Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

terça-feira, 6 de setembro de 2011

Sonsinha


Soninha, uma questão de perda de rumo

Por Walter Decker
06/09/2011 - 10h30
Soninha posa para revista e fala sobre proximidade com Serra
 DE SÃO PAULO
Soninha Francine posou para a revista "Mymag" e falou sobre o período em que foi subprefeita da Lapa e dos rumores sobre sua proximidade com o ex-governador José Serra.
A informação é da coluna Mônica Bergamo publicada na Folha desta terça-feira
 
Sobre sua proximidade ao ex-governador José Serra, Soninha disse que "ele ficou muito abalado". A ex-vereadora afirma ainda que só não ficou nua em um protesto de cicloativistas porque as filhas disseram: "Mãe, não inventa".
Atualmente, a ex-vereadora é superintendente da Sutaco (Superintendência do Trabalho Artesanal nas Comunidades), uma autarquia de artesanato no governo de São Paulo.
Soninha, que foi coordenadora da campanha virtual do tucano José Serra nas eleições presidenciais, recebeu o convite de Davi Zaia (PPS), secretário do Emprego e Relações de Trabalho. Presente na cerimônia de posse, Zaia assumiu a secretaria para preencher a cota do PPS na gestão Geraldo Alckmin (PSDB).

terça-feira, 16 de agosto de 2011

Alzheimer


Sobre o Alzheimer, vale a pena ler mesmo que você não tenha este problema na família.Abs
Roberto Goldkorn é psicólogo e escritor


Meu pai está com Alzheimer. Logo ele, que durante toda vida se dizia 'o Infalível'. Logo ele, que um dia, ao tentar me ensinar matemática, disse que as minhas orelhas eram tão grandes que batiam no teto. Logo ele que repetiu, ao longo desses 54 anos de convivência, o nome do músculo do pescoço que aprendeu quando tinha treze anos e que nunca mais esqueceu: esternocleidomastóideo.

O diagnóstico médico ainda não é conclusivo, mas, para mim, basta saber que ele esquece o meu nome, mal anda, toma líquidos de canudinho, não consegue terminar uma frase, nem controla mais suas funções fisiológicas, e tem os famosos delírios paranóicos comuns nas demências tipo Alzheimer.


Aliás, fico até mais tranqüilo diante do 'eu não sei ao certo' dos médicos; prefiro isso ao 'estou absolutamente certo de que....', frase que me dá arrepios.

E o que fazer... para evitarmos essas drogas?

Como?

Lendo muito, escrevendo, buscando a clareza das idéias, criando novos circuitos neurais que venham a substituir os afetados pela idade e pela vida 'bandida'.

Meu conselho: é para vocês não serem infalíveis como o meu pobre pai; não cheguem ao topo, nunca, pois dali só há um caminho: descer. Inventem novos desafios, façam palavras cruzadas, forcem a memória, não só com drogas (não nego a sua eficácia, principalmente as nootrópicas), mas correndo atrás dos vazios e lapsos.

Eu não sossego enquanto não lembro do nome de algum velho conhecido, ou de uma localidade onde estive há trinta anos.. Leiam e se empenhem em entender o que está escrito, e aprendam outra língua, mesmo aos sessenta anos.

Coloquem a palavra FELICIDADE no topo da sua lista de prioridades: 7 de cada 10 doentes nunca ligaram para essas 'bobagens' e viveram vidas medíocres e infelizes - muitos nem mesmo tinham consciência disso.

Mantenha-se interessado no mundo, nas pessoas, no futuro. Invente novas receitas, experimente (não gosta de ir para a cozinha? 
Hum... Preocupante). Lute, lute sempre, por uma causa, por um ideal, pela felicidade. Parodiando Maiakovski, que disse 'melhor morrer de vodca do que de tédio', eu digo: melhor morrer lutando o bom combate do que ter a personalidade roubada pelo Alzheimer.

Dicas para escapar do Alzheimer:

Uma descoberta dentro da Neurociência vem revelar que o cérebro mantém a capacidade extraordinária de crescer e mudar o padrão de suas conexões.

