Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

quinta-feira, 16 de abril de 2015

É o fim do jornalismo tradicional. Viva o jornalismo? , por Fábio Lau

Enviado por Alfeu
do Conexão Jornalismo
Por Fábio Lau
O jornalismo já esteve na UTI. Hoje, recebe a extrema unção. Há quem diga por aí que a atividade está se renovando, reinventando. É possível. Mas o que se inventa e reinventa, na prática, está muito distante do jornalismo castiço ao qual os jornalistas de hoje, aqueles que têm mais de 35 anos, entendem como atividade profissional capaz de sustentar uma família.

Projetos na internet, como blogs, sites e outras ferramentas agrupadas em rádio e vídeo, eventualmente conseguem sobreviver com seus próprios recursos. Patrocínios, publicidade do Google, assinaturas e outros serviços. Mas não são muitos. Aliás, bem poucos.

O mercado tradicional do jornalismo encolhe e já vê o padre diante de si a ministrar o ritual voltado aos que estão à beira do desencarne. Globo, Estadão, Folha e Editora Abril, carros-chefes deste negócio chamado Comunicação há décadas, demitiram quase mil profissionais só este ano. E não se sabe se a redução da folha salarial foi o suficiente. Se de fato as dispensas atenderam a uma necessidade de reorganização orçamentária... jamais saberemos. Mas, na prática, os jornalistas foram dispensados. E o mercado à sua volta é assustador.

Se há um meio possível de se criar modelo de Comunicação capaz de absorver a mão de obra altamente qualificada jogada às ruas, este modelo tem que passar necessariamente pelos poderes legislativo e executivo - em todos os âmbitos (federal, estaduais e municipais). A publicidade governamental voltada para a velha mídia, nos últimos dez anos, bateu R$ 5 bilhões, segundo estudos recentes. Só a Rede Globo recebe em média R$ 500 milhões/ano. São cinco grandes grupos, e mais uma dezena de empresas, a abiscoitar o bolo. E a enxugar a máquina.
Não é errado imaginar que a folha salarial das empresas, somadas, com todos os custos e onerações trabalhistas, não representem 2% deste volume (R$ 100 milhões). Então, pelo que podemos compreender, as empresas que recebem verba oficial para publicidade, aumentando assim seus recursos, usam a verba para ampliar seu negócio, enriquecer os patrões e diretores com premiações e, num último momento, demitir e indenizar. A tônica é não deixar ocorrer a redução do lucro - o que, nesta contabilidade, representaria "prejuízo".

Qualquer atividade profissional produtiva, quando ameaçada na sua sobrevivência, causa clamor público e reação social - motivada, claro, pelos veículos de Comunicação. Professores, arquitetos, produtores e até cobradores de ônibus. No caso dos jornalistas, afora a divulgação por redes sociais ou sites independentes, as demissões são mantidas em segredo. É o lado vergonhoso que os empresários não querem ver divulgado por receio de que o enxugamento revele incompetência ou sovinice.

Entretanto, para espanto de quem assiste de perto o fim de uma atividade profissional como a do Jornalista, não há mobilização nem mesmo da própria categoria para tentar reagir e sobreviver. Ao contrário: os que nela permanecem seguem para o abatedouro de forma reverente, educada e silenciosa, de modo que se cumpra o destino... Sem escândalo.

Recentemente, o Sindicato do Rio, ao convocar os profissionais para uma reação e ação de preservação do emprego, foi solenemente ignorado. E muitos que deixaram de atender à convocação se viram lá para cumprir o rito da demissão. Preferiram o sindicato no percurso do apocalipse pessoal.

Quando jornalistas morrem, e têm morrido a uma velocidade surpreendente nos últimos anos, há uma legítima comoção a tomar redes sociais e cerimônias de sepultamento. Mas, na prática e subjetivamente, a morte do jornalista se dá muito antes da parada cardíaca ou morte cerebral. Ao ser banido da sua atividade, e em geral isso ocorre quando ainda vive seu pleno vigor físico e intelectual, o jornalista experimenta o princípio de morte.

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Seus textos, antes elogiados, já não são curtidos, lidos ou compartilhados. Seu celular se torna objeto obsoleto e os amigos se afastam porque, afinal, o desgarrado não sabe das últimas das redações. O quadro, trágico e nostálgico, é dito e repetido por "coleguinhas" que convivem com este missiva. E, o que é mais cruel, não tarda e meus confidentes recebem a companhia dos que há pouco lhe abandonaram. É a roldana do "moinho de gastar gente", de Darcy Ribeiro.

