Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

sexta-feira, 15 de dezembro de 2017

Xadrez da grande bacanal pós-impeachment, por Luís Nassif

Esta semana dei uma palestra no encontro da ANDIFES (Associação Nacional dos Dirigentes de Instituições Federais de Ensino Superior). No encontro, a mesma dúvida: qual o prazo de validade do modelo econômico e social que está sendo implementado com a tomada do poder pela organização criminosa liderada por Eduardo Cunha?
Ouso dizer que é curto.
Acompanhe o raciocínio.
Peça 1 - a legitimação de Collor e FHC
Fernando Collor ganhou a presidência por mérito próprio, por ter entendido, antes dos demais candidatos, os novos ventos que surgiam.
No plano interno, a enorme ojeriza à centralização brasiliense, remanescente do regime militar; e a desconfiança em relação aos quadros políticos que se apossaram do poder, no governo José Sarney.
No plano internacional, estava em pleno vapor a onda liberal inaugurada por Margareth Thatcher e Ronald Reagan.
Em todos os períodos da historia, os movimentos políticos internacionalistas sempre necessitaram do endosso das grandes ondas globais. Foi assim no fim da Monarquia até a Primeira Guerra. E no período pós ditadura, com as eras Collor e FHC.
A onda anti-centralização, anti-mordomia, anti-Brasília, junto com o discurso thatcheriano era tão forte que permitiu a Collor cometer enormes erros, desmanchar políticas públicas bem-sucedidas, montar maracutaias com a privatização, mediante o uso das moedas podres. Mas trazer ganhos na abertura da economia.
Já a legitimação de Fernando Henrique Cardoso decorreu exclusivamente do Plano Real. Qualquer crítica a política implementadas era respondida com a mesma frase padrão: você quer a volta da inflação?
Esse jogo permitiu que os erros de FHC, especialmente com o câmbio, levassem o país à bancarrota logo após as eleições de 1998. Com o apoio decisivo da mídia, saliente-se.
Assim, a legitimação durou um mandato. O segundo foi um governo fantasma.
Ou seja, duas experiências internacionalistas, uma que não durou um mandato sequer, outra que durou apenas um mandato, mesmo tendo o enorme handicap do fim da inflação.
Peça 2 - os fatores de (des)legitimação de Temer
O primeiro  fator de deslegitimação é o mais óbvio: Temer é o segundo homem na hierarquia de uma organização criminosa presidida por Eduardo Cunha. Ponto. Seria o mesmo que pretender modernização com um Fulgêncio Batista na Cuba pré-Fidel, um Rafael Trujillo na República Dominicana, um Noriega, no Panamá.
Pode-se conseguir a modernização com um déspota esclarecido. Com um bandido, nunca.
A razão é simples.
·       Toda organização criminosa quer roubar.
·       Processos de mudança abrem enorme espaço para negócios.
·       Subordinando as mudanças ao roubo, perde-se a perspectiva de qualquer projeto estruturante ou legitimador.
Portanto, cortem essa história de que a disputa é entre dois projetos de país: um suposto projeto petista e um suposto projeto liberal da Ponte para o Futuro. É entre a modernidade e o banditismo, que é inerente ao modelo de implementação das medidas previstas na tal Ponte.
Pretender mudanças no ambiente político atual significa abrir o cofre do banco e dispensar  a segurança. É o que está sendo feito, aliás.
Peça 3 - os templários do liberalismo
O segundo fator é a visão extremamente tecnocrática e amadora dos templários do liberalismo.
Há uma estratégia para a guerra e outra para a vitória. A guerra permite toda sorte de radicalização do pensamento, a criação de utopias, o pretíssimo no branquíssimo, a exploração da figura do inimigo, como acontece com todos os arautos das guerrilhas ideológicas.
Já o exercício do poder exige discernimento e avaliação correta sobre os limites da realidade, conhecimento das engrenagens políticas, sociais  e econômicas de um país complexo, o ritmo de implementação etc.
Por aqui, os liberais lançaram diversos esquadrões armados de slogans e, no poder, não colocaram um maestro com conhecimento da posologia, do ritmo de implementação de mudanças, dos limites, das restrições impostas pela realidade. São os slogans se tornando políticas de Estado.
Desde o Cruzado o país é vítima desses cabeções, que julgam que quanto mais radical, mais virtuosa a política. Só ganham sabedoria depois que são expulsos do poder pelos excessos cometidos.