Os autores desta descoberta, Lawrence Katz e Manning Rubin (2000), revelam que NEURÓBICA, a 'aeróbica dos neurônios', é uma nova forma de exercício cerebral projetada para manter o cérebro ágil e saudável, criando novos e diferentes padrões de atividades dos neurônios em seu cérebro. Cerca de 80% do nosso dia-a-dia é ocupado por rotinas que, apesar de terem a vantagem de reduzir o esforço intelectual, escondem um efeito perverso; limitam o cérebro.

Para contrariar essa tendência, é necessário praticar exercícios 'cerebrais' que fazem as pessoas pensarem somente no que estão fazendo, concentrando-se na tarefa. O desafio da NEURÓBICA é fazer tudo aquilo que contraria as rotinas, obrigando o cérebro a um trabalho adicional.
Tente fazer um teste:
- use o relógio de pulso no braço contrário;
- escove os dentes com a mão contrária da de costume;
- ande pela casa de trás para frente; (vi na China o pessoal treinando isso num parque);
- vista-se de olhos fechados;
- estimule o paladar, coma coisas diferentes;
- veja fotos de cabeça para baixo;
- veja as horas num espelho;
- faça um novo caminho para ir ao trabalho.

A proposta é mudar o comportamento rotineiro!
Tente, faça alguma coisa diferente com seu outro lado e estimule o seu cérebro. Vale a pena tentar!
Que tal começar a praticar agora, trocando o mouse de lado?
Que tal começar agora enviando esta mensagem, usando o mouse com a mão esquerda?
FAÇA ESTE TESTE E PASSE ADIANTE PARA SEUS (SUAS) AMIGOS (AS).
'Critique menos, trabalhe mais. E, não se esqueça nunca de agradecer!'
Sucesso para você!!!
A cada 1 minuto de tristeza perdemos a oportunidade de sermos felizes por 60 segundos.
 
Obs.: Esta mensagem foi enviada por mim, com a mão esquerda.

Copiei isso de um e-mail que recebi de um amigo.

sábado, 16 de julho de 2011

O poder da fé

Allan Kardec – O Evangelho Segundo o Espiritismo
1. Quando ele veio ao encontro do povo, um homem se lhe aproximou e, lançando-se de joelhos a seus pés, disse: Senhor, tem piedade do meu filho, que é lunático e sofre muito, pois cai muitas vezes no fogo e muitas vezes na água. Apresentei-o aos teus discípulos, mas eles não o puderam curar. – Jesus respondeu, dizendo: Ó raça incrédula e depravada, até quando estarei convosco? Até quando vos sofrerei? Trazei-me aqui esse menino. – E tendo Jesus ameaçado o demônio, este saiu do menino, que no mesmo instante ficou são. – Os discípulos vieram então ter com Jesus em particular e lhe perguntaram: Por que não pudemos nós outros expulsar esse demônio? – Respondeu-lhes Jesus: Por causa da vossa incredulidade. Pois em verdade vos digo, se tivésseis a fé do tamanho de um grão de mostarda, diríeis a esta montanha: Transporta-te daí para ali e ela se transportaria, e nada vos seria impossível. (S. MATEUS, 17:14 a 20.)

2. No sentido próprio, é certo que a confiança nas suas próprias forças torna o homem capaz de executar coisas materiais, que não consegue fazer quem duvida de si. Aqui, porém, unicamente no sentido moral se devem entender essas palavras. As montanhas que a fé desloca são as dificuldades, as resistências, a má vontade, em suma, com que se depara da parte dos homens, ainda quando se trate das melhores coisas. Os preconceitos da rotina, o interesse material, o egoísmo, a cegueira do fanatismo e as paixões orgulhosas são outras tantas montanhas que barram o caminho a quem trabalha pelo progresso da Humanidade. A fé robusta dá a perseverança, a energia e os recursos que fazem se vençam os obstáculos, assim nas pequenas coisas, que nas grandes. Da fé vacilante resultam a incerteza e a hesitação de que se aproveitam os adversários que se têm de combater; essa fé não procura os meios de vencer, porque não acredita que possa vencer.

3. Noutra acepção, entende-se como fé a confiança que se tem na realização de uma coisa, a certeza de atingir determinado fim. Ela dá uma espécie de lucidez que permite se veja, em pensamento, a meta que se quer alcançar e os meios de chegar lá, de sorte que aquele que a possui caminha, por assim dizer, com absoluta segurança. Num como noutro caso, pode ela dar lugar a que se executem grandes coisas. 