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sacode a poeira depende de quem está fora, de quem já superou a ausência do mercado, mas principalmente de quem ainda está dentro dele. Ao prestigiar iniciativas independentes, o jornalista estará dando um recado aos futuros algozes e também patrões de que há vida após a morte imaginada. A estes patrões e chefes que os veem como potencialmente dispensável.

Mas enquanto ele duvidar da capacidade de sobrevivência e inventividade da própria categoria, não conseguir se imaginar fora do mercado tradicional, boicotar e se mostrar indiferente às novas iniciativas, o jornalista estará se postando ao lado dos lobos. Dos lobos do homem.
http://jornalggn.com.br/noticia/e-o-fim-do-jornalismo-tradicional-viva-o-jornalismo-por-fabio-lau

quarta-feira, 1 de abril de 2015

Livro-bomba revela como governo FHC tentou privatizar o Banco do Brasil e a Caixa


Livro do jornalista brasileiro Pamério Doria "O príncipe da privataria" revela como o ex-presidente tentou privatizar o Banco do Brasil e a caixa federal além de como ele conseguiu comprar sua reeleição

Por redação

O Princípe da Privataria", do jornalista Palmério Doria, autor do best-seller Honoráveis Bandidos, sobre o poder da família Sarney. Desta vez, o foco de Doria é lançado sobre um dos homens mais poderosos e cultuados do Brasil: o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. No livro, o autor aborda as contradições do personagem e algumas manchas de sua biografia, como a compra da emenda da reeleição e a operação pesada para blindá-lo na imprensa sobre o filho fora do casamento com uma jornalista da Globo, que, no fim da história, não era seu filho legítimo.

O Príncipe da Privataria revela quem é o "Senhor X", o homem que denunciou a compra da reeleição


Uma grande reportagem, 400 páginas, 36 capítulos, 20 anos de apuração, um repórter da velha guarda, um personagem central recheado de contradições, poderoso, ex-presidente da República, um furo jornalístico, os bastidores da imprensa, eis o conteúdo principal da mais nova polêmica do mercado editorial brasileiro: O Príncipe da Privataria - A história secreta de como o Brasil perdeu seu patrimônio e Fernando Henrique Cardoso ganhou sua reeleição (Geração Editorial, R$ 39,90).
Com uma tiragem inicial de 25 mil exemplares, um número altíssimo para o padrão nacional, O Príncipe da Privataria é o 9° título da coleção História Agora da Geração Editorial, do qual faz parte o bombástico A Privataria Tucana e o mais recente Segredos do Conclave.
O personagem principal da obra é o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o autor é o jornalista Palmério Dória, (Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na era Sarney, entre outros títulos). A reportagem retrata os dois mandatos de FHC, que vão de 1995 a 2002, as polêmicas e contraditórias privatizações do governo do PSDB e revela, com profundidade de apuração, quais foram os trâmites para a compra da reeleição, quem foi o "Senhor X" - a misteriosa fonte que gravou deputados confessando venda de votos para reeleição - e quem foram os verdadeiros amigos do presidente, o papel da imprensa em relação ao governo tucano, e a ligação do Centro Brasileiro de Análise e Planejamento (Cebrap) com a CIA, além do suposto filho fora do casamento, um "segredo de polichinelo" guardado durante anos...
Após 16 anos, Palmério Dória apresenta ao Brasil o personagem principal do maior escândalo de corrupção do governo FHC: o "Senhor X". Ele foi o ex-deputado federal que gravou num minúsculo aparelho as "confissões" dos colegas que serviram de base para as reportagens do jornalista Fernando Rodrigues publicadas na Folha de S. Paulo em maio de 1997. A série "Mercado de Voto" mostrou da forma mais objetiva possível como foi realizada a compra de deputados para garantir a aprovação da emenda da reeleição. "Comprou o mandato: 150 deputados, uma montanha de dinheiro pra fazer a reeleição", contou o senador gaúcho, Pedro Simon. Rodrigues, experiente repórter investigativo, ganhou os principais prêmios da categoria no ano da publicação.
Nos diálogos com o "Senhor X", deputados federais confirmavam que haviam recebido R$ 200 mil para apoiar o governo. Um escândalo que mexeu com Brasília e que permanece muito mal explicado até hoje. Mais um desvio de conduta engavetado na Era FHC.
Porém, em 2012, o empresário e ex-deputado pelo Acre, Narciso Mendes - o "Senhor X" -, depois de passar por uma cirurgia complicada e ficar entre a vida e a morte, resolveu contar tudo o que sabia.
O autor e o coautor desta obra, o também jornalista da velha guarda Mylton Severiano, viajaram mais de 3.500 quilômetros para um encontro com o "Senhor X". Pousaram em Rio Branco, no Acre, para conhecer, entrevistar e gravar um homem lúcido e disposto a desvelar um capítulo nebuloso da recente democracia brasileira.
O "Senhor X" aparece - inclusive com foto na capa e no decorrer do livro. Explica, conta e mostra como se fazia política no governo "mais ético" da história. Um dos grandes segredos da imprensa brasileira é desvendado.