Em toda essa balbúrdia, nenhum aceno social, nenhuma palavra em direção aos direitos de minorias, nenhuma tentativa de legitimação.
Toda a estratégia é de curtíssimo prazo, de olho exclusivo no mercado e de acordo com a visão dos GPS, 3Gs e o escambau do mercado. Consiste em adquirir um ativo, rentabilizá-lo no curto prazo e passá-lo adiante, ganhando na sua valorização imediata.
Está aí o desastre da Estácio de Sá para comprovar os efeitos do padrão GP de rentabilidade máxima.
Hoje, o ativo é o Brasil.
Peça 4 – a economia em 2018
2018 entrará com o seguinte ritmo:
1. PEC do Teto: não passará do primeiro ano
A menos que se aceite como inócuo o desmantelamento de todos os serviços públicos, a PEC do Teto é inviável. Quando as multidões, abraçadas com prefeitos e governadores, entidades sindicais, associações saírem às ruas exigindo remédios, saúde, educação, segurança, o que o Planalto irá fazer? Colocar na frente do lago o Marcos Lisboa e o Monsueto de Almeida com uma calculadora, para explicar a lógica do plano?  Terá as mesmas explicações que o inacreditável Paulo Hartung no Espírito Santo.
2. Os efeitos da lei trabalhista ficarão claros
Uma legislação que precisaria, de fato, ser modernizada, é empurrada goela abaixo, sem garantia de continuidade. O efeito imediato é esse massacre, do qual o caso Estácio de Sá se tornou o exemplo mior.
3. Vôo de galinha da economia
Não adianta os comentaristas da Globo celebrarem 0,1% de crescimento como se fosse recuperação. É a mesma coisa que comemorar o fato de ter parado de cair a popularidade de Temer, quando chega próxima de zero. Trata-se apenas de um processo cíclico, que sucede às grandes quedas. A economia continuará amarrada aos enormes passivos do período de crise, a uma política fiscal e monetária pró-cíclica (isto é, que acentua o ciclo de recessão) sem nenhuma alavanca capaz de relançá-la.
4. A humilhação do país nas mãos de uma quadrilha
A cada dia que passa, mais vai caindo a ficha geral de que o país está nas mãos de uma quadrilha. E, agora, uma quadrilha avalizada pelo único candidato do continuísmo com alguma possibilidade, Geraldo Alckmin.
Peça 5 - as eleições de 2018
O golpe foi uma aliança dos seguintes setores:
PSDB-mídia + Judiciário + Ministério Público + evangélicos + quadrilha de Temer-Cunha
O amálgama que junta juízes, procuradores e deputados é o moralismo pré-histórico da ultra-direita, seu discurso contra direitos das minorias, contra o casamento homoafetivo e todos os avanços das modernas democracias.
Não é por outro motivo que, na CPI da JBS, celebrou-se o acordo dos governistas, poupando a Lava Jato das denúncias de Tacla Duran.  Foi a constatação óbvia de que a Lava Jato é essencial para a manutenção do continuísmo.
A noite do terror não terá vida longa por várias razões:
A implosão do núcleo do golpe
A construção institucional de um país depende da Constituição e de de um conjunto de leis, de práticas. A institucionalidade impõe limites, não apenas legais, mas de conduta a todos os poderes.
Quando se atravessa o Rubicão, como no caso do impeachment, todo esse edifício rui. Se se pode derrubar uma presidente ao arrepio da Constituição, tudo o mais será permitido. Que o diga o excelso Ministro Luís Roberto Barroso, principal padrinho do estado de exceção e da flexibilidade da Constituição.
E aí vira a suruba portuguesa, com procuradores desmoralizando Ministros do STF pelo Twitter, Ministros do STF sendo desmoralizados sem necessidade de ajuda externa, negociatas à luz do dia, na forma de venda de estatais, venda de projetos de lei, venda de proteção, Judiciário colocando adversários em cana (como no caso do ex-governador Garotinho), Conselho Nacional de Justiça (CNJ) punindo juízes legalistas. E cada um tentando puxar a brasa para a sua sardinha e vivendo intensamente como se não houvesse amanhã, não houvesse feios a essa orgia de poderes individuais.
Quando o golpe é conduzido por um poder central - um ditador ou uma corporação, como foi o caso de 64 -, ele se impõe sobre a balbúrdia geral. Quando o golpe é a balbúrdia, se esgota em suas próprias contradições.
O núcleo do impeachment virou de tal modo uma casa da mãe Joana que o presidente quer continuar, o Ministro da Fazenda quer o lugar do presidente, o maior aliado, PSDB, quer lançar candidato, mas não sabe se fica ou se sai, os jornais multiplicam-se em seminários de pouca relevância e alto patrocínio de estatais e, ao mesmo tempo, fingem que criticam o governo, para não se desmoralizar de vez perante os leitores.
