Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

domingo, 29 de outubro de 2017

Afinal, qual é “A cara da Morte?”

por Claudio Santana Pimentel


Afinal, qual é “A cara da Morte?”: leitura de um estudo sobre o imaginário de sepultadores em São Paulo
por Claudio Santana Pimentel
Aproxima-se o Dia de Finados, originalmente, tempo de reflexão sobre o limiar entre a vida e a morte; para nós, pretensamente laicos, apenas mais um feriado, a nos aliviar do peso dos compromissos cotidianos. Na verdade, apenas a adiá-los. Talvez a reflexão seja mais ainda necessária, sobretudo em tempos onde tudo parece desmoronar, certezas parecem inexistir. A única certeza a persistir, entretanto, parece ser justamente a certeza da Morte.
Retomo a leitura de A Cara da Morte: os sepultadores, o imaginário fúnebre e o universo onírico, resultado da pesquisa de Mestrado de Clarissa de Franco no Programa de Ciência da Religião da PUC-SP. Clarissa doutorou-se no mesmo Programa com instigante tese sobre o ateísmo contemporâneo, que espero ver publicada em futuro próximo. Atualmente, tem se dedicado a temas como a laicidade e o feminismo islâmico, revelando-se uma pesquisadora competente, sensível e respeitosa com os participantes de seus estudos.
Em sua primeira obra relevante, Clarissa, psicóloga por formação e ofício, investigou as representações de sepultadores em cinco cemitérios na cidade de São Paulo. Diante de um universo tão amplo quanto o que a humanidade pensa sobre a morte, escolheu um caminho original e criativo, que se revela mais importante ainda ao trazer, para primeiro plano, a visão daqueles que, estando presentes aos últimos momentos de tantos, trabalhando, são invisibilizados, como em geral o são os trabalhadores que cumprem as funções mais humildes. Aspecto que não escapou à autora.
Vale a pena retomar sua hipótese inicial: “o fato de os sepultadores trabalharem diretamente com a questão da morte do outro faz com que tenham uma atitude religiosa e ideológica peculiar frente à morte. Supunha-se inicialmente que eles vivenciassem em seu íntimo uma exacerbação dos sentimentos, medos e angústias em relação à morte, o que não necessariamente corresponderia à sua atitude exterior. E o campo do imaginário seria o espaço em que acreditávamos poder perceber essas divergências de discursos e percepções” (p. 8).
Dividida em quatro capítulos, a obra se inicia com um estudo sobre o imaginário de morte na antiguidade, privilegiando a dimensão simbólica, partindo de um referencial teórico de base junguiana, dialogando com a Antropologia e a História, o que lhe permitiu perceber modulações, diferenças, transformações e rupturas nos símbolos elaborados para lidar com a morte. Sobretudo, interessa-lhe as narrativas construídas sobre a morte, no Egito antigo, na Grécia e em Roma, e entender como estas contribuíram para uma concepção da relação vida-morte: “pode-se dizer que existe uma ênfase no processo pós-morte, nos ambientes para onde a alma se destina, no processo de preparação para a outra vida” (p. 75).
No segundo capítulo, enfrenta o imaginário cristão medieval sobre a morte, fundamental para se compreender as concepções ocidentais sobre o tema. A ideia do julgamento, que não se refere somente ao Juízo Final, mas abre-se para o julgamento individual de cada um. Concepção que se desenvolveu lentamente, e que, pode-se dizer, é fundamental para compreender as origens da moderna noção de individualidade e de liberdade. Enfrenta o tema do medo, dos horrores do inferno e do temor de um Deus punitivo, e como isto deu origem a uma pedagogia da morte, uma arte do morrer, que consistia numa aprendizagem sobre como se deve viver e morrer. Se a individualidade está sendo gerada e estruturada no Medievo, ainda há uma forte demanda social e coletiva sobre pensamentos e ações, que se manifesta no esforço da Igreja ocidental para adaptar as concepções populares sobre o além-vida às suas próprias. Chegando à modernidade europeia, destaca o impacto da secularização e da morte vista cada vez mais como questão individual.
O terceiro capítulo enfrenta a transposição do imaginário popular tardo-medieval ibérico para o Brasil, influenciado pelas concepções indígenas e africanas. O escravizado africano morria duas vezes, considerando-se a travessia do Atlântico uma primeira morte. Devido à importância dos antepassados para sua concepção de mundo, a imposição do cristianismo foi também nesse aspecto uma violência terrível, retirando-lhe a possibilidade de cultuá-los, ao menos publicamente. Teve o escravizado africano que adaptar-se às possibilidades que a sociedade colonial oferecia. A afetividade com os santos, característica da religiosidade brasileira popular, talvez fosse incompreensível se desvinculada da concepção africana de ancestralidade. A dimensão de afeto não pode ser reduzida à relação hierárquica medieval de senhor-vassalo. Por sua vez, a ritualística mortuária indígena permitia reorganizar aquela sociedade diante da perda sofrida. A morte no Brasil colonial e imperial fazia parte da vida, do cotidiano, como percebe a autora ao discutir a presença e a intervenção dos mortos no mundo dos vivos, recurso constante em narrativas populares e na literatura de folhetos, ou cordel. Poderia ter explorado o fato que mesmo um autor brasileiro contemporâneo erudito, como Érico Veríssimo, trouxe os mortos para o convívio dos vivos, em seu Incidente em Antares, onde mortos insepultos voltam para acertas as pendências da vida. Encerra o capítulo apresentando os cemitérios paulistanos em que realizou a pesquisa de campo.
O capítulo final coloca o leitor diante do imaginário dos sepultadores, a partir de seus relatos. Percebe-se a relação ambígua com o tema da morte, presença diária em seu ofício, mas ao mesmo tempo evitado no discurso. “Quando a gente sai do cemitério, a gente não pode ficar pensando em morte, se não, não vivemos” (p. 174). O desconforto é percebido pela pesquisadora diante das indagações que lhes faz. A autocompreensão e a explicitação dos preconceitos que sofrem por sua profissão também aparecem em suas falas. O estudo de Clarissa ofereceu a essas pessoas a rara oportunidade de reivindicarem sua humanidade, diante de uma sociedade que não os reconhece e, quando o faz, parece não se importar. Ao indagar por suas convicções religiosas, apreendia-se o predomínio de uma visão cristã, ainda característica do Brasil urbano contemporâneo, com opções entre o catolicismo, o pentecostalismo e a indefinição religiosa ou a declaração de não pertencimento religioso. Mesmo esses, no entanto, apresentavam em suas concepções traços da religiosidade cristã. Por outro lado, católicos ou pentecostais, organizavam suas convicções religiosas a partir de sua experiência pessoal, comportamento tipicamente moderno. Especialmente importante para a compreensão dessas concepções são os relatos de sonhos e de suas sensações: “a dificuldade de abordar o tema da morte mostra a sua contrapartida inconsciente e simbólica: seus sonhos trabalham para representar essa morte sem cara, silenciosa, da qual não se pode falar. Seus medos e angústias vestem a roupa onírica e falam, no único espaço que possuem para se manifestar” (p. 230). Questão que a autora coloca ao final, sem rodeios, como é sua característica: ao desumanizar o sepultador, reduzindo-o ao seu ofício e negando-se a vê-los como pessoas, a sociedade transfere para estes o lidar com a morte. Não somente o sepultar, mas livra-se também do ônus que o pensar a morte exige de nós. Numa relação moderna, capitalista, é como se, ao remunerarmos alguém para trabalhar com a morte, transferíssemos todos os encargos, não somente os físicos, mas sobretudo os simbólicos, que no caso são muitos e muitíssimos pesados, nos isentando, nessa troca, de qualquer responsabilidade.
Clarissa deixa-nos diante do rosto, ainda que encoberto, da cara da morte. Cara que pretendemos a todo custo evitar. Face que, modernos e laicos que pretendemos ser, desaprendemos como lidar. Se o enfrentamento da morte foi, como sugere Clarissa em seu livro, fundamental para o desenvolvimento simbólico da humanidade, reencarar a morte parece condição necessária se quisermos nos reumanizarmos.
FRANCO, Clarissa de. A cara da morte: os sepultadores, o imaginário fúnebre e o universo onírico. Aparecida, SP: Ideias & Letras, 2010.