20 anos de apuração
Em 1993, o autor começa a investigar a vida de FHC que resultaria neste polêmico livro. Nessas últimas duas décadas, Palmério Dória entrevistou inúmeras personalidades, entre elas o ex-presidente da República Itamar Franco, o ex-ministro e ex-governador do Ceará Ciro Gomes e o senador Pedro Simon, do PMDB. Os três, por variadas razões, fizeram revelações polêmicas sobre o presidente Fernando Henrique e sobre o quadro político brasileiro.

EXÍLIO NA EUROPA


Ao contrário do magnata da comunicação Charles Foster Kane, personagem do filme Cidadão Kane, de Orson Welles, que, ao ser chantageado pelo seu adversário sobre o seu suposto caso extraconjugal nas vésperas de uma eleição, decide encarar a ameaça e é derrotado nas urnas devido a polêmica, FHC preferiu esconder que teria tido um filho de um relacionamento com uma jornalista.
FHC leva a sério o risco de perder a eleição. Num plano audacioso e em parceria com a maior emissora de televisão do país, a Rede Globo, a jornalista Miriam Dutra e o suposto filho, ainda bebê, são "exilados" na Europa. Palmério Dória não faz um julgamento moralista de um caso extraconjugal e suas consequências, mas enfatiza o silêncio da imprensa brasileira para um episódio conhecido em 11 redações de 10 consultadas. Não era segredo para jornalistas e políticos, mas como uma blindagem única nunca vista antes neste país foi capaz de manter em sigilo em caso por tantos anos?
O fato só foi revelado muito mais tarde, e discretamente, quando Fernando Henrique Cardoso não era mais presidente e sua esposa, Dona Ruth Cardoso, havia morrido. Com um final inusitado: exame de DNA revelou que o filho não era do ex-presidente que, no entanto, já o havia reconhecido. 
Na obra, há detalhes do projeto neoliberal de vender todo o patrimônio nacional. "Seu crime mais hediondo foi destruir a Alma Nacional, o sonho coletivo", relatou o jornalista que desvendou o processo privatista da Era FHC, Aloysio Biondi, no livro Brasil Privatizado.
O Príncipe da Privataria conta ainda os bastidores da tentativa de venda da Petrobras, em que até a produção de identidade visual para a nova companhia, a Petrobrax, foi criada a fim de facilitar o entendimento da comunidade internacional. Também a entrega do sistema de telecomunicações, as propinas nos leilões das teles e de outras estatais, os bancos estaduais, as estradas, e até o suposto projeto de vender a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil. "A gente nem precisa de um roubômetro: FHC com a privataria roubou 10 mil vezes mais que qualquer possibilidade de desvio do governo Lula", denuncia o senador paranaense Roberto Requião.

SOBRE O AUTOR

Palmério Dória é repórter. Nasceu em Santarém, Pará, em 1949 e atualmente mora em São Paulo, capital. Com carreira iniciada no final da década de 1960 já passou por inúmeras redações da grande imprensa e da "imprensa nanica". Publicou seis livros, quatro de política: A Guerrilha do Araguaia; Mataram o Presidente - Memórias do pistoleiro que mudou a História do Brasil ; A Candidata que Virou Picolé (sobre a queda de Roseana Sarney na corrida presidencial de 2002, em ação orquestrada por José Serra); e Honoráveis Bandidos - Um retrato do Brasil na Era Sarney ; mais dois livros de memórias: Grandes Mulheres que eu Não Comi, pela Casa Amarela; e Evasão de Privacidade, pela Geração Editorial.

Confira o artigo original no Portal Metrópole: http://www.portalmetropole.com/2015/02/livro-bomba-revela-como-governo-fhc.html#ixzz3W5WJmQLr