Esse é um quadro sintético do que está acontecendo com os vitoriosos do golpe. Completa-se o quadro com a incapacidade de gerar sequer um candidato competitivo para 2018.
A impossibilidade do Estado de Exceção
Se não podem manter o poder pelo voto, manteriam pelo estado de exceção.
No curto prazo, a Lava Jato e o TRF4 dão conta. No médio, não.
A Constituinte de 1988 mostrou o avanço das organizações civis, invisibilizados pela mídia. De repente, como que do nada, surgiram grupos organizados indígenas, negros, de camponeses, de direitos humanos, de quilombolas etc.
Hoje em dia, com o advento das redes sociais, e com o próprio desenvolvimento nacional com as grandes conferências, os grupos de interesse multiplicaram-se. Há organizações de defesa dos deficientes, da Amazônia, dos LBTGs, das mulheres, da educação, da saúde, da assistência social, da ética nas empresas. Cada estado tem seu coletivo, suas organizações próprias, sem contar o sistema tradicional dos sindicatos e associações.
Hoje em dia, mesmo em setores empoderados pela direita - como Polícia Federal e Ministérios Públicos - existem os coletivos democráticos. Mais: todos os movimentos sociais apostam na democracia, esvaziando a tese do golpe preventivo.
Esses avanços, por sua vez, desenvolveram um mercado de opinião publicada – por tal, entenda-se o público classe média midiática -, menos estridente que os MBLs da vida, mas que gradativamente vai se tomando de enjoo com o discurso da indignação vazia e com os preconceitos da ultradireita.
Como já previsto em outros artigos, cada vez mais o primeiro time da imprensa brasileira tenta vestir o figurino do conservador inglês, conservador na economia, liberal nos costumes e discreto no linguajar.
É um movimento lento, que tende inicialmente a poupar o principal aríete da ultra-direita – os abusos da PF e do MPF no padrão Lava Jato -, mas que é irreversível no sentido de combater os excessos radicais.
Tudo isso demonstra uma musculatura e uma vitalidade que torna impossível qualquer veleidade de ditadura de médio ou longo prazo.
A inviabilidade Eleitoral da Ponte
Por outro lado, a Ponte para o Futuro não resiste a um teste de urna. É inviável eleitoralmente.
Não foi o petismo que deu a vitória a Dilma Rousseff em 2014, mas divisão do país entre o anacrônico e o moderno. A cada dia que passa, mais a face do golpe se confunde com as práticas mais anacrônicas.
Ontem, foi a vez do Congresso trazer de volta os manicômios. E há razões para isso. Em outros tempos, os manicômios eram fonte de enriquecimento de diversos coronéis políticos, como o ex-deputado Inocêncio de Oliveira. Sempre foram uma fonte inesgotável para sugar recursos do INSS.
Peça 6 – o fruto da árvore proibida
Com o início da era FHC, o PSDB abriu mão definitivamente das teses modernizantes. Tornou-se um partido rancoroso, sem identificação maior com os avanços sociais e morais. E negociando cada vez mais com lobbies externos, das incursões pioneiras de Pedro Malan no Banco Mundial, e de José Serra com a Nordisk, no episódio rumoroso de licitação de insulina, quando era Ministro da Saúde aos jogos atuais com a lei do petróleo.
Com todos seus defeitos, com todos os erros cometidos, com a falta de visão de Nação, com os erros econômicos da era Dilma, com a leniência da era Lula com mercado e mídia, o PT continua sendo o desaguadouro dos movimentos modernizadores apartidários.
Se num passe da mágica, a Lava Jato, com Temer, PSDB, Gilmar, mídia e a rapa conseguissem eliminar o partido, ainda assim toda essa frente social se manteria unida em torno do partido ou candidato que exprimisse esses valores.
Tudo isso porque deixaram o país provar o fruto da árvore proibida.
Durante algum tempo, o Brasil aprendeu que é possível erradicar a pobreza com políticas bem concebidas, que a redução da pobreza aumenta o mercado interno, produzindo um circulo virtuoso. Aprendeu que possível desenvolver uma indústria da saúde, avançar na educação, participar dos jogos diplomáticos internacionais, criar uma indústria de defesa, remontar a indústria naval.
Podem destruir enquanto tem tempo.
Mas no fundo da memória nacional já foi plantada a palavra de ordem: nós podemos!
https://jornalggn.com.br/noticia/xadrez-da-grande-bacanal-pos-impeachment-por-luis-nassif

