das águas superficiais, gerenciamento de resíduos sólidos e implantação de projetos de educação ambiental.
Um dos pontos turísticos mais famosos da história de Valinhos, a Fonte Sônia ainda está na memória dos moradores com mais de 30 anos na cidade. A propriedade privada, com hotel, restaurante e casa de doces, era destino de valinhenses e de turistas de diversas cidades da região.
Construções na Fonte Sônia alternam diferentes estilos arquitetônicos, como demonstram os prédios do grande hotel
A entrada na área verde era paga, e pessoas vinham de caravanas em ônibus para passar o dia no local. Muitos se banhavam nas águas da fonte como tratamento de doenças como o reumatismo.
Atualmente, o cenário é outro. Fechada desde o fim de 2014, a propriedade tem os casarões do hotel e do restaurante deteriorados. A construção antiga onde funcionários produziam cachaça e doces caseiros também está desativada.
O diretor da Leste Real, Otair Guimarães, afirmou que era vontade do prefeito Clayton Machado (PSDB) de que a Fonte fosse patrimônio da cidade. “Eu mesmo ia muito no Fonte quando pequeno e entregar o local recuperado será um presente para a cidade”, disse Guimarães. A empresa adquiriu a área há alguns meses.
O diretor disse que a estrutura montada será similar à da Lagoa do Taquaral. Todo o projeto passa por uma auditoria ambiental, contratada pela própria Leste Real, para que as intervenções estejam alinhadas com a legislação ambiental e com a necessidade da área.
Depois de conseguir todas a licenças ambientais, a previsão é que seja montada uma enorme força-tarefa para a recuperação do parque, e que a obra seja entregue em um ano. A primeira fase do condomínio, com lotes de 500 metros quadrados, também ocorre após a aprovação. O empreendimento imobiliário Quinta das Águas ficará em uma área de 700 mil metros quadrados, anexa ao parque.
Construções na Fonte Sônia alternam diferentes estilos arquitetônicos
O projeto todo está em análise pela Companhia de Saneamento Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) e deve passar ainda por mais uma audiência pública. A construção do parque começa quando a empresa responsável pelo investimento conseguir a licença prévia.
Para que o condomínio residencial horizontal seja aprovado, é necessária também a mudança de zoneamento da região, que passará por votação na Câmara.
Adutora
Além do parque, a empresa entregará também uma nova adutora de captação de água do Rio Atibaia para a cidade. Valinhos é uma das cidades da Região Metropolitana de Campinas (RMC) que mais sofre com a crise hídrica.
A população enfrenta sistema de rodízio em época de seca e a necessidade de aumentar a disponibilidade de água no município é histórica. “A questão da adutora está bem adiantada. A contrapartida é suficiente para suprir Valinhos com água por pelo menos mais 30 anos”, explicou Guimarães.
Nome é homenagem à neta mais jovem do fazendeiro 
A Fonte Sônia foi implantada em meio à fazenda de café do campineiro Orosimbo Maia, a Fazenda Cachoeira.
O hotel foi inaugurado em 12 de julho de 1921 e o nome é uma homenagem à mais jovem de suas netas. Na época, as águas da fazenda foram analisadas e foram constatadas propriedades benéficas para pessoas com doenças nos rins e na bexiga.
A água era extremamente diurética, mais forte que a de Lindoia. Em pouco tempo, o hotel virou ponto de visitação e destino de doentes para se tratarem. Com a crise de 1929, Orosimbo Maia se associou com o comerciante português Aldino Bártolo, que ampliou a propriedade.
Com faro apurado para negócios, Bártolo conseguiu elevar a Fonte do status de estação para tratamento de bexigueira, a um dos hotéis mais tradicionais e conhecidos da região. No final de 2014, a Fonte fechou de vez para visitação.
Construções na Fonte Sônia alternam diferentes estilos arquitetônicos
Obras serão associadas a plano ambiental
A transformação da Fonte Sônia em um parque municipal será associada a outros projetos ambientais, como a criação de um Plano Municipal da Mata Atlântica, como ocorreu em Campinas.
