Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

sábado, 29 de agosto de 2015

Equipe da Nasa viverá isolada por um ano

Equipe da Nasa viverá isolada por um ano para simular vida em Marte

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Image captionIsolamento de um ano será o mais longo do tipo
Uma equipe da Nasa se mudou na sexta-feira para um local inusitado: durante um ano, seis pessoas irão viver isoladas perto de um vulcão inativo no Havaí para simular o que seria a vida em Marte.
A experiência de isolamento será a mais longa do tipo já feita.
Especialistas estimam que uma missão humana ao Planeta Vermelho poderia levar de um a três anos.
A equipe vai viver em uma espécie de cúpula, sem ar ou alimentos frescos e sem privacidade.
Eles se isolaram às 15h no horário local na sexta-feira (22h no horário de Brasília).
Universidade do HavaiImage copyrightUniversidade do Havai
Image captionGrupo terá que vestir roupas de astronauta para ir ao exterior
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Image captionEquipe tem nacionais de Alemanha, França e EUA
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Image captionEstrutura em que eles irão morar tem 11m de diâmetro e 6 m de altura
Credito: BBC
Image captionObjetivo é testar aspecto humano do isolamento
Para sair da estrutura em que vivem - a cúpula tem 11 metros de diâmetro e 6 metros de altura -, eles precisarão usar roupas de astronauta.
Um astrobiológo francês, um físico alemão e quatro americanos - piloto, arquiteto, jornalista e cientista de solo - integram a equipe.
Os homens e mulheres terão uma pequena cama dobrável e uma mesa em seus quartos.
Entre os mantimentos aos quais terão acesso estão queijo em pó e conservas de atum.
Missões à Estação Espacial Internacional costumam durar seis meses. A agência espacial dos EUA realizou recentemente experiências de isolamento de quatro e oito meses de duração.
Enquanto há preocupação com os desafios técnicos e científicos da viagem, as experiências de isolamento abordam o elemento humano da exploração e problemas que surgem quando as pessoas vivem em locais apertados.
"Eu acho que uma das lições é que você realmente não pode evitar conflitos interpessoais. Vai acontecer durante estas missões de longa duração, mesmo com as melhores pessoas", disse Kim Binsted, pesquisador da Nasa.
http://www.bbc.com/portuguese/noticias/2015/08/150829_isolamento_marte_lab

domingo, 23 de agosto de 2015

Balas Juquinha

Juquinha, a bala mais famosa do país, volta ao mercado

Guloseima que causou comoção nacional ao parar de ser fabricada retoma vendas nesta segunda-feira

