Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Michel Temer Guaixará tosó tatape!

por Fábio de Oliveira Ribeiro
Aqui mesmo no GGN afirmei que Michel Temer é um duplo de Calígula. O escândalo da Shell me obrigou a desdizer minha teoria.
Michel Temer ganhou a confiança do PT afirmando que estava comprometido com o programa de governo petista, traiu o governo e adotou as propostas neoliberais rejeitadas nas urnas. Quando era vice-presidente ele nunca se empenhou o suficiente para apoiar as ações governamentais de Dilma Rousseff. Após derrubar a presidenta eleita pelos brasileiros, Temer tentou se apropriar de obras que foram realizadas por ela.
O usurpador tem medo do povo e já foi fotografado demonstrando pavor da população. Mesmo sem ter necessidade financeira, ele extinguiu as farmácias populares e mandou interromper o programa de construção de cisternas (dois programas de grande alcance humanitário). Temer recebeu um cheque de propina em seu próprio nome e nomeou Ministros envolvidos em corrupção. Logo que assumiu a presidência, ele estancou a sangria destruindo a Controladoria Geral da União (órgão público que monitorava a execução de obras públicas e fornecia ao MPF provas de indícios de corrupção).
A ausência de caráter de Michel Temer está estampada nas suas ações. Ele é traidor, preguiçoso, pusilânime, covarde, malvado, desonesto e antiético. Atingido na Inglaterra pelo escândalo da Shell, Michel Temer faz de conta que nada ocorreu. Em nenhum momento o usurpador sinalizou que vai renunciar. A mim parece evidente que falta ao usurpador honra suficiente para se suicidar. 
Temer não pode ser comparado a Calígula. Apesar de insano, Calígula foi o primeiro Imperador romano suficientemente ousado para apresentar-se diante do povo como um deus. Em razão de sua falta de caráter, Michel Temer se prece mais com um típico Macunaíma (uma mistura bem brasileira do Orc europeu com o pérfido Guaixará tupi).
Nesse sentido, não bastará o povo brasileiro derrubar Michel Temer e seu regime infame. Após a queda do usurpador o Brasil terá que exorcizá-lo à moda do Auto de São Lourenço, obra prima de José de Anchieta. Temer tem que sair da vida pública e da nossa história, mas depois que morrer ele não deve nem mesmo ganhar uma sepultura no território brasileiro. 
https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/michel-temer-guaixara-toso-tatape-por-fabio-de-oliveira-ribeiro

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O poder do Amor

Quando a guerra acabou, George entrou com seu regimento na Alemanha. Ele integrava um grupo designado para um campo de concentração perto de Wuppertal.

Foi a experiência mais chocante da sua vida. Ele estava encarregado de prestar socorro médico àqueles recém-libertos.

Caminhar no meio daquelas cabanas onde milhares de homens haviam morrido, ao longo dos anos, era um horror.

Pior era constatar os efeitos da inanição progressiva que, a cada dia, apesar da medicação e da alimentação, levava grande número deles para a morte.

Foi ali que George conheceu Bill Cody. Assim o chamavam porque tinham dificuldade em pronunciar seu nome polonês.

O que chamava atenção nele era que, apesar dos seis anos de dieta, de fome e de viver naquelas cabanas insalubres, sem ar, ele não aparentava a menor deterioração física ou mental.

Era espantoso, ainda, verificar como todos os grupos do acampamento o consideravam um amigo.

Isso era raro, levando-se em conta que aquele aglomerado de prisioneiros de todas as nacionalidades se odiavam mutuamente, quase na mesma proporção que odiavam aqueles que os haviam aprisionado.

Falando fluentemente o inglês, francês, alemão e russo, tão bem quanto o polonês, ele se tornou uma espécie de tradutor para as tropas de ocupação.

A sua compaixão pelos companheiros de prisão brilhava em seu rosto.

Qual seria o seu segredo? - Perguntava-se George.

Certo dia, em que se sentou ao seu lado, tomando um caneco de chá, Bill contou a sua história.

Morávamos no bairro judeu, em Varsóvia: minha esposa, nossas duas filhas e três garotos.