A fé sincera e verdadeira é sempre calma; faculta a paciência que sabe esperar, porque, tendo seu ponto de apoio na inteligência e na compreensão das coisas, tem a certeza de chegar ao objetivo visado. A fé vacilante sente a sua própria fraqueza; quando a estimula o interesse, torna-se furibunda e julga suprir, com a violência, a força que lhe falece. A calma na luta é sempre um sinal de força e de confiança; a violência, ao contrário, denota fraqueza e dúvida de si mesmo.

4. Cumpre não confundir a fé com a presunção. A verdadeira fé se conjuga à humildade; aquele que a possui deposita mais confiança em Deus do que em si próprio, por saber que, simples instrumento da vontade divina, nada pode sem Deus. Por essa razão é que os bons Espíritos lhe vêm em auxílio. A presunção é menos fé do que orgulho, e o orgulho é sempre castigado, cedo ou tarde, pela decepção e pelos malogros que lhe são infligidos.

5. O poder da fé se demonstra, de modo direto e especial, na ação magnética; por seu intermédio, o homem atua sobre o fluido, agente universal, modifica-lhe as qualidades e lhe dá uma impulsão por assim dizer irresistível. Daí decorre que aquele que a um grande poder fluídico normal junta ardente fé, pode, só pela força da sua vontade dirigida para o bem, operar esses singulares fenômenos de cura e outros, tidos antigamente por prodígios, mas que não passam de efeito de uma lei natural. Tal o motivo por que Jesus disse a seus apóstolos: se não o curastes, foi porque não tínheis fé.

http://blogluzevida.blogspot.com/2010/12/o-poder-da-fe.html

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Serra acabou, a intolerância persiste


