Isso vai virar um shopping! foto feita em 13 de abril de 2011

sábado, 11 de agosto de 2012

Nada pelo Social, assim é em São Paulo


Kassab, nada pelo social

Fachada da escola de mecânicos: Kassab não perdoa, fecha
Reproduzo abaixo artigo do L.A. Pandini, publicado em seu ótimo blog PandiniGP.
É de chorar o que Kassab, Serra, Alckmin e assemelhados fazem com São Paulo.
As eleições estão aí. Já é mais que hora de mandar esses picaretas embora.
Qualquer minuto a mais com eles no poder é um risco para a cidade, para os munícipes, para o ambiente, para a vida.

Kassab fecha Escola de Mecânica de Interlagos

Tristeza, raiva, impotência, sentimento de perda, pesar. É o que sinto no momento por duas coisas: a destruição do autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, e o tema da mensagem abaixo, enviada pelo amigo Sérgio Berti.

Como se não bastasse tudo de errado que esta nova administração do Autódromo tem feito contra os automobilistas paulistas, agora eles fecharam a Escola de Mecânicos de Interlagos. 
Saibam todos que o Prof. Elibama (ou apenas Prof. Eli) , diretor da Escola, não ensinava apenas a profissão aos jovens. Ele ensinava muito mais, ensinava Cidadania e Organização. 
Várias vezes, em que eu passava em frente a escola, via o grupo de alunos, parte dos 3 mil já formados, hasteando a Bandeira e cantando Hino Nacional Brasileiro antes de iniciarem suas atividades diárias. Além disso, o Professor e seus assistentes encaminhavam vários destes jovens ao seu primeiro emprego. 
É uma pena. Perdermos um bom projeto social da região de Interlagos pela ganância financeira dos novos administradores do autódromo.
Façam uma visita às instalações da Escola e vejam o quanto estes alunos aprendiam sobre organização, limpeza, cidadania e “mecânica”.
Segue abaixo o contato do prof. Eli para quem quiser confirmar as informações acima: cel. 9 9454-9566 - elibamacastro@gmail.com) 

Volto eu, LAP, para fazer justiça. A Escola de Mecânica do autódromo foi criada durante a gestão da prefeita Luiza Erundina, entre 1989 e 1992, na época filiada ao PT e atualmente exercendo seu quarto mandato como deputada federal pelo PSB. Um projeto social que desde sua implantação deu uma profissão, um futuro, a milhares de jovens. Muitos deles trabalham em oficinas e fábricas.
É isto que dá eleger como governantes seres que só pensam em si mesmos. São incapazes de pensar nos outros, no coletivo. Enxergam apenas números e estatísticas. Acham que o lucro é o bem maior a ser atingido. E, movidos por este raciocínio, fecham escolas e bibliotecas: porque não dão “lucro”.
São Paulo virou uma cidade talibã. Desde 2005, vivemos uma onda de proibições. Até alguns anos atrás, a avenida Paulista era repleta de artesãos e de artistas de rua que apresentavam números variados. Foram expulsos de lá – e de qualquer outro lugar: simplesmente não podem mais se apresentar nas ruas.
Algum tempo atrás, passei pela esquina da Xavier de Toledo com a São Luiz, no centro. Atentei para o vazio onde durante décadas havia uma grande banca de jornal que funcionava como sebo. E vi o dono da banca sentado em uma cadeira, tendo ao lado um caixote sobre o qual havia uns poucos livros e revistas.
- Um caminhão da prefeitura levou a banca embora com tudo dentro – explicou o homem. Fizeram tudo de madrugada.
Segundo ele, houve, durante a gestão de Marta Suplicy (2001-2004), um projeto de regulamentar os sebos que funcionavam na rua, em bancas de jornal. A iniciativa caiu no vazio e, em dado momento, o atual prefeito resolveu aproveitar esse pretexto para fazer uma das coisas que mais gosta: proibir algo – no caso, a existência das bancas-sebo, tradicionalíssimas no centro de São Paulo (graças a elas, compus boa parte do acervo de livros e revistas que possuo hoje). Na mesma época em que eu soube dessa história, Kassab pretendia proibir a existência de bancas de jornal no centro. Alegação: muitas delas, quando fechadas, eram usadas por ladrões para ficarem de tocaia, à espera de vítimas. Sem comentários.
O mais desolador é ver que a população supostamente esclarecida de São Paulo aceita todas estas proibições de maneira passiva, como se fosse esta a natureza das coisas. É uma das razões que tornam São Paulo cada vez mais insuportável de se viver. Não é à toa que pesquisa recente mostrou que 57% dos habitantes iriam embora daqui, se pudessem – e os congestionamentos que se formam nas saídas da cidade na véspera de qualquer final de semana ou feriado não deixam dúvidas sobre isto.
Estou entre os 57%. Vai demorar alguns anos mas, assim que puder, vou embora daqui. Que fiquem com São Paulo os habitantes retratados neste post, escrito três anos atrás.
http://cronicasdomotta.blogspot.com.br/

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

Cada atleta uma medalha


Antipauta olímpica: o quadro de medalhas

O quadro de medalhas dos Jogos Olímpicos é uma cascata. Mais: é um filho da Guerra Fria. Ele nasceu em 1956, nos Jogos de Melbourne, fruto da primeira presença da União Soviética no evento, em Helsinque, em 1952. Os soviéticos mostraram que não estavam para brincadeiras, ganhando um monte de medalhas, em esportes de ponta, como futebol, vôlei, ginástica e nas provas de atletismo.
Diante de estreia tão ameaçadora em plena era macartista, os americanos resolveram fazer algo a respeito e os seus jornais inventaram o quadro de medalhas, aproveitando as informações tradicionalmente divulgadas pelo COI. Era uma maneira de dar uma abaixada na bola nos “vermelhos”, pois os sobrinhos do Tio Sam e seus aliados estavam presentes em mais esportes do que os soviéticos e o pessoal da chamada “Cortina de Ferro” – portanto, ganhavam mais medalhas.
O problema com a contagem do COI é que ela contém um erro metodológico – nas provas individuais, o Comitê atribui uma medalha por atleta – e, portanto, por país -, mas não faz o mesmo com os esportes coletivos, que contam apenas uma medalha, embora todos os atletas recebam a sua, como nos esportes individuais. Para os jornais americanos (e de todo o “mundo livre” – por favor, não ria, era assim durante a “Guerra Fria” – como o Brasil), esse erro veio bem a calhar, pois os russos, desde o início, mostraram-se fortíssimos no futebol (onde competiam com suas equipes principais, disfarçadas de times militares) e no vôlei (este, a partir de 64). Os americanos dominavam o basquete, é certo, mas os russos, já a partir de 52, começaram a competir seriamente, sempre faturando suas medalhinhas.
Assim, minha proposta de antipauta é a seguinte: os jornais brasileiros passarem a contar tantas medalhas quantas for o número regulamentar de atletas que disputam as competições nos esportes coletivos. Assim, seriam contadas 11 medalhas no futebol, seis no vôlei de quadra, duas no vôlei de praia e cinco no basquete – só para falar dos principais, mas valeria também para badminton, hóquei sobre a grama, pólo aquático e outros. Tenho a impressão que o quadro não chegaria a mudar demais, mas, creio, ficaria bem mais justo.
http://bit.ly/MnzR4U