FRANCISCO EDSON ALVES
Rio - Fim da amargura para os órfãos da bala Juquinha. A partir desta segunda-feira, chega a pelo menos 200 lojas no Rio, e a boa parte do país, o primeiro carregamento de 28 toneladas da nova versão da guloseima, cuja cobiçada fórmula secreta foi comprada pelo empresário carioca Antônio Tanque, de 57 anos, e seu filho, Vítor Tanque, de 25. Em maio, o fechamento da fábrica que produzia a bala, em Santo André (SP), conforme O DIA noticiou com exclusividade, causou comoção nacional, com repercussão até no exterior. 
Na fábrica Florestal Alimentos S/A, em Lajeado (RS), já está sendo produzida parte das cercas de 300 toneladas iniciais da bala Juquinha
Foto:  Ernesto Carriço / Agência O Dia
“Os amantes da Juquinha podem ficar tranquilos. Nunca mais ela faltará nas prateleiras”, garante Vítor. O retorno da distribuição em massa será marcado inicialmente com o sabor mais tradicional, o de tutti-frutti. A partir de outubro, outros quatro — uva, framboesa, morango e maçã-verde — também passarão a ser comercializados. 
Para realizar o sonho de milhões de crianças e adultos, a bala passará a ser exportada para mais de 80 países nos próximos meses, 20 a mais que 2014. Vítor e o pai mudaram os planos na última hora e, em vez de uma empresa de Araras (SP), fecharam um contrato para a produção do confeito em Lajeado, a 120 km de Porto Alegre (RS). 
A Florestal Alimentos S/A, uma das cinco maiores do Brasil, com fabricação de 700 milhões de doces de 400 tipos diferentes por mês, e a maior da América Latina em confecção de pirulitos planos, se comprometeu em entregar 300 toneladas de balas Juquinha ao longo de seis meses. “Participar da realização do sonho de crianças, adultos e idosos, de poder ter acesso novamente a Juquinha, está sendo um doce prazer”, diz o superintendente comercial da Florestal, André Metz. Depois da espera de três meses, para agradar aos consumidores, um mimo: “Nessa primeira série, o sabor tutti-frutti terá o azedinho um pouquinho mais acentuado”, revela o empresário Vítor. 
Vídeo:  A fabricação da bala Juquinha
Para cumprir o contrato com Antônio e Vítor, Metz revela que três segmentos de equipamentos sofreram adaptações. Cada uma das máquinas agora é capaz de cortar a goma no formato quadrado (único brasileiro) e embalar até 600 unidades por minuto. 
A volta da Juquinha ao comércio promete incrementar ainda mais o setor de doces, que só no ano passado alcançou R$ 9,2 bilhões em vendas.
Vendedores e consumidores comemoram o retorno da Juquinha às lojas
Revendedores e consumidores da bala Juquinha estão eufóricos. “Olha quem está de volta!”, anunciou em seu site a Marsil, uma das maiores distribuidoras do país. “Nem acredito!. Oba! O sabor da minha infância voltou!”, comentou a professora de história Inezita Jarbas, 43.
Estampada nas propagandas, caixas, pacotes e papéis que envolvem a bala, a figura do menino Juquinha, mascote da marca, sofreu algumas mudanças, sem perder a essência da imagem do lourinho que a consagrou mundo afora, ao longo de seus 64 anos de existência. Além de roupas mais justas, que o remete à saúde e ao esporte, o garoto deixou de ser rechonchudinho e perdeu as sardinhas das bochechas. Agora aparecerá batendo bola, usando quimono, skate e bicicleta.
“Ele passou a ter mais a ver com saúde e com o pique da Olimpíada Rio 2016”, justifica Vítor. De acordo com o empresário, por enquanto não há como dimensionar quantos postos de trabalho a volta da Juquinha produzirá, mesmo diante da crise econômica. “Indiretamente, temos certeza de que serão milhares, contando com toda a cadeia de produção, distribuição e vendas no país e no estrangeiro”, comenta Vítor, lembrando que hoje o Brasil é o terceiro maior produtor de balas, pirulitos e caramelos do planeta.
Ex-camelô, Antônio Tanque comprou a marca e a fórmula ultrassecreta do italiano Giulio Sofio, 77. Sobre valores, ele desconversa. “A Juquinha só tem dois segredos: a fórmula e as cifras”, diz, adiantando que em breve a marca também passará a confeccionar pirulitos, dropes, balas sem açúcar e chicletes.


http://odia.ig.com.br/noticia/rio-de-janeiro/2015-08-22/juquinha-a-bala-mais-famosa-do-pais-volta-ao-mercado.html