 Um dos recursos de legitimação mais utilizados pela velha mídia é o da criação de Vampiros: o político que encarna o mal, tem sete vidas, sempre volta para assombrar, deixando a opinião pública assustada e confiante de que apenas a mídia será capaz de defendê-la.
Após a redemocratização, foram candidatos a Vampiro da vez sucessivamente Paulo Maluf, Orestes Quércia, ACM não, Fernando Collor, Renan Calheiros, José Sarney e, mais recentemente, Lula - apesar de sua enorme aceitação popular.
Nos últimos dois anos, porém, a realidade política impôs José Serra como candidato efetivo a vampiro da vez - mesmo tendo o apoio dos caçadores de vampiros. E aí por razões objetivas. Sua vitória nas eleições significaria mergulhar o país em uma noite de São Bartolomeu, em um banho (simbólico) de sangue, em uma guerra que racharia inexoravelmente a vida nacional.
Pois o Vampiro não morreu, porque não era Serra. Este foi apenas um instrumento, um desmiolado de voo curto, um ambicioso sem escrúpulos que colocou biografia, amigos, lealdades a serviço do verdadeiro Vampiro: o clima de intolerância que sacode o Brasil há vários anos, como ferramenta política única de oposição.
Hoje em dia, Serra parece cada vez mais o empregado do vampiro, aquele personagem que frequenta o palácio do Drácula com andar trôpego, pronunciando frases desconexas, se ajeitando sempre que vê uma máquina fotográfica ou uma câmera de TV. Quem conhece os meandros da imprensa sabe que, por trás da suposta blindagem que ainda cerca Serra, ele se tornou o personagem preferencial de fotógrafos e editores para fotos em posição ridícula - é a maneira sutil com que o jornalismo enterra seus mortos.
O enterro simbólico se deu hoje, com a publicação do primeiro artigo de Aécio Neves como colunista da Folha. A empresa deve muito a Serra. O jornal retribuiu durante a campanha. No final, percebeu que Serra tinha se tornado  peso excessivo. Quando a atenção total do Brasil se concentrava em sua figura - na qualidade de candidato a presidente - veio à tona o dissimulado, o pregador maluco acenando com o fogo do inferno, invadindo casas simples para ler a Bíblia, pedindo ostensivamente cabeça de jornalistas.
As mudanças de Serra
Antes de expor sua verdadeira personalidade, Serra era um político que conseguia encontrar o eixo nas ideias de meia dúzia de personagens próximos. Na economia, nos desenvolvimentistas da Unicamp e da UFRJ, em Lessa, Conceição, Belluzzo; no campo industrial, em Paulo Cunha, do grupo Ultra; na saúde, colou em David Capistrano que lhe permitiu construir sua grande obra pública; nas finanças públicas, no grande José Roberto Afonso - apesar de Serra ter passado a vida vendendo a falsa ideia de que foi o criador dos modernos modelos de orçamento público (que existem desde 1964); na inovação, em um grupo de tecnólogos da Unicamp.
Enganou a quase todos apresentando-se como o grande campeão capaz de colocar os conceitos em prática, o anti-Malan, o anti-FHC que faria acontecer. Sua frase predileta era: "Eu faço acontecer".
A decepção com Serra surgiu já no governo do Estado. Gradativamente, sua não-atuação passou a expor o vazio de ideias e ação. Em plena crise de 2008, aplicou um arrocho fiscal no Estado. Nos momentos mais graves de seu governo, fugiu.
Foi assim nas enchentes que destruíram São Luiz do Paraitinga e inundaram São Paulo. Não participou de uma reunião sequer - repito, de nenhuma reunião sequer - com a Defesa Civil do Estado. Levou três dias para se pronunciar e o máximo que fez foi uma twittada dizendo estar tomando providências.
Foi Serra o grande responsável pelas enchentes, ao cortar os investimentos no desassoreamento do rio Tietê. Mas fez com que a conta fosse jogada em Kassab e nos munícipes "que jogam lixo nas ruas".
O mesmo aconteceu na crise de 2008. Empresários e centrais sindicais tentando marcar reunião para enfrentar a crise. E Serra isolado no seu gabinete, fugindo, aumentando impostos através da substituição tributária. Só aceitou recebê-los quando veio o aviso de que estava sendo preparada uma manifestação na frente do Palácio Bandeirantes, de industriais e sindicalistas.
No episódio da invasão da USP, revelou-se seu traço mais marcante e negativo: o do valente nas sombras. Definiu-se uma diretriz importante, a de alinhar universidades e institutos com metas do Estado. Faltaram as metas. Em seus quatro anos de governo, em nenhum momento o "desenvolvimentista" Serra, o homem do PPA (Plano Plurianual) logrou construir um documento sequer que definisse diretrizes para São Paulo, vocações, metas.
O que pretendia das Universidades era apenas o de impor seu tacão, mandar, desmontar - como fez na Cultura, com o infeliz João Sayad. Colocou um Secretário truculento, a USP reagiu, Serra estimulou a reitora e chamar a PM. Quando sobreveio o conflito, deixou a reitora exposta aos lobos, tirou o secretário infeliz, colocou um mais jeitoso. Mas abandonou completamente a ideia da coordenação de pesquisas. Bastava surgir um obstáculo para Serra desistir.
O episódio da greve da Polícia Civil foi similar. O embate ocorreu devido à resistência de Serra em receber representantes da categoria. Cortou o diálogo até que explodiu o conflito. Na semana seguinte, o valente Serra concedeu redução de prazo de aposentadoria para os policiais.
Na área de inovação, mesmo tendo como aliados os principais nomes do governo FHC, nada fez. Um dia indaguei de um desses oficiais da inovação a razão de nada andar em São Paulo. E ele, desanimado: "O homem (Serra) tem implicância com a Universidade".
O desmonte atual da TV Cultura e o aparelhamento da Secretaria da Cultura é apenas o ato final de sua participação no governo do Estado.