sábado, 28 de outubro de 2017

HITLER PODE TER SE ESCONDIDO NA COLÔMBIA APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL

Uma fotografia de 1954 poderia dar credibilidade às teorias de que o líder nazista Adolf Hitler simulou o seu suicídio e fugiu para a América Latina, onde ele teria escondido sua identidade real sob o nome de Adolf Schrittelmayor; no meio da grande desclassificação dos documentos da CIA e do FBI relacionados ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, o interesse em outras figuras históricas, figuras de documentos previamente desclassificados pelas agências de inteligência dos EUA, foi alimentado; assim, a atenção de vários meios de comunicação se concentrou em um arquivo da CIA que parece confirmar as teorias que Adolf Hitler fugiu para a América Latina após a Segunda Guerra Mundial.
Uma fotografia de 1954 poderia dar credibilidade às teorias de que o líder nazista Adolf Hitler simulou o seu suicídio e fugiu para a América Latina, onde ele teria escondido sua identidade real sob o nome de Adolf Schrittelmayor; no meio da grande desclassificação dos documentos da CIA e do FBI relacionados ao assassinato do ex-presidente John F. Kennedy, o interesse em outras figuras históricas, figuras de documentos previamente desclassificados pelas agências de inteligência dos EUA, foi alimentado; assim, a atenção de vários meios de comunicação se concentrou em um arquivo da CIA que parece confirmar as teorias que Adolf Hitler fugiu para a América Latina após a Segunda Guerra Mundial

https://www.brasil247.com/pt/247/mundo/324740/Hitler-pode-ter-se-escondido-na-Col%C3%B4mbia-ap%C3%B3s-a-Segunda-Guerra-Mundial.htm