Quando os alemães chegaram à nossa rua, alinharam todos contra o muro e abriram fogo com as metralhadoras.

Supliquei para morrer com minha família. No entanto, porque eu falasse alemão, eles me colocaram num grupo de trabalho.

Ele fez uma pausa. A voz ficou embargada, enquanto olhava à distância, como se estivesse revendo a esposa e os cinco filhos.

Depois continuou: Naquele momento, eu precisei decidir se odiaria os soldados que tinham feito aquilo.

Não era uma decisão fácil. Eu era advogado. Minha prática, mais de uma vez, me havia mostrado o que o ódio podia fazer às pessoas.

Aliás, fora o ódio que acabara de matar as seis pessoas mais importantes do mundo para mim.

Então, eu decidi, fosse qual fosse o tempo que me sobrasse de vida, eu iria empregá-lo no amor a toda a criatura que viesse a entrar em contato comigo.

*   *   *

Amar a todo ser... Era esse o poder responsável pelo bem de um homem, apesar de toda a privação vivida. Apesar de toda a dor e saudade que lhe machucavam a alma.

E ali estava ele, liberto agora, trabalhando ainda pelos outros. Eram quinze a dezesseis horas por dia, tentando resolver todo tipo de problemas.

Preocupava-se em buscar documentação, registros, a fim de relocalizar pessoas cujas famílias e até mesmo cidades poderiam ter desaparecido.

O poder do amor o mantivera saudável durante seis anos de privações.

O amor continuava a lhe reger todos os atos. Sua família, agora, eram aqueles homens, mulheres e crianças que recebiam a liberdade, e precisavam reconstruir as suas vidas.

O poder do amor...

Redação do Momento Espírita, com base no  cap. 13,
do livro 
Voltar do amanhã, de George G. Ritchie
e Elisabeth Sherril, ed. Nórdica.
Em 4.11.2017.

Fonte: Momento Espírita

domingo, 29 de outubro de 2017

Afinal, qual é “A cara da Morte?”