O plano deve fazer parte da série de contrapartidas da empresa Real State para a construção do condomínio. O prefeito de Valinhos, Clayton Machado (PSDB), afirmou que a contrapartida é importante e que o empreendimento será o primeiro da cidade a ter o estudo prévio de impacto ambiental (EIA) e o relatório de impacto ambiental (Rima). “Nossa ideia é que pelo menos metade dos 2,5 milhões de metros quadrados da área seja de uso público.”
O auditor ambiental do projeto e presidente do Conselho Municipal de Meio Ambiente de Campinas (Comdema), Carlos Alexandre Silva, explicou que o plano seria elaborado pela organização SOS Mata Atlântica, com uma metodologia aprovada pela Cetesb.
A ideia é conseguir a aprovação do plano antes da formatação do novo Plano Diretor da Cidade, para que as unidades de preservação e áreas de preservação permanente (APPs) sejam asseguradas no zoneamento de Valinhos. O plano, segundo ele, seria mais um instrumento para enriquecer e recuperar as áreas verdes da cidade.
Silva explicou que as contrapartidas oferecidas pela empresa vão além das ações de compensação ambiental e mitigação dos efeitos da construção, obrigatórias em qualquer empreendimento imobiliário. “As compensações ambientais oferecidas aqui têm o objetivo de atender demandas antigas da cidade. O equipamento de abastecimento de água e o parque oferecidos são ações muito positivas para Valinhos.”
Os compradores dos lotes do condomínio Quinta das Águas serão orientados também a fazerem construções ecológicas, e deverão seguir uma cartilha ambiental disponibilizada pela Leste Real. 
Construções na Fonte Sônia alternam diferentes estilos arquitetônicos
Todos os itens serão revitalizados
O projeto paisagístico do parque da Fonte Sônia preservará todos os elementos da área que ainda povoam as lembranças de quem costumava a frequentar o local. O grande casarão amarelo do hotel será recuperado, assim como a casa do restaurante. Os lagos serão preservados e limpos e o Cristo no alto de uma colina do parque, será reformado. Hoje a estátua está sem um dos braços.
O responsável pelo projeto paisagístico, Marcelo Novaes, acredita que esse é um dos trabalhos mais desafiadores de sua carreira. “É um lugar muito tradicional, que era uma propriedade privada, mas ainda está muito vivo na memória da população. Mas que está completamente degradado. Só restou a história.”
O esforço de Novaes será para agradar a população de todas as idades. Uma das novidades do parque será a construção de um anfiteatro para apresentações musicais, como a Concha Acústica da Lagoa do Taquaral. A arena deve ter capacidade para 300 pessoas e será usada como chamariz inicial que a população volte a frequentar a área verde.
Serão feitas pistas de corrida e de caminhada cortando todo o parque para a prática de exercícios. As quadras de cimento e o campo de grama serão recuperados e uma área será reservada para academia da terceira idade.
Para as crianças, o parque terá pedalinhos e playgrounds. Mesas de xadrez e damas completam área de lazer, que ganhará também sanitários novos. As duas capelas serão restauradas, assim como a famosa gruta, que verte a água das diversas nascentes da Fonte Sônia. Para a área de alimentação, estão previstos um café, um restaurante e vários quiosques.
O reflorestamento do parque com mais de 100 mil mudas será feito com pelo menos 60 espécies nativas. Serão jatobás, ipês, paus-ferros, jacarandás e perobas, que serão intercaladas com árvores frutíferas de menor porte, como jabuticabeiras e pitangueiras. A área, apesar de extensa, tem hoje poucas árvores. A cobertura é principalmente de grama verde. “Nossa ideia é fazer um grande bosque, porque há pouca vegetação no local.” O conceito do projeto é de uma “estrada parque”, que cortará toda a propriedade.
O paisagista afirmou que não está certa a presença de animais na área — a decisão deve ser da Prefeitura, que irá administrar o local. Mas a ideia é que as árvores frutíferas atraiam diversas espécies de pássaros. O poder municipal cederá também funcionários para a manutenção do parque, que obterá receita do aluguel das construções para lanchonetes e pequenas lojas. “A ideia é fazer um belo parque para toda a população, com conservação ambiental e sustentabilidade”, completou Novaes. 
http://correio.rac.com.br/_conteudo/2015/11/campinas_e_rmc/398427-megaprojeto-transforma-a-fonte-sonia-em-parque-publico.html

Nenhum comentário:

Postar um comentário