sexta-feira, 21 de agosto de 2015

Analfabetos disfuncionais e as manifestações

Analfabetos disfuncionais e as manifestações, por Maria Fernanda Arruda

Do Correio do Brasil
Por Maria Fernanda Arruda – do Rio de Janeiro
Um brasileiro, em fins do século XIX, competente para ler e escrever, seria um nobre ou até um coronel da Guarda Nacional. Na virada do século, éramos 35% de alfabetizados e, em 1950, apenas 49%. O Brasil somente não foi mais paupérrimo na manipulação das letras e dos números quando a população deixou os campos e chegou às cidades: em 1960, os brasileiros alfabetizados já somavam 60%. Agora, nos nossos tempos, teremos apenas 8% de analfabetos nacionais? Motivo de orgulho? Não. Esse número, apontado e avalizado pelo IBGE, é uma lastimável balela.
A iniciativa de criar um Indicador Nacional de Alfabetismo Funcional no Brasil, medindo diretamente as habilidades da população por meio de testes, foi tomada por duas organizações não-governamentais: a Ação Educativa e o Instituto Paulo Montenegro. As pesquisas que passaram a ser feitas, utilizado o conceito de alfabetismo funcional mostram qual é o quadro real: atinge cerca de 68% da população; somados aos 8% da totalmente analfabeta, resultando em 76% da população que não possui o domínio pleno da leitura, da escrita e das operações matemáticas, ou seja, apenas um em cada quatro brasileiros (25% da população) é plenamente alfabetizado.
Agora sim, fica viável entender as manifestações lastimáveis promovidas nos protestos, aqueles que querem a deposição do governo democrático, a volta da ditadura militar e mais:a morte dos que consideram como seus grandes inimigos. O survey (sondagem de opinião, sem rigorismos estatísticos) realizado por um professor da USP permite o desenho do perfil desse povo, o que é razoavelmente evidente. Trata-se de uma maioria absoluta de indivíduos brancos, com a exclusão de negros e de pobres, gente de faixa etária mais alta, vários tendo chegado à senilidade, muitas mulheres, voyeurssedentos de corpos nus, vendedores ambulantes em trabalho, diversos interessados na carteira e no celular alheios.
Os depoimentos colhidos dessa gente são inacreditáveis, decretando a obsolescência definitiva do Festival da Besteira que Assola o País (Febeapa), obra muito interessante e que retrata as cabeças de generais, coroneis, almirantes e brigadeiros, mentores da ditadura (golpe de 64), mas que se reveste de candura infantil diante da produção que se faz e mostra, na avenida Paulista dos dias atuais. As faixas transportadas pelos “mulas” contratados trazem dizeres sem sentido, escritos em língua que identifica o analfabetismo funcional predominante. Mas não estamos tratando de um segmento social e economicamente privilegiado? Sim, estamos. E as pesquisas também mostram que 38% dos nossos universitários gozam dessa condição: são analfabetos funcionais.
O projeto de massificação do ensino foi parido pela ditadura, sob orientação do Coronel Jarbas Passarinho, com o malfadado MOBRAL, enquanto o ensino de História e outras ciências sociais era substituído por aulas de “educação moral e cívica”. Tempos de “Brasil – ame-o ou deixe-o”, recitado nas aulas obrigatórias de educação física. A ditadura formou milhares e milhares de jovens alienados, coerentes, e que hoje são fascistas. Uma geração de intelectuais que estudava o Brasil foi levada ao ostracismo: Caio Prado Junior, Gilberto Freyre, Sérgio Buarque de Holanda, Celso Furtado, Antônio Cândido, Florestan Fernandes.
O cinema nacional ficou reduzido à produção de pornochanchadas, o teatro foi transformado em forma de lazer que antecede a pizza do sábado à noite, em que pesem os esforços magníficos de Gianfracesco Guarnieri, Zé Celso, Vianinha, Ruth Escobar e outros. A música foi proposta na forma alienadora da “jovem guarda”, perdida nas curvas das estradas de Santos, embora, e exatamente aí, tenha havido a contestação mais séria à violência: Chico Buarque foi o maior exemplo de como a sensibilidade artística e a inteligência cultivada podem ridicularizar a violência dos torturadores assassinos.
O segundo momento de aviltamento do ensino no Brasil veio com os oito anos FHC.
Da mesma forma que privatizaram as empresas do Estado, privatizou-se o ensino. A universidade federal foi empobrecida em quantidade e qualidade; o MEC orientou para que as escolas públicas falissem, sendo substituídas pelas empresas do comércio do ensino. Mais do que nunca, elitizaram-se o ensino e a cultura: os filhos das elites que estudassem nos ótimos colégios particulares, habilitando-se ao doutoramento das universidades públicas ou nas universidades norte-americanas.
Há uma reversão de tendência a partir do primeiro governo Lula, quando o MEC começou a atuar para o fortalecimento da Universidade Federal, incentivando a pesquisa, remunerando de forma digna os professores, criando universidades. O ensino obrigatório de Ciências Sociais, Filosofia e Sociologia volta a ser obrigatório no Ensino Médio. Contemplam-se a Música e as Artes.

Neonazistas, perfilados na última manifestação convocada pela ultradireita, fazem a saudação que  marcou o regime do alemão Adolf Hitler e mostram como reagem os analfabetos desfuncionais, no Brasil

Neonazistas, perfilados na última manifestação convocada pela ultradireita, fazem a saudação que marcou o regime do alemão Adolf Hitler e mostram como reagem os analfabetos disfuncionais, no Brasil