por Claudio Santana Pimentel


Afinal, qual é “A cara da Morte?”: leitura de um estudo sobre o imaginário de sepultadores em São Paulo
por Claudio Santana Pimentel
Aproxima-se o Dia de Finados, originalmente, tempo de reflexão sobre o limiar entre a vida e a morte; para nós, pretensamente laicos, apenas mais um feriado, a nos aliviar do peso dos compromissos cotidianos. Na verdade, apenas a adiá-los. Talvez a reflexão seja mais ainda necessária, sobretudo em tempos onde tudo parece desmoronar, certezas parecem inexistir. A única certeza a persistir, entretanto, parece ser justamente a certeza da Morte.
Retomo a leitura de A Cara da Morte: os sepultadores, o imaginário fúnebre e o universo onírico, resultado da pesquisa de Mestrado de Clarissa de Franco no Programa de Ciência da Religião da PUC-SP. Clarissa doutorou-se no mesmo Programa com instigante tese sobre o ateísmo contemporâneo, que espero ver publicada em futuro próximo. Atualmente, tem se dedicado a temas como a laicidade e o feminismo islâmico, revelando-se uma pesquisadora competente, sensível e respeitosa com os participantes de seus estudos.
Em sua primeira obra relevante, Clarissa, psicóloga por formação e ofício, investigou as representações de sepultadores em cinco cemitérios na cidade de São Paulo. Diante de um universo tão amplo quanto o que a humanidade pensa sobre a morte, escolheu um caminho original e criativo, que se revela mais importante ainda ao trazer, para primeiro plano, a visão daqueles que, estando presentes aos últimos momentos de tantos, trabalhando, são invisibilizados, como em geral o são os trabalhadores que cumprem as funções mais humildes. Aspecto que não escapou à autora.
Vale a pena retomar sua hipótese inicial: “o fato de os sepultadores trabalharem diretamente com a questão da morte do outro faz com que tenham uma atitude religiosa e ideológica peculiar frente à morte. Supunha-se inicialmente que eles vivenciassem em seu íntimo uma exacerbação dos sentimentos, medos e angústias em relação à morte, o que não necessariamente corresponderia à sua atitude exterior. E o campo do imaginário seria o espaço em que acreditávamos poder perceber essas divergências de discursos e percepções” (p. 8).
Dividida em quatro capítulos, a obra se inicia com um estudo sobre o imaginário de morte na antiguidade, privilegiando a dimensão simbólica, partindo de um referencial teórico de base junguiana, dialogando com a Antropologia e a História, o que lhe permitiu perceber modulações, diferenças, transformações e rupturas nos símbolos elaborados para lidar com a morte. Sobretudo, interessa-lhe as narrativas construídas sobre a morte, no Egito antigo, na Grécia e em Roma, e entender como estas contribuíram para uma concepção da relação vida-morte: “pode-se dizer que existe uma ênfase no processo pós-morte, nos ambientes para onde a alma se destina, no processo de preparação para a outra vida” (p. 75).
No segundo capítulo, enfrenta o imaginário cristão medieval sobre a morte, fundamental para se compreender as concepções ocidentais sobre o tema. A ideia do julgamento, que não se refere somente ao Juízo Final, mas abre-se para o julgamento individual de cada um. Concepção que se desenvolveu lentamente, e que, pode-se dizer, é fundamental para compreender as origens da moderna noção de individualidade e de liberdade. Enfrenta o tema do medo, dos horrores do inferno e do temor de um Deus punitivo, e como isto deu origem a uma pedagogia da morte, uma arte do morrer, que consistia numa aprendizagem sobre como se deve viver e morrer. Se a individualidade está sendo gerada e estruturada no Medievo, ainda há uma forte demanda social e coletiva sobre pensamentos e ações, que se manifesta no esforço da Igreja ocidental para adaptar as concepções populares sobre o além-vida às suas próprias. Chegando à modernidade europeia, destaca o impacto da secularização e da morte vista cada vez mais como questão individual.
O terceiro capítulo enfrenta a transposição do imaginário popular tardo-medieval ibérico para o Brasil, influenciado pelas concepções indígenas e africanas. O escravizado africano morria duas vezes, considerando-se a travessia do Atlântico uma primeira morte. Devido à importância dos antepassados para sua concepção de mundo, a imposição do cristianismo foi também nesse aspecto uma violência terrível, retirando-lhe a possibilidade de cultuá-los, ao menos publicamente. Teve o escravizado africano que adaptar-se às possibilidades que a sociedade colonial oferecia. A afetividade com os santos, característica da religiosidade brasileira popular, talvez fosse incompreensível se desvinculada da concepção africana de ancestralidade. A dimensão de afeto não pode ser reduzida à relação hierárquica medieval de senhor-vassalo. Por sua vez, a ritualística mortuária indígena permitia reorganizar aquela sociedade diante da perda sofrida. A morte no Brasil colonial e imperial fazia parte da vida, do cotidiano, como percebe a autora ao discutir a presença e a intervenção dos mortos no mundo dos vivos, recurso constante em narrativas populares e na literatura de folhetos, ou cordel. Poderia ter explorado o fato que mesmo um autor brasileiro contemporâneo erudito, como Érico Veríssimo, trouxe os mortos para o convívio dos vivos, em seu Incidente em Antares, onde mortos insepultos voltam para acertas as pendências da vida. Encerra o capítulo apresentando os cemitérios paulistanos em que realizou a pesquisa de campo.
O capítulo final coloca o leitor diante do imaginário dos sepultadores, a partir de seus relatos. Percebe-se a relação ambígua com o tema da morte, presença diária em seu ofício, mas ao mesmo tempo evitado no discurso. “Quando a gente sai do cemitério, a gente não pode ficar pensando em morte, se não, não vivemos” (p. 174). O desconforto é percebido pela pesquisadora diante das indagações que lhes faz. A autocompreensão e a explicitação dos preconceitos que sofrem por sua profissão também aparecem em suas falas. O estudo de Clarissa ofereceu a essas pessoas a rara oportunidade de reivindicarem sua humanidade, diante de uma sociedade que não os reconhece e, quando o faz, parece não se importar. Ao indagar por suas convicções religiosas, apreendia-se o predomínio de uma visão cristã, ainda característica do Brasil urbano contemporâneo, com opções entre o catolicismo, o pentecostalismo e a indefinição religiosa ou a declaração de não pertencimento religioso. Mesmo esses, no entanto, apresentavam em suas concepções traços da religiosidade cristã. Por outro lado, católicos ou pentecostais, organizavam suas convicções religiosas a partir de sua experiência pessoal, comportamento tipicamente moderno. Especialmente importante para a compreensão dessas concepções são os relatos de sonhos e de suas sensações: “a dificuldade de abordar o tema da morte mostra a sua contrapartida inconsciente e simbólica: seus sonhos trabalham para representar essa morte sem cara, silenciosa, da qual não se pode falar. Seus medos e angústias vestem a roupa onírica e falam, no único espaço que possuem para se manifestar” (p. 230). Questão que a autora coloca ao final, sem rodeios, como é sua característica: ao desumanizar o sepultador, reduzindo-o ao seu ofício e negando-se a vê-los como pessoas, a sociedade transfere para estes o lidar com a morte. Não somente o sepultar, mas livra-se também do ônus que o pensar a morte exige de nós. Numa relação moderna, capitalista, é como se, ao remunerarmos alguém para trabalhar com a morte, transferíssemos todos os encargos, não somente os físicos, mas sobretudo os simbólicos, que no caso são muitos e muitíssimos pesados, nos isentando, nessa troca, de qualquer responsabilidade.
Clarissa deixa-nos diante do rosto, ainda que encoberto, da cara da morte. Cara que pretendemos a todo custo evitar. Face que, modernos e laicos que pretendemos ser, desaprendemos como lidar. Se o enfrentamento da morte foi, como sugere Clarissa em seu livro, fundamental para o desenvolvimento simbólico da humanidade, reencarar a morte parece condição necessária se quisermos nos reumanizarmos.
FRANCO, Clarissa de. A cara da morte: os sepultadores, o imaginário fúnebre e o universo onírico. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2010.