terça-feira, 21 de novembro de 2017

Michel Temer Guaixará tosó tatape!

por Fábio de Oliveira Ribeiro
Aqui mesmo no GGN afirmei que Michel Temer é um duplo de Calígula. O escândalo da Shell me obrigou a desdizer minha teoria.
Michel Temer ganhou a confiança do PT afirmando que estava comprometido com o programa de governo petista, traiu o governo e adotou as propostas neoliberais rejeitadas nas urnas. Quando era vice-presidente ele nunca se empenhou o suficiente para apoiar as ações governamentais de Dilma Rousseff. Após derrubar a presidenta eleita pelos brasileiros, Temer tentou se apropriar de obras que foram realizadas por ela.
O usurpador tem medo do povo e já foi fotografado demonstrando pavor da população. Mesmo sem ter necessidade financeira, ele extinguiu as farmácias populares e mandou interromper o programa de construção de cisternas (dois programas de grande alcance humanitário). Temer recebeu um cheque de propina em seu próprio nome e nomeou Ministros envolvidos em corrupção. Logo que assumiu a presidência, ele estancou a sangria destruindo a Controladoria Geral da União (órgão público que monitorava a execução de obras públicas e fornecia ao MPF provas de indícios de corrupção).
A ausência de caráter de Michel Temer está estampada nas suas ações. Ele é traidor, preguiçoso, pusilânime, covarde, malvado, desonesto e antiético. Atingido na Inglaterra pelo escândalo da Shell, Michel Temer faz de conta que nada ocorreu. Em nenhum momento o usurpador sinalizou que vai renunciar. A mim parece evidente que falta ao usurpador honra suficiente para se suicidar. 
Temer não pode ser comparado a Calígula. Apesar de insano, Calígula foi o primeiro Imperador romano suficientemente ousado para apresentar-se diante do povo como um deus. Em razão de sua falta de caráter, Michel Temer se prece mais com um típico Macunaíma (uma mistura bem brasileira do Orc europeu com o pérfido Guaixará tupi).
Nesse sentido, não bastará o povo brasileiro derrubar Michel Temer e seu regime infame. Após a queda do usurpador o Brasil terá que exorcizá-lo à moda do Auto de São Lourenço, obra prima de José de Anchieta. Temer tem que sair da vida pública e da nossa história, mas depois que morrer ele não deve nem mesmo ganhar uma sepultura no território brasileiro. 
https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/michel-temer-guaixara-toso-tatape-por-fabio-de-oliveira-ribeiro

terça-feira, 7 de novembro de 2017

O poder do Amor

Quando a guerra acabou, George entrou com seu regimento na Alemanha. Ele integrava um grupo designado para um campo de concentração perto de Wuppertal.

Foi a experiência mais chocante da sua vida. Ele estava encarregado de prestar socorro médico àqueles recém-libertos.

Caminhar no meio daquelas cabanas onde milhares de homens haviam morrido, ao longo dos anos, era um horror.

Pior era constatar os efeitos da inanição progressiva que, a cada dia, apesar da medicação e da alimentação, levava grande número deles para a morte.

Foi ali que George conheceu Bill Cody. Assim o chamavam porque tinham dificuldade em pronunciar seu nome polonês.

O que chamava atenção nele era que, apesar dos seis anos de dieta, de fome e de viver naquelas cabanas insalubres, sem ar, ele não aparentava a menor deterioração física ou mental.

Era espantoso, ainda, verificar como todos os grupos do acampamento o consideravam um amigo.

Isso era raro, levando-se em conta que aquele aglomerado de prisioneiros de todas as nacionalidades se odiavam mutuamente, quase na mesma proporção que odiavam aqueles que os haviam aprisionado.