sábado, 7 de outubro de 2017

Em meio ao deserto, eis que surge Haddad e a esperança de que o Brasil tem jeito

Em meio ao deserto, eis que surge Haddad e a esperança de que o Brasil tem jeito

por Walter Santos, publisher da Revista NORDESTE e do Portal WSCOM
Quem esteve em João Pessoa durante a semana finda em uma série de Palestras com setores intelectuais da cidade discutindo a ocupação ordenada da Urbe, formas de uso da Política na direção do bem coletivo e os efeitos do desmonte das Políticas Culturais é o pós Doutor Fernando Haddad, ex-prefeito de São Paulo, demonstrando estar preparado para, se for preciso, mostrar que o Brasil tem jeito de se resolver. Fez o que andara fazendo dias atrás em Recife, ou seja, ampliando seu network.
Haddad se impõe na cena por ele próprio, embora seu futuro passe por diversos outros fatores, entre os quais a conjuntura jurídico - política em torno de Lula, que se não for apeado como o Juiz Sérgio Moro sinaliza, é o ex-prefeito paulista quem reúne as condições básicas de uma cara nova, estilo diferenciado e domínio tático do uso proativo da política na direção, repito, do bem coletivo.
Sem tirar nem por, ele expõe com clareza princípios e formas de ação à base conceitual do filósofo alemão Max Weber, segundo o qual, a solução está na Política - diria mais com P maiúsculo.
Além do conceito, a práticaNo Teatro de Arena, em João Pessoa, Haddad se expôs por inteiro com domínio sereno e seguro sobre o fazer político a partir de atitudes próprias, diferenciadas e apropriadas ao novo tempo, como ele exerce ao, por exemplo, optar por não ter veículo particular e fazer uso diário das opções públicas, como Uber, ônibus, metrôs, etc.
É que em torno dele e de sua vida está o conceito de Ser social com base em nova postura contemporânea na qual é possível adotar Políticas de solução para o Bem coletivo à base de decisões difíceis, mas sensatas, de não apego ao Poder sabendo fazer uso dele em benefício da coletividade e não do interesse particular ou de fazer da Política um balcão de negócios.
Como ele encarou a derrota
O ex-prefeito tem noção exata do tsunami que o afetou em cheio em 2016 na avalanche de preconceitos contra o PT, diante da onda de ódio às políticas de inclusão sob argumento da falsa moral contra a corrupção, mas nem por isso deixa de entender o revezamento político como elemento importante para a Democracia.
Para ele, em algum tempo seria fundamental o PT entender que algum tempo haveria de deixar o Poder, pois faz parte do processo político, daí sua crítica dura a Temer e Aécio que não souberam esperar e alcançar o Poder por meios lícitos preferindo construir o Golpe.
Haddad sabia tanto dos efeitos e da iminente derrota que, mesmo assim, não parou de experimentar com Políticas ousadas em São Paulo, sobretudo na mobilidade urbana com resultados fantásticos, mas duramente atacados à época pela elite e taxistas paulistas.
Formas de mudar para melhor
Pela primeira vez, depois de décadas, Haddad ousou encarar e modificar o Plano Diretor de São Paulo servindo-se de novos conceitos sobre a Urbe, seus principais interessados - a população, e as Políticas Públicas direcionadas ao futuro da cidade à base de mudanças sólidas priorizando o Coletivo no uso dos bens e das próprias políticas.
Exemplo clássico: na Mobilidade Urbana, grave problema das urbes e em especial de São Paulo, Haddad simples fez uso do que está no Código nacional, no qual se prioriza primeiro o Pedestre, o Ciclista, o Transporte Público para, em último plano, estar o Veículo de uso particular.
Isto chama-se novo ordenamento e conceito cultural de Políticas Públicas com base em decisão Política difícil, mas corajosa e indispensável para o bem coletivo de São Paulo, e não só dos ricos dos Jardins.
Haddad assanhou a elite e os taxistas ao adotar limite de velocidade, faixas exclusivas e acatar o Uber como alternativa de transporte, pagou o preço da ousadia, mas os dados estatísticos provam com a redução dos acidentes e melhor agilidade do trânsito que ele estava certo.
Progressista além do PT
Embora seja Político com desapego ao Poder pelo Poder, Fernando Haddad se insere no contexto nacional como o melhor quadro além de Lula, sem dúvidas o mais preparados dos presidentes e líderes políticos.
Mas Haddad vai além do PT e seus avanços e vacilos porque sua postura amplia o leque e diálogo com os diversos segmentos sociais porque sua escala de valores não se fixa nem se pontua ao campo restrito do sindicalismo, mesmo importante, porque a sociedade é muito maior e ele tem base de convivência e negociação claras.
Trocando em miúdos, quando o Brasil conhecer Fernando Haddad do Oiapoque ao Chuí então a partir desse instante certamente seu nome será lembrado e ungido como pronto e preparado para presidir o Pais por mérito e domínio da Política na direção do bem Coletivo.
https://www.brasil247.com/pt/colunistas/geral/321262/Em-meio-ao-deserto-eis-que-surge-Haddad-e-a-esperan%C3%A7a-de-que-o-Brasil-tem-jeito.htm