sábado, 28 de outubro de 2017

HITLER PODE TER SE ESCONDIDO NA COLÔMBIA APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Uma fotografia de 1954 poderia dar credibilidade às teorias de que o líder nazista Adolf Hitler simulou o seu suicídio e fugiu para a América Latina, onde ele teria escondido sua identidade real sob o nome de Adolf Schrittelmayor; no meio da grande desclassificação dos documentos da CIA e do FBI relacionados ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, o interesse em outras figuras históricas, figuras de documentos previamente desclassificados pelas agências de inteligência dos EUA, foi alimentado; assim, a atenção de vários meios de comunicação se concentrou em um arquivo da CIA que parece confirmar as teorias que Adolf Hitler fugiu para a América Latina após a Segunda Guerra Mundial.
Uma fotografia de 1954 poderia dar credibilidade às teorias de que o líder nazista Adolf Hitler simulou o seu suicídio e fugiu para a América Latina, onde ele teria escondido sua identidade real sob o nome de Adolf Schrittelmayor; no meio da grande desclassificação dos documentos da CIA e do FBI relacionados ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, o interesse em outras figuras históricas, figuras de documentos previamente desclassificados pelas agências de inteligência dos EUA, foi alimentado; assim, a atenção de vários meios de comunicação se concentrou em um arquivo da CIA que parece confirmar as teorias que Adolf Hitler fugiu para a América Latina após a Segunda Guerra Mundial

https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/324740/Hitler-pode-ter-se-escondido-na-Col%C3%B4mbia-ap%C3%B3s-a-Segunda-Guerra-Mundial.htm