Falando fluentemente o inglês, francês, alemão e russo, tão bem quanto o polonês, ele se tornou uma espécie de tradutor para as tropas de ocupação.

A sua compaixão pelos companheiros de prisão brilhava em seu rosto.

Qual seria o seu segredo? - Perguntava-se George.

Certo dia, em que se sentou ao seu lado, tomando um caneco de chá, Bill contou a sua história.

Morávamos no bairro judeu, em Varsóvia: minha esposa, nossas duas filhas e três garotos.

Quando os alemães chegaram à nossa rua, alinharam todos contra o muro e abriram fogo com as metralhadoras.

Supliquei para morrer com minha família. No entanto, porque eu falasse alemão, eles me colocaram num grupo de trabalho.

Ele fez uma pausa. A voz ficou embargada, enquanto olhava à distância, como se estivesse revendo a esposa e os cinco filhos.

Depois continuou: Naquele momento, eu precisei decidir se odiaria os soldados que tinham feito aquilo.

Não era uma decisão fácil. Eu era advogado. Minha prática, mais de uma vez, me havia mostrado o que o ódio podia fazer às pessoas.

Aliás, fora o ódio que acabara de matar as seis pessoas mais importantes do mundo para mim.

Então, eu decidi, fosse qual fosse o tempo que me sobrasse de vida, eu iria empregá-lo no amor a toda a criatura que viesse a entrar em contato comigo.

*   *   *

Amar a todo ser... Era esse o poder responsável pelo bem de um homem, apesar de toda a privação vivida. Apesar de toda a dor e saudade que lhe machucavam a alma.

E ali estava ele, liberto agora, trabalhando ainda pelos outros. Eram quinze a dezesseis horas por dia, tentando resolver todo tipo de problemas.

Preocupava-se em buscar documentação, registros, a fim de relocalizar pessoas cujas famílias e até mesmo cidades poderiam ter desaparecido.

O poder do amor o mantivera saudável durante seis anos de privações.

O amor continuava a lhe reger todos os atos. Sua família, agora, eram aqueles homens, mulheres e crianças que recebiam a liberdade, e precisavam reconstruir as suas vidas.

O poder do amor...

Redação do Momento Espírita, com base no  cap. 13,
do livro 
Voltar do amanhã, de George G. Ritchie
e Elisabeth Sherril, ed. Nórdica.
Em 4.11.2017.

Fonte: Momento Espírita

domingo, 29 de outubro de 2017

Afinal, qual é “A cara da Morte?”