O comandante das trevas

O único campo em que Serra agia com naturalidade era nos bastidores, articulando as piores baixarias que a política brasileira já testemunhou. Numa ponta, alimentava seus criadores de dossiês. Na outra, se alinhou com o pior esgoto que a imprensa brasileira produziu. Através dessas manobras, conseguiu que blogueiros e parajornalistas de grandes publicações atacassem um a um os "inimigos" criados por sua imaginação: José Anibal, Franklin Martins, Eliane Cantanhede (com quem invocava na época), Kennedy Alencar, Geraldo Alckmin, Aécio Neves.
Ao mesmo tempo, convenceu os jornalões a participarem do episódio mais desgastante da moderna história da mídia: a defesa de Daniel Dantas no caso Satiagraha. Todos os que ousaram apontar Dantas como financiador de Marco Valério foram fuzilados pelos próprios companheiros. Um lobista de quinta categoria foi alçado à condição de "pensador político", para que os podres de Serra, que veiculava, pudessem ganhar eficácia.
Não se poupou nada. Atacaram jornalistas, seus familiares, expuseram suas esposas, espalhando uma infâmia ampla pela rede. E todos os autores eram ligados umbilicalmente a Serra.
A pá de cal na biografia de Serra será a elucidação final de suas relações com Dantas.
A senilidade política de Serra não poupou nenhum dos seus seguidores. Muitos, especialmente os novos aliados da mídia, foram seduzidos pela promessa de serem os novos donos do Brasil. O festival de deslumbramento, o oba-oba recíproco com que se saudavam a cada lançamento de livro da "turma", a facilidade com que montavam redes de assassinato de reputação - não apenas de adversários políticos de Serra, mas de pessoas do meio artístico, escritores, intelectuais com quem tivessem desavenças ou mera inveja - entrará nos anais da imprensa brasileira, como um de seus momentos mais deploráveis.
Mas não apenas eles. Aliados antigos, alguns com bela biografia, acabaram induzidos a atos canalhas, como se a prova de lealdade fosse o de cometer um ato vil em benefício do chefe. O que explica um sujeito com a biografia de Luiz Antonio Marrey Filho, Secretário de Justiça de Serra, pressionar o jornal "Valor" até o limite, para publicar um artigo em que acusava uma jornalista de estar a serviço da indústria do tabaco? O "crime" da jornalista foi ter criticado o instituto da delação na Lei do Fumo. Apenas isso.
Daqui para frente, só restará o Serra "comandante das trevas". Cada vez mais deixará de ser personagem dos jornais, mas continuará alimentando-os com dossiês. Seus comandados, agora, não são mais colunistas da velha mídia, mas "trolls" de Internet - enquanto puder mantê-los com as verbas da Secretaria da Cultura.

Os novos velhos tempos

Não cometerei a tolice de comparar esse clima com o nazismo e Serra com Hitler. Mas mostra com notável didatismo como as circunstâncias geram personagens improváveis.
O que ocorreu com parte do Brasil nos últimos anos espelha de forma ampla a "psicologia de massa do fascismo". Aliás, não apenas com o Brasil. Aqui se repetiu com notável exagero o que foram os Estados Unidos na campanha de Obama, o que são os movimentos xenófobos na Europa. São tempos de profundas transformações que trazem, no bojo, as sementes da intolerância: a resistência dos que não querem ceder aos que sobem; a impaciência dos que querem subir.
Serra foi apenas o ator destrambelhado de um enredo que não foi ele quem criou.
Serve apenas como caricatura para comprovar como as circunstâncias agem sobre a história. De repente, um político que se presumia racional, com história, uma vida política algo medrosa, mas cartesiana, se dá conta das circunstâncias e expõe seu lado mais doentio - que era apenas pressentido de leve no período da suposta "normalidade". Até onde teria ido se uma tragédia o colocasse no comando do país?
Digam aí, Lessa, Conceição, Belluzzo, eu mesmo, quando poderíamos supor que aquele Serra lá de trás, que fazia profissão de fé no desenvolvimentismo, na sensibilidade social, pudessem aflorar dessa maneira?

Serra-FHC

Em todo esse processo, só não consegui entender ainda completamente as relações FHC-Serra. Na entrevista à revista Piauí, em algumas manifestações esporádicas, FHC - com sua inteligência e acuidade - sempre foi a pessoa que melhor entendeu as fraquezas de Serra. Muitas vezes relutou em apoiá-lo. Sequer queria indicá-lo Ministro. Aliás, tenho parcela da culpa com uma coluna de dezembro de 1994, quando critiquei acerbamente FHC por temer Ministros com luz própria no seu Ministério.
Nas eleições de 2002, Serra dizia ter sido boicotado por FHC porque este supostamente saberia que seu (de Serra) governo seria muito melhor que o dele. Puro autoengano.
FHC sabia mais do que ninguém que Serra nunca teve luz própria e possuía características perigosas em um governante – a pior delas, o ódio permanente contra qualquer pessoa que ousasse criticá-lo.
O que teria levado FHC a apoiar Serra como candidato à presidência, em detrimento de um candidato muito mais competitivo, como Aécio Neves? Tenho para mim que foi a herança emocional de dona Ruth Cardoso e a emotividade que a idade traz para as pessoas, as lembranças de exílio, sei lá.
Serra se foi. O clima que o cercou continua.
Nos próximos anos, a intolerância continuará sendo a marca principal da política brasileira, nos dois lados do muro. Qualquer político que se aventure a campeão das oposições, por mais cordato que seja, acabará atraído pela massa crítica da intolerância, pelo menos até que se esgotem os princípios que nortearam a era Lula. Na outra ponta, haverá acirramento das posições políticas de grupos mais à esquerda do governo em relação à própria dinâmica de tentativa de preparar o segundo tempo do modelo. E a fome de sempre dos que rodeiam o poder.
Enfim, um belo desafio para a consolidação da democracia brasileira, com novos personagens vergando o fardão de vampiro.
Mas o verdadeiro vampiro sendo a intolerância que continua permeando a vida política nacional.