sábado, 7 de outubro de 2017

Em meio ao deserto, eis que surge Haddad e a esperança de que o Brasil tem jeito

Em meio ao deserto, eis que surge Haddad e a esperança de que o Brasil tem jeito

por Walter Santos, publisher da Revista NORDESTE e do Portal WSCOM
Quem esteve em João Pessoa durante a semana finda em uma série de Palestras com setores intelectuais da cidade discutindo a ocupação ordenada da Urbe, formas de uso da Política na direção do bem coletivo e os efeitos do desmonte das Políticas Culturais é o pós Doutor Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, demonstrando estar preparado para, se for preciso, mostrar que o Brasil tem jeito de se resolver. Fez o que andara fazendo dias atrás em Recife, ou seja, ampliando seu network.
Haddad se impõe na cena por ele próprio, embora seu futuro passe por diversos outros fatores, entre os quais a conjuntura jurídico - política em torno de Lula, que se não for apeado como o Juiz Sérgio Moro sinaliza, é o ex-prefeito paulista quem reúne as condições básicas de uma cara nova, estilo diferenciado e domínio tático do uso proativo da política na direção, repito, do bem coletivo.
Sem tirar nem por, ele expõe com clareza princípios e formas de ação à base conceitual do filósofo alemão Max Weber, segundo o qual, a solução está na Política - diria mais com P maiúsculo.
Além do conceito, a práticaNo Teatro de Arena, em João Pessoa, Haddad se expôs por inteiro com domínio sereno e seguro sobre o fazer político a partir de atitudes próprias, diferenciadas e apropriadas ao novo tempo, como ele exerce ao, por exemplo, optar por não ter veículo particular e fazer uso diário das opções públicas, como Uber, ônibus, metrôs, etc.
É que em torno dele e de sua vida está o conceito de Ser social com base em nova postura contemporânea na qual é possível adotar Políticas de solução para o Bem coletivo à base de decisões difíceis, mas sensatas, de não apego ao Poder sabendo fazer uso dele em benefício da coletividade e não do interesse particular ou de fazer da Política um balcão de negócios.
Como ele encarou a derrota
O ex-prefeito tem noção exata do tsunami que o afetou em cheio em 2016 na avalanche de preconceitos contra o PT, diante da onda de ódio às políticas de inclusão sob argumento da falsa moral contra a corrupção, mas nem por isso deixa de entender o revezamento político como elemento importante para a Democracia.
Para ele, em algum tempo seria fundamental o PT entender que algum tempo haveria de deixar o Poder, pois faz parte do processo político, daí sua crítica dura a Temer e Aécio que não souberam esperar e alcançar o Poder por meios lícitos preferindo construir o Golpe.
Haddad sabia tanto dos efeitos e da iminente derrota que, mesmo assim, não parou de experimentar com Políticas ousadas em São Paulo, sobretudo na mobilidade urbana com resultados fantásticos, mas duramente atacados à época pela elite e taxistas paulistas.
Formas de mudar para melhor
Pela primeira vez, depois de décadas, Haddad ousou encarar e modificar o Plano Diretor de São Paulo servindo-se de novos conceitos sobre a Urbe, seus principais interessados - a população, e as Políticas Públicas direcionadas ao futuro da cidade à base de mudanças sólidas priorizando o Coletivo no uso dos bens e das próprias políticas.
Exemplo clássico: na Mobilidade Urbana, grave problema das urbes e em especial de São Paulo, Haddad simples fez uso do que está no Código nacional, no qual se prioriza primeiro o Pedestre, o Ciclista, o Transporte Público para, em último plano, estar o Veículo de uso particular.
Isto chama-se novo ordenamento e conceito cultural de Políticas Públicas com base em decisão Política difícil, mas corajosa e indispensável para o bem coletivo de São Paulo, e não só dos ricos dos Jardins.
Haddad assanhou a elite e os taxistas ao adotar limite de velocidade, faixas exclusivas e acatar o Uber como alternativa de transporte, pagou o preço da ousadia, mas os dados estatísticos provam com a redução dos acidentes e melhor agilidade do trânsito que ele estava certo.
Progressista além do PT
Embora seja Político com desapego ao Poder pelo Poder, Fernando Haddad se insere no contexto nacional como o melhor quadro além de Lula, sem dúvidas o mais preparados dos presidentes e líderes políticos.
Mas Haddad vai além do PT e seus avanços e vacilos porque sua postura amplia o leque e diálogo com os diversos segmentos sociais porque sua escala de valores não se fixa nem se pontua ao campo restrito do sindicalismo, mesmo importante, porque a sociedade é muito maior e ele tem base de convivência e negociação claras.
Trocando em miúdos, quando o Brasil conhecer Fernando Haddad do Oiapoque ao Chuí então a partir desse instante certamente seu nome será lembrado e ungido como pronto e preparado para presidir o Pais por mérito e domínio da Política na direção do bem Coletivo.
https://www.brasil247.com/pt/colunistas/geral/321262/Em-meio-ao-deserto-eis-que-surge-Haddad-e-a-esperan%C3%A7a-de-que-o-Brasil-tem-jeito.htm