por Claudio Santana Pimentel


Afinal, qual é “A cara da Morte?”: leitura de um estudo sobre o imaginário de sepultadores em São Paulo
por Claudio Santana Pimentel
Aproxima-se o Dia de Finados, originalmente, tempo de reflexão sobre o limiar entre a vida e a morte; para nós, pretensamente laicos, apenas mais um feriado, a nos aliviar do peso dos compromissos cotidianos. Na verdade, apenas a adiá-los. Talvez a reflexão seja mais ainda necessária, sobretudo em tempos onde tudo parece desmoronar, certezas parecem inexistir. A única certeza a persistir, entretanto, parece ser justamente a certeza da Morte.
Retomo a leitura de A Cara da Morte: os sepultadores, o imaginário fúnebre e o universo onírico, resultado da pesquisa de Mestrado de Clarissa de Franco no Programa de Ciência da Religião da PUC-SP. Clarissa doutorou-se no mesmo Programa com instigante tese sobre o ateísmo contemporâneo, que espero ver publicada em futuro próximo. Atualmente, tem se dedicado a temas como a laicidade e o feminismo islâmico, revelando-se uma pesquisadora competente, sensível e respeitosa com os participantes de seus estudos.
Em sua primeira obra relevante, Clarissa, psicóloga por formação e ofício, investigou as representações de sepultadores em cinco cemitérios na cidade de São Paulo. Diante de um universo tão amplo quanto o que a humanidade pensa sobre a morte, escolheu um caminho original e criativo, que se revela mais importante ainda ao trazer, para primeiro plano, a visão daqueles que, estando presentes aos últimos momentos de tantos, trabalhando, são invisibilizados, como em geral o são os trabalhadores que cumprem as funções mais humildes. Aspecto que não escapou à autora.
Vale a pena retomar sua hipótese inicial: “o fato de os sepultadores trabalharem diretamente com a questão da morte do outro faz com que tenham uma atitude religiosa e ideológica peculiar frente à morte. Supunha-se inicialmente que eles vivenciassem em seu íntimo uma exacerbação dos sentimentos, medos e angústias em relação à morte, o que não necessariamente corresponderia à sua atitude exterior. E o campo do imaginário seria o espaço em que acreditávamos poder perceber essas divergências de discursos e percepções” (p. 8).
Dividida em quatro capítulos, a obra se inicia com um estudo sobre o imaginário de morte na antiguidade, privilegiando a dimensão simbólica, partindo de um referencial teórico de base junguiana, dialogando com a Antropologia e a História, o que lhe permitiu perceber modulações, diferenças, transformações e rupturas nos símbolos elaborados para lidar com a morte. Sobretudo, interessa-lhe as narrativas construídas sobre a morte, no Egito antigo, na Grécia e em Roma, e entender como estas contribuíram para uma concepção da relação vida-morte: “pode-se dizer que existe uma ênfase no processo pós-morte, nos ambientes para onde a alma se destina, no processo de preparação para a outra vida” (p. 75).
No segundo capítulo, enfrenta o imaginário cristão medieval sobre a morte, fundamental para se compreender as concepções ocidentais sobre o tema. A ideia do julgamento, que não se refere somente ao Juízo Final, mas abre-se para o julgamento individual de cada um. Concepção que se desenvolveu lentamente, e que, pode-se dizer, é fundamental para compreender as origens da moderna noção de individualidade e de liberdade. Enfrenta o tema do medo, dos horrores do inferno e do temor de um Deus punitivo, e como isto deu origem a uma pedagogia da morte, uma arte do morrer, que consistia numa aprendizagem sobre como se deve viver e morrer. Se a individualidade está sendo gerada e estruturada no Medievo, ainda há uma forte demanda social e coletiva sobre pensamentos e ações, que se manifesta no esforço da Igreja ocidental para adaptar as concepções populares sobre o além-vida às suas próprias. Chegando à modernidade europeia, destaca o impacto da secularização e da morte vista cada vez mais como questão individual.
O terceiro capítulo enfrenta a transposição do imaginário popular tardo-medieval ibérico para o Brasil, influenciado pelas concepções indígenas e africanas. O escravizado africano morria duas vezes, considerando-se a travessia do Atlântico uma primeira morte. Devido à importância dos antepassados para sua concepção de mundo, a imposição do cristianismo foi também nesse aspecto uma violência terrível, retirando-lhe a possibilidade de cultuá-los, ao menos publicamente. Teve o escravizado africano que adaptar-se às possibilidades que a sociedade colonial oferecia. A afetividade com os santos, característica da religiosidade brasileira popular, talvez fosse incompreensível se desvinculada da concepção africana de ancestralidade. A dimensão de afeto não pode ser reduzida à relação hierárquica medieval de senhor-vassalo. Por sua vez, a ritualística mortuária indígena permitia reorganizar aquela sociedade diante da perda sofrida. A morte no Brasil colonial e imperial fazia parte da vida, do cotidiano, como percebe a autora ao discutir a presença e a intervenção dos mortos no mundo dos vivos, recurso constante em narrativas populares e na literatura de folhetos, ou cordel. Poderia ter explorado o fato que mesmo um autor brasileiro contemporâneo erudito, como Érico Veríssimo, trouxe os mortos para o convívio dos vivos, em seu Incidente em Antares, onde mortos insepultos voltam para acertas as pendências da vida. Encerra o capítulo apresentando os cemitérios paulistanos em que realizou a pesquisa de campo.
O capítulo final coloca o leitor diante do imaginário dos sepultadores, a partir de seus relatos. Percebe-se a relação ambígua com o tema da morte, presença diária em seu ofício, mas ao mesmo tempo evitado no discurso. “Quando a gente sai do cemitério, a gente não pode ficar pensando em morte, se não, não vivemos” (p. 174). O desconforto é percebido pela pesquisadora diante das indagações que lhes faz. A autocompreensão e a explicitação dos preconceitos que sofrem por sua profissão também aparecem em suas falas. O estudo de Clarissa ofereceu a essas pessoas a rara oportunidade de reivindicarem sua humanidade, diante de uma sociedade que não os reconhece e, quando o faz, parece não se importar. Ao indagar por suas convicções religiosas, apreendia-se o predomínio de uma visão cristã, ainda característica do Brasil urbano contemporâneo, com opções entre o catolicismo, o pentecostalismo e a indefinição religiosa ou a declaração de não pertencimento religioso. Mesmo esses, no entanto, apresentavam em suas concepções traços da religiosidade cristã. Por outro lado, católicos ou pentecostais, organizavam suas convicções religiosas a partir de sua experiência pessoal, comportamento tipicamente moderno. Especialmente importante para a compreensão dessas concepções são os relatos de sonhos e de suas sensações: “a dificuldade de abordar o tema da morte mostra a sua contrapartida inconsciente e simbólica: seus sonhos trabalham para representar essa morte sem cara, silenciosa, da qual não se pode falar. Seus medos e angústias vestem a roupa onírica e falam, no único espaço que possuem para se manifestar” (p. 230). Questão que a autora coloca ao final, sem rodeios, como é sua característica: ao desumanizar o sepultador, reduzindo-o ao seu ofício e negando-se a vê-los como pessoas, a sociedade transfere para estes o lidar com a morte. Não somente o sepultar, mas livra-se também do ônus que o pensar a morte exige de nós. Numa relação moderna, capitalista, é como se, ao remunerarmos alguém para trabalhar com a morte, transferíssemos todos os encargos, não somente os físicos, mas sobretudo os simbólicos, que no caso são muitos e muitíssimos pesados, nos isentando, nessa troca, de qualquer responsabilidade.
Clarissa deixa-nos diante do rosto, ainda que encoberto, da cara da morte. Cara que pretendemos a todo custo evitar. Face que, modernos e laicos que pretendemos ser, desaprendemos como lidar. Se o enfrentamento da morte foi, como sugere Clarissa em seu livro, fundamental para o desenvolvimento simbólico da humanidade, reencarar a morte parece condição necessária se quisermos nos reumanizarmos.
FRANCO, Clarissa de. A cara da morte: os sepultadores, o imaginário fúnebre e o universo onírico. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2010.