quarta-feira, 29 de junho de 2011

Serra buscou com EUA tecnologia para grampear


Atualizado às 14h45
Nassif,
Durante toda essa semana a pública divulgará em seu site alguns dos telegramas sigilosos da embaixada americana que estão em posse do Wikileaks.
Um desses telegramas já divulgado chama atenção pelo inusitado da informação. Diz respeito a José Serra e suas movimentações em direção ao embaixador americano em busca de ajuda para resolver os problemas de segurança de São Paulo.
Logo que tomou posse do governo de São Paulo Serra teve uma reunião com o embaixador americano para buscar orientação sobre como lidar com os ataques terroristas ao sistema metroviário e de trens metropolitanos do Estado, atribuidos ao PCC.
Uma parceria formada a revelia do governo federal. O telegrama deixa claro que funcionários do metrô selecionados pelo governo Serra receberam treinamento dos E.U.A sem conhecimento do Itamaraty.
A insistência de Serra em aprofundar essa parceria e estendê-la para outros setores levou o subsecretário Burns e o embaixador Sobel ressaltarem que seria importante obter aprovação do governo federal e destacaram que o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, “é às vezes sensível quanto a esses assuntos”. O embaixador americano advertiu que “o governo estadual talvez precise de ajuda para convencer o governo federal sobre o valor de ter os Estados Unidos trabalhando diretamente com o Estado”.
Serra disse que ele gostaria de falar com a mídia sobre a necessidade dessa ajuda.
A íntegra do telegrama conforme divulgada pela pública, poder ser lida aseguir:
Da Agência Pública
Nova leva de documentos do Wikileaks revelam que Serra queria treinamento para lidar com bombas e ameaças no transporte público, que seriam de autoria da facção
Por Daniel Santini, especial para a Pública
Assim que assumiu o poder como governador de São Paulo, em janeiro de 2007, José Serra (PSDB) foi procurar o embaixador dos Estados Unidos no Brasil Clifford M. Sobel para pedir orientações sobre como lidar com ataques terroristas nas redes de metrô e trens, atribuídos por membros do governo paulista ao PCC.
O encontro foi o primeiro de uma série em que, como governador, Serra buscou parcerias na área de segurança pública, negociando diretamente com o Consulado Geral dos Estados Unidos, em São Paulo, sem comunicar ao governo federal. É o que revelam relatórios enviados à época pela representação diplomática a Washington e divulgados agora pela agência de jornalismo investigativo Pública, em parceria com o grupo Wikileaks.
Os documentos, classificados como “sensíveis” pelo consulado, são parte de um conjunto de 2.500 relatórios ainda inéditos sobre temas variados, que foram analisados em junho por uma equipe de 15 jornalistas independentes e serão apresentados em reportagens ao longo desta semana. Os telegramas que falam dos encontros de Serra com representantes dos Estados Unidos também revelam a preocupação do então governador com o poder do Primeiro Comando da Capital (PCC) nas prisões.
Após tomar posse como governador, a primeira reunião de Serra com representantes dos Estados Unidos, realizada em 10 de janeiro de 2007, é descrita em detalhes em um relatório no dia 17.
Na conversa, que durou mais de uma hora, Serra apontou a segurança pública como prioridade de seu governo, em especial na malha de transporte público, disse o Estado “precisava mais de tecnologia do que de dinheiro” para combater o crime e indagou sobre a possibilidade de o DHS (Departament of Homeland Security) treinar o pessoal da rede de metrô e trens metropolitanos para enfrentar ataques e ameaças de bombas.
Semanas antes, três bombas haviam explodido, afetando o sistema de trens, conforme noticiado à época.
Em 23 de dezembro de 2006, um artefato explodiu próximo da estação Ana Rosa do Metrô. No dia 25, outra bomba explodiu dentro de um trem da CPTM na estação Itapevi, matando uma pessoa, e uma segunda bomba foi encontrada e levada para um quartel. Em 2 de janeiro de 2007, um sargento da Polícia Militar morreu tentando desarmar o dispositivo.