domingo, 18 de junho de 2017

A história da maconha, a droga mais polêmica do mundo

Conheça a origem, a evolução, o que a marginalizou e proibiu, o significado de 4:20 e muito mais
Escrevendo sobre a pesquisa que diz que quem ouve música alta tem mais chances de fumar maconha, acabei lendo coisas sobre a história da Cannabis sativa, e acabei me inspirando para escrever este conteúdo. Esta pesquisa não tem intenção de fazer apologia ao uso de drogas, mas de uma análise historiográfica em torno da origem da maconha no Brasil e no mundo.

A História

Maconha, a droga mais polêmica do mundo possuí seu primeiro registro em 27.000 a.C. A planta tem origem no Afeganistão e era também utilizada na Índia em rituais religiosos ou como medicamento. Na mitologia, a Cannabis era a comida preferida do deus Shiva, portanto, tomar bhang, uma bebida que contém maconha, seria uma forma de se aproximar da divindade. Na tradição Mahayana do budismo, fala-se que antes de Buda alcançar a iluminação, ficou seis dias comendo apenas uma semente de maconha por dia e nada mais. Como medicamento a planta era usada para curar prisão de ventre, cólicas menstruais, malária, reumatismos e até dores de ouvido. 

Há quem negue a história do Buda, mas há quem afirme.
Romanos e gregos usavam-na para a fabricação de tecidos, papéis, cordas, palitos e óleo. Heródoto, o pai da História, menciona a utilização do cânhamo (presente no caule da maconha), para fazer cordas e velas de navios. Inclusive, é bom mencionar o quão presente esta planta esteve na formação do Brasil, pois as velas e cordas das caravelas portuguesas que aqui chegaram também eram feitas de cânhamo, assim como muitas vestimentas dos portugueses. 
O cultivo da maconha se expandiu da Índia para a Mesopotâmia, depois Oriente Médio, Ásia, Europa e África. Na renascença a maconha tornou-se um dos principais produtos agrícolas europeus, sendo pouco usada como entorpecenteJohannes Gutemberg, inventor e gráfico alemão, teve sua maior e mais famosa obra A Bíblia de Gutemberg, a primeira Bília impressa, feita com papel de cânhamo. Ironico, né?! Com a "Santa Inquisição", os católicos passaram a condenar o uso medicinal da maconha feito por "bruxas", estas por sua vez foram queimadas por usarem a planta no feitio de remédios. 

A primeira Bília impressa da história usou Cannabis como matéria prima.
Na Bélle Époque (final do século XIX), a maconha virou moda entre os artistas e escritores franceses, mas era também utilizada como fármaco para dilatar bronquios e curar dores. Dentre os intelectuais quechapavam o coco, podemos citar: Eugene Delacroix, Victor Hugo, Charles Buadelaire, Honoré de Balzac e Alexandre Dumas. Eles se reuniam para fumar haxixe e pesquisavam sobre o efeito da droga no tratamento de doenças mentais. Nessa época o Brasil vendia cigarros de maconha em farmácias! 

