Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

Bestiário jornalístico de 2015 a 2018, por Fábio de Oliveira Ribeiro

Bestiário jornalístico de 2015 a 2018
por Fábio de Oliveira Ribeiro
As opiniões expressadas pelos jornalistas durante o governo Dilma Rousseff mudaram um pouco desde que começou o desgoverno Michel Temer. Por isso resolvi fazer esse bestiário.

Governo Dilma Rousseff
Gasolina 2,50: isso é inadmissível, alguma coisa tem que ser feita, o povo não aguenta mais pagar a gasolina mais cara do planeta.
Pedaladas Fiscais: isso é crime de responsabilidade, o motivo para o impedimento existe e a presidenta deve ser afastada do cargo.
Política Externa: o imperialismo canarinho é ridículo, o Brasil não pode se alinhar ao BRICS
Cotas Raciais: não somos racistas, a política de cotas é uma aberração.
Rombo orçamentário: o país tem que cortar gastos sociais, em razão do rombo orçamentários teremos uma nova década perdida.
Juros: a taxa de juros está muito alta e isso impede os empresários de modernizar suas fábricas.
Juízes: o aumento que eles querem é justo e deve ser concedido, Dilma Rousseff criou um conflito entre os poderes ao vetar o reajuste dos juízes.
Bolsa Família: o PT está comprando os votos dos pobres, isso é um incentivo absurdo à procuração dos pobres e faz mal a economia do Brasil.
Bolsonaro: ele pode ser uma alternativa para barrar um terceiro mandato de Lula.
Lula: ele sabia de tudo e será condenado, a popularidade dele é fruto do populismo.
Planeta Terra: é redonda.
Modernidade: aquilo que não temos com o PT.
Desemprego: a redução do desemprego pressiona os salários para cima e prejudica a economia.
Salário Mínimo: está muito alto, prejudica os empresários e arrebenta com a previdência.
Eduardo Cunha: ele deve iniciar o processo de Impedimento, somos milhões de Cunhas.
Manifestações de rua: não é só pelos 30 centavos.

Desgoverno Michel Temer
Gasolina 5,00: os preços estão sendo realinhados, pois o combustível estava sendo subsidiado pelo governo.
Pedaladas Fiscais: o presidente pode fazer ajustes orçamentários, nenhuma irregularidade está sendo cometida.
Política Externa: o alinhamento do Brasil aos EUA é natural, nosso país deveria intervir na Venezuela e na Bolívia.
Cotas Raciais: o fato da maioria dos presidiários e desempregados serem negros e pardos não quer dizer que somos racistas.
Rombo orçamentário: o déficit orçamentário aumentou, mas os bancos estão tendo lucros excepcionais e isso é muito bom para a economia.
Juros: a taxa de juros está elevada, mas isso é culpa da herança maldita do PT.
Juízes: eles tiveram reajuste, mas estão ganhando pouco, o governo deve pagar o auxílio-moradia dos juízes.
Bolsa Família: Japão e Itália estão adotando o programa do bolsa-família e isso fará bem à economia daqueles países.
Bolsonaro: ele não está em condições de ser presidente.
Lula: ele foi condenado e não deve retornar ao poder, a popularidade dele é fruto de uma patologia luso-brasileira (o sebastianismo).
Planeta Terra: tem gente dizendo que a terra é chata.
Modernidade: aquilo que teremos após o fim do governo Temer, mas só se Lula não for eleito.
Desemprego: o aumento do desemprego faz bem para a economia porque acarreta redução de salários.
Salário Mínimo: a redução não prejudica o comércio, mas não vai salvar a previdência.
Eduardo Cunha: ele é um criminoso, está preso e é melhor vocês esquecerem dele (pois só assim ele poderá continuar interferindo no governo Temer).
Manifestações de rua: a passagem está mais cara porque o combustível subiu e o povo deve ficar tranquilo porque a economia vai melhorar.