E cometem equívocos e omissões muito sérios. Os chamados “sistemas de ensino”, produzidos por empresas comerciais que negociam suas ações em Bolsa de Valores, bestificam jovens brasileiros com material didático de péssima qualidade e onde o professor fica reduzido à condição humilhante de “repetidor de aula”. A tentativa política de deputados hoje, na era Eduardo Cunha, no sentido de esvaziar o conteúdo do ensino nas escolas, já é uma realidade rotineira. Em meados da década passada, o Sistema de Ensino da Abril Cultural utilizava a revista Veja para caluniar escolas que se preocupavam em transmitir a realidade brasileira aos seus alunos, identificando e acusando professores “comunistas”. A mesma Abril inaugurou o mecanismo de corrupção, junto a prefeituras e prefeitos, facilitando a venda do seu material para consumo nas escolas municipais. Corruptores e corrompidos.
Eis aqui um desafio aos que não entenderam ainda a necessidade de uma Constituição de olhos voltados para o século XXI. O pacto federativo precisa ser revisto radicalmente!
Sobre Educação, a maioria dos Estados e a quase totalidade das prefeituras carecem de condições mínimas para cumprimento das atribuições que lhes são delegadas. A Carta de 1988 adotou uma descentralização irreal e que vai provocando disfunções seriíssimas. Entre as diretrizes elaboradas pelo MEC e a ação política de governadores e prefeitos há um abismo intransponível.
Tanto a incompetência interesseira de políticos regionais como o utilitarismo dos comerciantes do ensino, ambos tornaram absolutamente impossível a modernização do ensino básico. Como resultado dessa paralisia no tempo, as paredes das salas de aula formatam hoje um espaço que sufoca os jovens, expostos às dimensões quase infinitas da Internet que se abrem através do computador. Os adolescentes, aprisionados na escola convencional, ainda encontram liberdade nos espaços dos shopping centers. O que está sendo afirmado aqui fica evidente quando se lembra que as últimas experiências inovadoras significativas no Brasil foram a Universidade de Brasília, com Darcy Ribeiro, e os CIEPS, com Brizola e o mesmo Darcy Ribeiro.
O Direito à Educação é assegurado pela Constituição Federal como um direito fundamental, tendo sido contemplado pela Constituição no artigo 6 º, localizado no capitulo intitulado “Direitos Sociais”. O Ensino Básico (Fundamental + Médio) impõe-se como direito assegurado a todo cidadão brasileiro. Tanto quanto a reforma agrária, ou a limitação do direito de propriedade pelo interesse social … Letras, letras mortas. É bem verdade que os governos de Lula e Dilma se fixaram no ideal do “ensino para todos”. A partir disso, desenvolveu-se e desenvolve-se um esforço orientado por critérios de quantidade, mas não de qualidade.
No afã de formar gente de nível universitário, os governos do PT quase que atingiram o exagero de uma antiga piada: “brasileiro, ao nascer, ganha o título de doutor, aos 18 anos devendo fazer uma opção”. A universalização universitária não será uma utopia desastrada? De novo a mesma preocupação: quantidade; e o que fazem com a qualidade: É baixa, pouca e insuficiente?
Um dos equívocos mais grosseiros foi cometido com a criação do FIES. O Ministro da Educação acaba de corrigir as distorções gritantes de um programa demagógico. Até recentemente, alguns vários bilhões de reais foram destinados ao financiamento de estudantes, em universidades reconhecidas pelo próprio MEC como sendo de qualidade inferior, concentrados nos Estados mais ricos, com financiamento concedido a filhos de famílias de classe-média, para matrícula em cursos de Direito, Administração e similares. O Ministro Renato Janine Ribeiro limitou o uso do benefício a famílias pobres, nas regiões mais pobres do país, para cursos de Engenharia, Medicina e similares, ministrados em escolas que venham merecendo boa conceituação.
Alvíssaras. As coisas vão tomando forma digna,pois tivemos alguns anos de descalabro descompromissado.
Reconhecidamente, o sistema de ensino brasileiro não é menos do que péssimo. Em diversos momentos forma bons profissionais. Mas, praticamente, nunca forma bons cidadãos. Os brasileiros não sabem o que é o Brasil, não conhecem a sua História, recebem informações rudimentares sobre a sua geografia e são ignorantes completos quanto à sua economia, problemas atuais e potencial. Não estão sendo ensinados a pensar, não sabem ler, não leem, carregam uma lastimável preguiça mental.
A pobreza é tal que, mesmo à esquerda, frequentemente se vê o dogmatismo tolo, simplificador de tudo: ‘os que não pensam exatamente como eu penso são fascistas’. Perderam alguns a capacidade de pensar e, de pensar indagativamente. Não há espírito crítico, o que o ensino puramente técnico e de má qualidade não contempla.
O que tudo isso tem a ver com o 16 de agosto? Serve para que se entenda toda aquela gente como o lixo social que as nossas escolas estão deformando. Para pedir a ditadura militar e a morte de políticos desagradáveis, as pessoas precisam passar por um apurado processo de animalização, aquele que o nosso sistema de ensino tem oferecido. O marketing transformando tudo em produto de consumo não durável, consumidores consumíveis, produz o restolho obsoleto do que teria sido um ser, e humano; hoje na avenida são zumbis alucinados.
Enfim, o esforço dos governos Lula e Dilma tem revertido tendências perversas, mas incorpora equívocos. Quem, não apenas os dois, mas pensados todos os que habitam hoje o nosso mundo político, possui competência para distinguir o que é humano daquilo que é simples charlatanismo?
Maria Fernanda Arruda é escritora, midiativista e colunista do Correio do Brasil, sempre às sextas-feiras.
http://jornalggn.com.br/noticia/analfabetos-disfuncionais-e-as-manifestacoes-por-maria-fernanda-arruda