OK, a marca não era Marlboro, isso é só uma montagem.
A maconha foi trazida para a América do Sul pelos colonizadores e as primeiras plantações foram feitas no Chile, por espanhóis. No Brasil, como já citei, além das caravelas, durante o século XVI os escravos africanos traziam-na escondida na barra dos vestidos e das tangas, para que fossem usadas em rituais de Candomblé. Outra possibilidade da cannabis ter chego até o nosso país é através dos marinheiros portugueses. Vale lembrar que a afirmativa de que a planta tenha sido trazida por africanos muitas vezes repercutiu como forma de preconceito, e nada prova que ela não possa ter sido trazida por marinheiros portugueses. Inclusive o uso de cachimbos d'àgua, principal técnica utilizada para fumar a erva até a primeira metade do século XX, teria sido introduzida pelos portugueses, estes por sua vez haviam trazido o hábito das culturas canábicas com as quais tiveram contato na Índia, principalmente na nossa boa e velha Goa

Cachimbo de água.
Em 1783, o Império Lusitano instalou no Brasil a Real Feitoria do Linho-cânhamo (RFLC), uma importante iniciativa oficial de cultivo de cannabis com fins comerciais por causa da demanda de produtos a base de fibras. Segundo historiadores e pesquisadores estudiosos da área, há inúmeros indícios de que Portugal investiu alto na plantação de marijuana no Brasil. Para que isso ocorresse, a Coroa financiou não só a introdução, mas também a adaptação climática da espécie em Hortos de estados como o Pará, Amazônia, Maranhão, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Bahia. 

O que aconteceu para que a maconha se tornasse tão repudiada?

No século XX, a maconha ainda era uma droga lícita e economicamente positiva, mas se tornou pouco aceita por representar as baixas classes sociais, pois a erva representava as raízes culturais do continente africano. Vale destacar que até então, colonizadores, senhores de engenho e Agentes do Império Lusitano já estavam habituados com o cultivo e uso da erva, mas o preconceito foi mais forte.
O primeiro documento proibindo o uso da maconha foi da Câmara Municipal do Rio de Janeiro, em 1830. Este documento penalizava o uso da erva, mas não houve repercussão sobre o assunto. Porém, no inicio do século XX, com a industrialização e urbanização, o hábito de "puxar um" ganha adeptos, além de ex-escravos, mestiços, índios e imigrantes rurais, os moradores do meios urbanos passaram a utilizar a Cannabis, e é aí que autoridades começam a se preocupar com a repercussão da droga. 
Apesar da planta ser utilizada como matéria-prima para fibra textil principalmente da elite, sua imagem ficou marcada e associada pelos pobres, negros e indígenas. No final do século XIX e inicio do XX, o processo de urbanização fez com que a população imigrante fosse vista como fonte de problema sanitário. Grupos higienistas e médicos  passaram a estudar e controlar a população através de instituições específicas. Criaram-se delegacias, Inspetoria de Entorpecentes, Tóxicos e Mistificações, que era responsável por reprimir práticas religiosas africanas ou indígenas, em geral, consideradas como feitiçaria, candomblé ou magia negra. A capital brasileira tinha que servir de modelo, e desta forma a população pobre que vivia nos centros urbanos passaram e ser perseguidas, tiveram suas casas e cortiços destruidos, passaram assim dos centros para as margens da cidade, formando as famosas favelas do Rio de Janeiro.

"Eu não fumo maconha, é coisa de preto"
Um fato curioso não confirmado: em 1924 o repudio contra a maconha piorou, e querem saber o pior? O culpado disso tudo foi um brasileiro! Durante uma reunião da Liga das Nações (antecessora da ONU), governantes estavam reunidos para discutir sobre o ópio, porém, o colega brasileiro aproveitou o momento para fazer um discurso sobre a maconha, afirmando que a droga matava mais que o ópio.Pode isso?! E foi desta forma que a maconha entrou na lista das substâncias passíveis de punição. Já com a ONU formada, em 1961, a maconha, junto com a heroína, foram consideradas as drogas mais perigosas e nocivas. Porém, são justamente os anos 60, do Movimento Hippie, que fizeram as drogas serem mais difundidas e vistas como combustível criativo.