sábado, 28 de outubro de 2017

HITLER PODE TER SE ESCONDIDO NA COLÔMBIA APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Uma fotografia de 1954 poderia dar credibilidade às teorias de que o líder nazista Adolf Hitler simulou o seu suicídio e fugiu para a América Latina, onde ele teria escondido sua identidade real sob o nome de Adolf Schrittelmayor; no meio da grande desclassificação dos documentos da CIA e do FBI relacionados ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, o interesse em outras figuras históricas, figuras de documentos previamente desclassificados pelas agências de inteligência dos EUA, foi alimentado; assim, a atenção de vários meios de comunicação se concentrou em um arquivo da CIA que parece confirmar as teorias que Adolf Hitler fugiu para a América Latina após a Segunda Guerra Mundial.
Uma fotografia de 1954 poderia dar credibilidade às teorias de que o líder nazista Adolf Hitler simulou o seu suicídio e fugiu para a América Latina, onde ele teria escondido sua identidade real sob o nome de Adolf Schrittelmayor; no meio da grande desclassificação dos documentos da CIA e do FBI relacionados ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, o interesse em outras figuras históricas, figuras de documentos previamente desclassificados pelas agências de inteligência dos EUA, foi alimentado; assim, a atenção de vários meios de comunicação se concentrou em um arquivo da CIA que parece confirmar as teorias que Adolf Hitler fugiu para a América Latina após a Segunda Guerra Mundial

https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/324740/Hitler-pode-ter-se-escondido-na-Col%C3%B4mbia-ap%C3%B3s-a-Segunda-Guerra-Mundial.htm