sábado, 8 de agosto de 2015

Relator da OEA diz que regulação da mídia está atrasada na América Latina

Relator da OEA diz que regulação da mídia está atrasada na América Latina


Isabela Vieira - Repórter da Agência Brasil
Os governos da América Latina tiveram pouco sucesso ao enfrentar a falta de pluralidade e de diversidade na mídia, ocasionada pela concentração dos meios de comunicação. A avaliação é do relator especial para a Liberdade de Expressão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA), Edison Lanza.
No Brasil para cumprir agenda com parlamentares e órgãos de governo, ele se reúne segunda-feira (10), em Brasília, com o ministro das Comunicações, Ricardo Berzoini, e com o Assessor Regional de Comunicação eInformação da Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) para o Mercosul e Chile, Guilherme Canela.
 Lanza disse que a ausência de controle sobre a mídia na região, por anos, é uma das origens da falta de pluralidade e diversidade. Assim, com base em acordos internacionais para garantia da liberdade de expressão e de informação, ele defendeu a atuação dos estados, a contragosto de empresas do setor.
“Os meios de comunicação são veículos para o exercício de poder que, agora, se veem com razão muito forte de dizer: 'já tenho direito adquirido aqui, não me toque'”, avaliou. Porém, ponderou, “monopólios ou oligopólios privados ou públicos afetam a liberdade de expressão e é obrigação dos estados fomentar uma comunicação que tenha pluralidade de proprietários e vozes”.
Na região, o relator disse que grupos de mídia tentam polarizar o debate com falsas premissas, principalmente, depois de experiências regulatórias da Argentina, Equador e Uruguai.
No Brasil, a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Suzy dos Santos, afirmou que os oligopólios e monopólios que tentam interditar o debate, alegando que a regulação é uma forma de censura, têm origem no “coronelismo eletrônico”. Segundo ela, no país as mesmas famílias que dominam a política são donas dos meios de comunicação. O efeito, avaliou, é a falta de diversidade de ideias na sociedade a invisibilidade de grupos sociais.
O relator da OEA destacou, ainda, que a regulação deve ser feita sob a perspectiva da democracia e dos direitos humanos, como na Europa e nos Estados Unidos. Nos países onde não há clima, sugere que os primeiros passos se deem por meio de políticas públicas.
“Uma lei [que regula a mídia] é ótima, mas há medidas parciais que podem ser tomadas por meio de atos administrativos como, por exemplo, a reserva de espectro para incluir rádios comunitárias [no dial] com facilidade para que consigam as concessões”, citou. Outra medida pode ser a “orientação para que as polícias e os ministérios públicos não reprimam aqueles que fazem uso da liberdade de expressão” como as rádios comunitárias.“A aplicação do direito penal nesses casos é condenada por ser desproporcional e desnecessária”, afirmou o relator.
Políticas para que a sociedade civil tenha condições de produzir e veicular informação própria também são fundamentais. Edison Lanza contou que, no Uruguai, seu país de origem, onde se aprovou recentemente uma lei para regular a mídia, a principal central sindical do país, ao receber um canal de televisão, avaliou que era caro mantê-lo e cogitou devolvê-lo ao governo.
À espera de mudanças no cenário nacional, um dos organizadores do evento com o representante da OEA, a organização Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social - não vê possibilidade de avanços na aprovação de um marco regulatório no Brasil, tampouco crê em medidas administrativas para enfrentar o monopólio de grupos que interditam o debate.
“Nossa cobrança é pelo que já pode ser feito”, disse Iara Moura, da coordenação executiva da entidade, sobre as leis que impedem a concessão de canais de rádio e televisão a políticos, por exemplo. “Atos administrativos requerem uma boa vontade que, atualmente, o governo brasileiro não tem”, frisou. “A criminalização das rádios comunitárias escancara isso”, completou.
Edição: Kleber Sampaio