Algo me diz que não é um cigarro comum...
Atualmente há inúmeras polêmicas e discussões em torno do assunto. De um lado, pessoas que apoiam sua liberação para uso terapêutico, assim como já é feito em lugares como Holanda, Bélgica, Espanha, Itália, França, Alemanha, Inglaterra e Dinamarca, Australia, Ásia, Oriente Médio, África, Estados Unidos, Canadá. Dentre movimentos representativos a favor, podemos citar o mais famoso deles: a Marcha da Maconha. De outro lado, pessoas mais conservadoras que alegam que a maconha além de ser prejudicial, pois aumenta a propensão à esquizofrenia e a doenças bronquio pulmonares, é uma porta para o uso de outras drogas.
Nos EUA, o dia 20 de abril é comemorado como o Weed Day, ou Dia da Erva, em português. A data foi criada por estudantes da San Rafael High School em 1971, e acabou evoluindo para um feriado da contracultura, sendo dia para manifestações e eventos favoráveis à legalização. É desta data que surgiu a brincadeira de 4:20, que inunda nossos Facebooks atualmente: é uma referência à data 4/20 (nos EUA o mês vem antes do dia na data).

E agora? Sua mãe vai saber o significado do 4:20 e você não poderá mandar mais no Facebook :(
Diante disso, voltamos à eterna reflexão: ela deveria mesmo ser proíbida? Os danos à saúde existem, mas é claro que a proibição é uma decisão muito mais apoiada em política e sociedade do que em saúde. As comparações com os danos e efeitos da nicotina e do álcool já estão banalizadas, mas são pertinentes. Será que mesmo um século depois, ainda precisamos marginalizar uma substância como uma forma de segregar a baixa sociedade? Qual a sua opinião?

EXTRA: 15 coisas que você deveria saber sobre a maconha



*Imagens retiradas do Hempadão.
*Para quem gostou e quer se aprofundar no assunto, referências na internet é o que não faltam. Nesse link aqui tem um documentário completo em forma de vídeo do History Channel, contando detalhadamente a História da Maconha.
http://psicodelia.org/noticias/a-historia-da-maconha-a-droga-mais-polemica-do-mundo

quinta-feira, 23 de março de 2017

Eu, "pejotizado"

Eu, "pejotizado"


Por pouco mais de três anos tive a infeliz experiência de trabalhar não exatamente como terceirizado, mas como "pejotizado", ou seja, obrigado a apresentar notas fiscais de pessoa jurídica para receber, mensalmente, a minha remuneração como editor-assistente do "Valor Econômico".

Só pude trabalhar no "Valor" pela segunda vez, meses depois de ter-me demitido do Estadão, sob essa condição.

De cara me avisaram que quem era contratado entrava numa fila de regularização trabalhista, ou seja, os mais antigos eram os primeiros a ter o privilégio de ter o emprego registrado na Carteira Profissional.

O trabalho na condição de "pejotizado" podia durar um ano, dois anos... Tudo dependeria da condição financeira da empresa.


Também me avisaram que não teria direito ao pagamento de férias, nem a 13º salário, INSS ou FGTS. 

Mas poderia tirar 30 dias de descanso - sem pagamento.

Lógico que, nessas condições, me senti um empregado de segunda categoria, pois, no frigir dos ovos, fazia o mesmo que meu colega ao lado, mas ganhava a metade.

Lógico também que não tinha a menor condição de negociar qualquer coisa, já que o mercado de trabalho do jornalista era, e continua sendo, cada vez mais, um campo de batalha sangrento, onde apenas os mais fortes sobrevivem.

Fiquei uns dois anos nesse limbo até que me avisaram que eu era o próximo da fila dos afortunados que seriam regularizados pela CLT.

Foi então que pedi para ficar mais um ano "pejotizado".

Afinal, esse era o tempo necessário para que pudesse sacar o dinheiro da minha conta inativa do FGTS.

A empresa aceitou na hora.

Um ano depois, fui devidamente "contratado", mas como só trabalhava na empresa havia três anos, e meus chefes não deveriam ainda saber se eu era ou não do ramo, o registro foi "de experiência", por 90 dias.

O contrato definitivo durou seis anos, até eu ser incluído, com mais uns 50 colegas, numa lista de demissões.

Fui dispensado num mês de junho.

Dois meses depois era chamado para ajudar a editar alguns suplementos especiais no mesmo "Valor" que havia me demitido.

Claro que, novamente, "pejotizado". (Carlos Motta)
http://segundocliche.blogspot.com.br/2017/03/eu-pejotizado.html