sábado, 7 de outubro de 2017

Em meio ao deserto, eis que surge Haddad e a esperança de que o Brasil tem jeito

Em meio ao deserto, eis que surge Haddad e a esperança de que o Brasil tem jeito

por Walter Santos, publisher da Revista NORDESTE e do Portal WSCOM
Quem esteve em João Pessoa durante a semana finda em uma série de Palestras com setores intelectuais da cidade discutindo a ocupação ordenada da Urbe, formas de uso da Política na direção do bem coletivo e os efeitos do desmonte das Políticas Culturais é o pós Doutor Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, demonstrando estar preparado para, se for preciso, mostrar que o Brasil tem jeito de se resolver. Fez o que andara fazendo dias atrás em Recife, ou seja, ampliando seu network.
Haddad se impõe na cena por ele próprio, embora seu futuro passe por diversos outros fatores, entre os quais a conjuntura jurídico - política em torno de Lula, que se não for apeado como o Juiz Sérgio Moro sinaliza, é o ex-prefeito paulista quem reúne as condições básicas de uma cara nova, estilo diferenciado e domínio tático do uso proativo da política na direção, repito, do bem coletivo.
Sem tirar nem por, ele expõe com clareza princípios e formas de ação à base conceitual do filósofo alemão Max Weber, segundo o qual, a solução está na Política - diria mais com P maiúsculo.
Além do conceito, a práticaNo Teatro de Arena, em João Pessoa, Haddad se expôs por inteiro com domínio sereno e seguro sobre o fazer político a partir de atitudes próprias, diferenciadas e apropriadas ao novo tempo, como ele exerce ao, por exemplo, optar por não ter veículo particular e fazer uso diário das opções públicas, como Uber, ônibus, metrôs, etc.
É que em torno dele e de sua vida está o conceito de Ser social com base em nova postura contemporânea na qual é possível adotar Políticas de solução para o Bem coletivo à base de decisões difíceis, mas sensatas, de não apego ao Poder sabendo fazer uso dele em benefício da coletividade e não do interesse particular ou de fazer da Política um balcão de negócios.
Como ele encarou a derrota
O ex-prefeito tem noção exata do tsunami que o afetou em cheio em 2016 na avalanche de preconceitos contra o PT, diante da onda de ódio às políticas de inclusão sob argumento da falsa moral contra a corrupção, mas nem por isso deixa de entender o revezamento político como elemento importante para a Democracia.
Para ele, em algum tempo seria fundamental o PT entender que algum tempo haveria de deixar o Poder, pois faz parte do processo político, daí sua crítica dura a Temer e Aécio que não souberam esperar e alcançar o Poder por meios lícitos preferindo construir o Golpe.
Haddad sabia tanto dos efeitos e da iminente derrota que, mesmo assim, não parou de experimentar com Políticas ousadas em São Paulo, sobretudo na mobilidade urbana com resultados fantásticos, mas duramente atacados à época pela elite e taxistas paulistas.
Formas de mudar para melhor
Pela primeira vez, depois de décadas, Haddad ousou encarar e modificar o Plano Diretor de São Paulo servindo-se de novos conceitos sobre a Urbe, seus principais interessados - a população, e as Políticas Públicas direcionadas ao futuro da cidade à base de mudanças sólidas priorizando o Coletivo no uso dos bens e das próprias políticas.
Exemplo clássico: na Mobilidade Urbana, grave problema das urbes e em especial de São Paulo, Haddad simples fez uso do que está no Código nacional, no qual se prioriza primeiro o Pedestre, o Ciclista, o Transporte Público para, em último plano, estar o Veículo de uso particular.
Isto chama-se novo ordenamento e conceito cultural de Políticas Públicas com base em decisão Política difícil, mas corajosa e indispensável para o bem coletivo de São Paulo, e não só dos ricos dos Jardins.
Haddad assanhou a elite e os taxistas ao adotar limite de velocidade, faixas exclusivas e acatar o Uber como alternativa de transporte, pagou o preço da ousadia, mas os dados estatísticos provam com a redução dos acidentes e melhor agilidade do trânsito que ele estava certo.
Progressista além do PT
Embora seja Político com desapego ao Poder pelo Poder, Fernando Haddad se insere no contexto nacional como o melhor quadro além de Lula, sem dúvidas o mais preparados dos presidentes e líderes políticos.
Mas Haddad vai além do PT e seus avanços e vacilos porque sua postura amplia o leque e diálogo com os diversos segmentos sociais porque sua escala de valores não se fixa nem se pontua ao campo restrito do sindicalismo, mesmo importante, porque a sociedade é muito maior e ele tem base de convivência e negociação claras.
Trocando em miúdos, quando o Brasil conhecer Fernando Haddad do Oiapoque ao Chuí então a partir desse instante certamente seu nome será lembrado e ungido como pronto e preparado para presidir o Pais por mérito e domínio da Política na direção do bem Coletivo.
https://www.brasil247.com/pt/colunistas/geral/321262/Em-meio-ao-deserto-eis-que-surge-Haddad-e-a-esperan%C3%A7a-de-que-o-Brasil-tem-jeito.htm