Segundo o documento diplomático, “membros do governo acreditam que o Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser o responsável pelos episódios recentes”.
O secretário de Transportes Metropolitanos, José Luiz Portella, chegou a entregar uma lista com questões sobre procedimentos adotados nos Estados Unidos e manifestou interesse em conhecer a rotina de segurança do transporte público de Nova York e Washington.
Também participaram desse primeiro encontro o chefe da Casa Civil Aloysio Nunes Ferreira, o secretário de Segurança Pública, Ronaldo Marzagão, o secretário de Transportes, Mauro Arce, o coordenador de segurança do Sistema de Transportes Metropolitanos, coronel Marco Antonio Moisés, o diretor de operações do Metrô Conrado Garcia, os assessores Helena Gasparian e José Roberto de Andrade.
Parceria estabelecida
As conversas sobre as possíveis parcerias entre o governo de São Paulo e os Estados Unidos na segurança da rede de metrô e trens metropolitanos continuaram na semana seguinte, quando Portella se reuniu com o cônsul-geral em São Paulo, o adido do Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (Departament of Homeland Security – DHS) no Brasil e o responsável por assuntos políticos do consulado.
O encontro aconteceu em 17 de janeiro de 2007 e foi relatado em relatório no dia 24.
Acompanhado do secretário adjunto de segurança pública, Lauro Malheiros, e de outras autoridades da área, Portella falou sobre as dificuldades encontradas pelo Metrô em garantir a segurança da rede e informou sobre a tragédia ocorida nas obras da estação Pinheiros, dias antes (12 de janeiro de 2007), quando um desabamento provocou a morte de sete pessoas. No relatório, os representantes dos Estados Unidos destacam que a linha amarela é a primeira Parceria Público-Privada do Brasil e que o projeto foi lançado em meio à “grande fanfarra”.
Portella falou sobre os episódios anteriores de bombas e ameaças no metrô e “respondeu a uma série de questões preparadas pelo adido do DHS sobre a estrutura da rede” e disse que depois que as inspeções foram reforçadas, por causa das ameaças de bomba, mais pacotes suspeitos foram encontrados, e que mesmo “um saco de bananas ou de roupa suja” têm de ser examinados, o que provocava atrasos e paralisações no metrô. Novamente o PCC é mencionado: “Autoridades acreditam que a organização de crime organizado Primeiro Comando da Capital (PCC) pode ser responsável pelos ataques e relatam a prisão de um membro do PCC responsável pelo assassinato de um juiz em 2002”.
No final, Portella designou, então, o coronel da Polícia Militar José Roberto Martins e o diretor de Segurança do Metrô Conrado Grava de Souza para dar continuidade à parceria proposta.
Itamaraty
Nos meses seguintes, Serra voltou a se encontrar com representantes dos Estados Unidos e insistir em parcerias para lidar com o PCC.
Em 6 e 7 de fevereiro, conversou com o subsecretário de Estado dos EUA para Negócios Políticos, Nicholas Burns. De acordo com relatório de 1º de março de 2007, falou no encontro sobre a “enorme influência” que a organização tem no sistema prisional no Estado e pediu ajuda, incluindo tecnologia para “grampear telefones”.
Sua assessora para assuntos internacionais Helena Gasparian agradeceu a assistência na questão da segurança nos transportes públicose afirmou que a participação dos Estados Unidos foi “imensamente útil”.
Diante da sugestão de novas parcerias, o subsecretário Burns e o embaixador Sobel ressaltaram que seria importante obter aprovação do governo federal e destacaram que o Ministério de Relações Exteriores, o Itamaraty, “é às vezes sensível quanto a esses assuntos”.
O relatório afirma que “o governo estadual talvez precise de ajuda para convencer o governo federal sobre o valor de ter os Estados Unidos trabalhando diretamente com o Estado”. Serra disse que ele gostaria de falar com a mídia sobre a necessidade dessa ajuda.
Questionado pela agência Pública sobre esses relatórios, o professor Reginaldo Nasser, especialista no estudo de relações internacionais, de segurança internacional e de terrorismo da PUC de São Paulo, criticou a postura dos governador Serra e disse que acordos deste tipo devem ser intermediados pelo Itamaraty.