Os jornalistas brasileiros não apuram fatos. Eles apenas emitem opiniões. O critério utilizado para a construção da notícia não é científico e sim político-partidário e ideológico. Milhares de jornalistas fazem o que é necessário para manter o emprego. Alguns puxam descaradamente o saco do dono da empresa. Há profissionais movidos pelo preconceito de classe ou pelo cinismo, mas também há fanáticos religiosos e racistas despudorados.
Durante o governo Dilma Rousseff a economia do Brasil afundou por causa da crise política amplificada pela imprensa. A situação econômica do país não vai melhorar porque os jornalistas minimizam a imbecilidade da política econômica do desgoverno Temer. Estamos sendo condenados a viver no pior dos mundos. A imprensa fez o país perder a oportunidade de desenvolver sob um governo desenvolvimentista moderadamente nacionalista. E agora apoia um governo que fará o Brasil perder tudo o que tinha de bom e de valioso em troca de uma terra arrasada que garante apenas os lucros dos banqueiros e dos especuladores internacionais.
A reforma que precisamos não é política. O Brasil precisa desesperadamente de uma reforma jornalística. O poder dos donos das empresas de comunicação tem que ser reduzido, a liberdade profissional dos jornalistas deve aumentar. Mas eles devem usar a liberdade jornalística para apurar fatos. Quando se limitarem a emitir opiniões baseadas em critérios político-partidários e ideológicos os jornalistas devem dizer claramente no texto que partido político defendem e que ideologia prestigiaram, caso contrário eles devem ser punidos por um órgão estatal. 
https://jornalggn.com.br/blog/fabio-de-oliveira-ribeiro/bestiario-jornalistico-de-2015-a-2018-por-fabio-de-oliveira-ribeiro

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

Feliz Ano Novo, por Luis Nassif

Arte de Rosangela Borges
As festas de fim de ano são um bom momento para repensar a brasilidade. A tradição dos romãs, das uvas, do foguetório à meia noite, do bolo de milho e do peru. O “adeus ano velho / feliz ano novo”, que vieram de nossos pais e chegam aos nossos netos.
Por algum momento, ressurge o país ancestral, os valores, as músicas, os costumes que costuraram gerações em torno do conceito de nação. E permite esquecer, por algum momento, a vergonha suprema de ter sido entregue a uma organização criminosa.
Nas rodas familiares, evita-se até a pronunciar o nome de Temer, para não conspurcar a memória de nossos velhos, encarar a suprema humilhação geracional de, pela primeira vez na história, o crime organizado político ter conquistado o poder, impondo-se sobre instituições débeis, homens públicos covardes, procuradores ambiciosos, mídia vendendo opinião como xepa de feira.
Com todas as falhas e virtudes, da monarquia e dos conservadores da República Velha aos desenvolvimentistas de Getúlio a Jango, dos militares pós-64 aos presidentes da pós-redemocratização, com os erros de Collor, FHC, Lula e Dilma, houve toda sorte de presidentes, acertos e erros, mas nenhum representando organizações criminosas como muitos outros países latino-americanos, como o caso do México.
Em determinado momento, entre 2008 e 2012, supôs-se que o Brasil finalmente vencera o subdesenvolvimento e ingressara no campo das nações desenvolvidas. O orgulho de ser brasileiro iluminava cada pessoa no país, dos incluídos pelos programas sociais aos estudantes que saíam pelo mundo em cursos de pós-graduação, dos pequenos empresários do interior aos turistas internacionais.
A queda foi muito rápida, induzida por erros de Lula e de Dilma, sim, mas principalmente pelo golpismo antinacional de quem não se pejou de destruir sistematicamente a auto-estima nacional, superdimensionando todos os erros, escondendo todos os acertos.
Mas, ao som de “Tristeza do Jeca”, de “Que nem jiló”, das modinhas de Carlos Gomes a Chico Buarque, vai aumentando a convicção de que não vencerão. O País resistirá. A imagem que tenho do Brasil, hoje em dia, é o do bom gigante, forte, acolhedor e caído no chão, vítima de um golpe sujo. E, caído, sofre os pontapés dos roubos de Temer, pauladas dos subornos de Padilha, sem conseguir reagir. Mas, a exemplo dos titãs das lendas, sua força reside no contato com a terra. Foi assim no Brasil derrotado dos anos 20, do Brasil amordaçado dos anos 80.
O Brasil sairá desses tempos ferido, humilhado, desmontado, mas com a energia de quem superou todas as crises, a crise da República Velha, a ditadura do Estado Novo, o golpe de 64, a hiperinflação dos 80, o câmbio dos 90, o entreguismo do período tucano, a megalomania do fim do governo petista e, principalmente, a mais espúria aliança antinacional da história, no qual as corporações públicas, juízes e procuradores, se aliaram a uma mídia anacrônica e mercantil e um mercado sem noção de limites, para assaltar o orçamento público e destruir a auto-estima nacional.
Que 2018 marque o início da retomada civilizatória.
Feliz Ano Novo.
https://jornalggn.com.br/noticia/feliz-ano-novo-por-luis-nassif