“Os Estados Unidos têm pressionado o Brasil para colocar terrorismo no Código Penal e o país até agora resistiu. Este tipo de acordo é uma relação de Estado para Estado e precisaria passar pelo governo federal”, explicou, destacando que, desde os ataques de 11 de Setembro, os Estados Unidos assumiram uma postura de polícia internacional. “Agentes agem com ou sem autorização em outros países, prendem, torturam e assassinam”, diz.
A assessoria de imprensa do Itamaraty disse que ninguém se posicionaria sobre as revelações dos documentos. Procurado por meio de sua assessoria, o ex-governador José Serra não retornou o contato da reportagem.
Por H. C. Paes
E talvez, só talvez, ele devesse ter procurado o MRE para pedir autorização para firmar convênio de assistência técnica e treinamento com autarquia pública de estado soberano estrangeiro.
E talvez, só talvez, alguém devesse ter lembrado ao Serra que a legislação brasileira não tipifica o terrorismo e, portanto, não há que se falar em treinamento para combater um tipo de crime que não existe formalmente no Brasil.
E talvez, só talvez, o Serra devesse ter ligado para o Walter Maierovitch para que este explicasse para ele a diferença entre ação armada do crime organizado voltada contra forças de segurança do estado como represália (o que o PCC fez, atacando delegacias) e uso de violência indiscriminada contra uma população civil com o objetivo de provocar a queda do governo, a expulsão de uma força invasora ou transmitir uma mensagem política (a definição de terrorismo).
O Brasil não tem terrorismo. Não oprimimos minorias, não temos movimentos separatistas, não metemos o nariz onde não somos chamados, não temos sequer os terroristas domésticos à moda de Timothy McVeigh. Não podemos ceder à paranóia dos estadunidenses. Eles que resolvam os problemas que criaram ao invés de tentar impingir a mesma mentalidade de choque aos outros.
Wittgenstein, Russell e um monte de outros pensadores - segundo me contam fontes secundárias, pois não li os originais - chamaram nossa atenção para a importância de atribuir um significado claro à linguagem, de forma a manter o pensamento claro. Chamar de terrorismo o que o PCC fez é o mesmo que chamar o assassino do Realengo de terrorista.
E não adianta vir com a história de que o PCC causou terror à população civil. Usar associações excessivamente amplas para justificar o que deveria ser uma unidade conceitual estreita é apenas uma maneira de confundir e semear insegurança. Afinal, até o boi da cara preta é capaz de causar terror... a uma criança de cinco anos. Para se falar em terrorismo - e mais ainda, para tipificá-lo legalmente - é preciso falar em motivações, causas,modus operandi, padrões de recorrência, e um monte de outras coisas que não interessam aos propaladores da mentalidade de choque.
Porque convém a eles convencer as pessoas a declarar guerra a uma palavra antes de saber o que ela significa. Haja vista que, nesse caso, a guerra é por definição infinita.

sábado, 25 de junho de 2011

O filho do Brasil


O FILHO DE MIRIAN DUTRA

A informação de que não é  de FHC o filho de Mirian Dutra resolve um enigma na minha cabeça.
Conheço bastante a pessoa que namorou Mirian após a separação de FHC. Foi apresentado a ela pelo jornalista Luiz Fernando Mercadante, no tempo em que dirigia a Globo em Brasilia.
Quando surgiram os primeiros rumores sobre a gravidez de Mirian, Mercadante - que jamais foi admirador de FHC - me garantia que o filho não era dele. E dizia na condição de chefe e amigo de Mirian e da pessoa que apresentou a ela o namorado seguinte.
Quando FHC reconheceu o filho, me deu um nó na cabeça. Nao havia como Mercadante ter se enganado, pois acompanhou de perto a vida da moça naqueles momentos. Me parecia impossível o próprio namorado ter se enganado a respeito da cronologia. Mercadante na época me contou o nome e a profissão do verdadeiro pai.
Agora, o mistério se desfaz.